FERNANDO SILVEIRA

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ARTIGO DE FERNANDO SILVEIRA
SÓCIO FUNDADOR DA INTEGRADA COMUNICAÇÃO TOTAL E PRESIDENTE DO SINAPRO/RS

Por que OU se pode ser muito mais E?

“Na busca por ser assertivo, acabamos procurando a fórmula perfeita num único canal e esquecemos a força da soma, do conjunto, da exposição plena”.

A discussão sobre ON e OFF, digital e convencional é muito antiga. Para os dias de hoje, sem dúvida alguma, soa até como pré-histórica. Entre socos e pontapés, abraços e confraternizações, os discursos mudam conforme o momento e o lugar. Nos últimos quinze dias, fui impactado por três momentos relacionados à discussão que já passou do fim, mas muitos ainda insistem em papagaiar o tema para ter assunto. Aliás, esses momentos lembram os discursos de feiras de empreendedores lideradas por consultores que jamais arriscaram empreender e sequer correram os riscos de assinar uma carteira profissional alheia, mas sabem tudo sobre dar a largada no seu novo e revolucionário negócio, basta ter um colorido Business Canvas.

Pois bem, primeira pedrada: organizadores de um curso sobre o futuro da comunicação entraram em contato com um discurso, segundo eles, disruptivo. Queriam me convencer a fazer uma viagem para entender o futuro das agências e diziam: o modelo Madison Avenue acabou, o futuro começa agora e o que era feito não serve mais. Ora, ora, queridos organizadores, quem não sabe disso? Preciso investir algo em torno de 25 mil reais para entender o que sinto na carne há um bom tempo? E, por outra, se o cara ainda não entendeu que o modelo mudou, está mudando e seguirá em mutação, olha, não pode sequer se definir como publicitário, muito menos como empresário do setor. Mas o pano de fundo disso era provar que o “marketing digital revolucionou o mundo”. Por favor, encontramos aqui o óbvio repetido tantas vezes que parece ignorância.

A segunda pedrada: recebo uma notícia sobre a retomada dos investimentos publicitários em TV nos Estados Unidos. Ou seja, a TV volta a ter relevância, o rádio jamais deixou de ter e a mídia impressa está deixando de ser impressa, mas segue lá como fonte de notícias e esteio de credibilidade nas informações. Na tola discussão entre On e Off, deleitam-se os que defendem os meios “tradicionais”, que juntam essa última informação vinda dos Estados Unidos a palestras ainda quentes deste ano em Cannes que apontam para a força da estratégia total, com o uso da mídia de forma adequada e na dose certa em cada meio. Ou seja, nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Equilíbrio, gente! Equilíbrio nas estratégias, cada vez mais coladas, entre plano de comunicação e vendas.

A terceira pedrada: estou num pequeno evento para apresentar a transformação da agência que nasceu numa Era e está plenamente adaptada ao atual momento. Tudo ia bem, até que chegou a vez de uma agência que nasceu digital e assim quer ser para sempre (ou enquanto durar o estoque). Eis que o jovem empresário começa a apresentar seus números arrebatadores (sem auditoria confiável, registre-se) comparando, o tempo todo, suas soluções digitais com as soluções “convencionais”. Puxa, parecia que estava voltando no tempo e sendo abduzido aos debates que aconteciam há mais de meia década. Mas não, julho de 2017, noite fria, o papo era pra ser sobre soluções e convergência, mas lá estávamos nós no tradicional “eu sou melhor do que tu”. Entre ataques e defesas, tentei apelar pra razão dos números e encontrei um jeito de deixar claro que performance não se mede comparando meios distintos. Cada um tem seu papel e se todos estiverem bem planejados e executados, os resultados vão muito além dos números expostos em gráficos.

Foram 15 dias, três momentos, mas fico cada vez mais certo de uma coisa: existem vários caminhos e todos podem funcionar, mas quando planejamos e adequamos a verba para colocar uma marca na rua, nas telas ou seja lá com o que o target do cliente estiver interagindo, as chances de sucesso é grande. Ou seja, não renegue um canal para valorizar outro. Ajustar a necessidade, avaliar a capacidade de resposta e distribuir a verba adequadamente é entender o poder do E e abandonar o derrotado OU.

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