Marcelo Pires

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DESTAQUE

O destaque dessa semana é um cara incrível na dedicação aos seus trabalhos altamente criativos e sempre com muito foco nos clientes e visando resultados para engajar e atrair os consumidores. É um cara estudioso, que vive o que faz com gosto e acima de tudo com competência. Marcelo Pires é uma inspiração e fonte de referência nacional em grandes campanhas publicitárias.

O Nenê Zimmermann pediu um texto.
Um texto meu sobre mim.
Desculpe, nem sempre faço exatamente o que me pedem. Assim, em vez de falar que sou publicitário desde 1982, quando virei estagiário da MPM/POA graças ao Beto Soares, em vez de dizer que em 1985 fui pra Europa passar um tempo e, desde lá, tomei muito gosto por viajar, em vez de contar que em 1987 fui redator do ano no salão da propaganda gaúcha e, reconhecido aqui, decidi mudar pra Sampa.
Acabei ficando por lá um tempão, trabalhando principalmente na W/Brasil , lugar que me formou e desformatou, em vez de relembrar que, entre indas e vindas entre Sampa e POA, já estou no meu sexto ou sétimo ano na Competence, sempre trabalhando com gentes e clientes muitos especiais, em vez de comentar que sou autor infantil com cinco ou seis livros publicados nas melhores editoras do país, em vez de ficar me exibindo que também escrevo roteiros para a TV, sendo que a série da RBSTV, Grenal é Grenal, é um bom exemplo disso, em vez de definitavamente me estender e confessar que a maior maravilha da vida é ser pai do João, 16, e Tobias, 9, em vez de tudo isso, vou mandar um texto que escrevi semana passada e que uma pessoas legais aqui da agência curtiram muito.
É só… Me dei uma conta de uma coisa óbvia que acontece em agência de propaganda. A cultura do “é só”. É uma reação que a gente tem aos pedidos dos nossos queridos clientes. O layout tá aprovado, agora é só mudar a foto: tirar a menina linda e explodir o produto. O texto tá aprovado, agora é só acrescentar 5 funcionalidades que este produto tem. Com bullets. O roteiro tá aprovado: agora é só produzir com a verba que o cliente tem… os 200 mil viraram 2.
Ah, mas não esquecer das 5 funcionalidades que o produto tem. E os bullets. E assim a gente vai, de “é só” em “é só”, tirando a síntese (e o brilho) das peças. O “é só” também acaba influenciando no prazo. Se tá aprovado e é só dar uma mexida no layout, puxa, dá pra fazer rapidinho.
Ou seja: pra hoje. Algumas pessoas no mercado devem achar que quem vive chamando a atenção que o “é só” não é tão “é só” assim… puxa, tá querendo complicar. É um sujeito que não tem inteligência emocional. Ou é um cara que não sabe trabalhar em equipe. Ou que não sabe que propaganda tem mais é que vender… ou qualquer clichê deste tipo. Quem negligencia detalhes em nome da praticidade, desculpe, age como se propaganda fosse só propaganda. Não quer que ela signifique mais.
Represente mais. Que seja relevante. Fazer um anúncio não é só fazer um anúncio. Fazer um post não é só fazer um post. E aprovar algo, fazer que algo saia com síntese (e brilho) não é só “apresentar” para o cliente… tem que argumentar, mostrar que somos especialistas e, o mais difícil, especiais. E que, apesar de tanta gente palpitando sobre tantos assuntos no dia a dia, pra fazer boa comunicação não é só fazer. Tem que ter talento. Se você enfrenta os “é só” do dia a dia e anda se sentindo meio só, força. Nunca esqueça que você não é só mais um

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