M POR B

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Eu cresci numa época em que um dos itens mais desejados da cultura pop era um quadro que trazia a foto de uma pilha de notas de dólares sob o título “o meu primeiro milhão”. Tenho certeza de que aquela foto permeou o imaginário de empreendedores de toda uma geração, que viam naquela imagem um objetivo de vida e a tradução de sucesso.

O tempo passa e com ele nossos objetivos e perspectivas vão se ajustando. Um milhão (de dólares ou de qualquer outra moeda) já não compra muita coisa – os preços dos imóveis do Rio de Janeiro e de São Paulo que o digam. Se eu tivesse que pendurar um quadro motivacional na parede do meu quarto nos dias de hoje, esse quadro traria uma pilha maior de dinheiro e um pequeno ajuste no texto traria a letra B no lugar do M.
O que ainda é o sonho dourado para toda uma geração de homens e mulheres de negócios já é realidade para um seleto grupo de pessoas.

Ganhar e acumular dinheiro já é uma tarefa desafiadora quando as circunstâncias são favoráveis e as regras, conhecidas. Tornar- se e manter- se um bilionário no Brasil de hoje é um atestado de extrema competência – e por favor, não pensem que uma vez bilionário, para sempre bilionário. Nossa história recente mostrou rombos retumbantes. Um país atolado numa burocracia corrosiva de um Estado inchado e ineficaz, que muda de regras numa rapidez assustadora e que parece perseguir com voracidade a iniciativa privada.

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