VIDA

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VIDA

A palavra que melhor traduz os tempos atuais talvez seja esta: esgotamento. Estar na vida não é missão fácil, requer os canais abertos para aprender, ensinar, produzir, interagir com o outro e com o ambiente. Como essas demandas só crescem, temos que nos desdobrar na tentativa de responder a todas, com a atenção migrando de foco o tempo inteiro. No final de um dia típico – com dinheiro curto, problemas no trânsito e no trabalho, nas relações com os filhos e com o parceiro, a sensação é a de ter abrigado doses de ansiedade, impotência e frustração muito maiores do que podemos administrar.  O stress deixa de ser normal e avança, diminuindo a capacidade de exercera empatia. Por não vermos as situações com clareza, nos achamos injustiçados. Esses sentimentos acumulados intoxicam. Produzem o que chamamos de frio na barriga, não na garganta, aperto no peito, cabeça pesada, além do  desânimo, que mina a energia para começar a rotina na manhã seguinte.

Não é exagero comparar os estragos provocados pelos sentimentos envenenados  aos prejuízos causados à saúde pela alimentação cheia de açúcares, carboidratos e gorduras. Assim como precisamos cortar o cardápio inadequado para limpar o organismo, devemos fazer um reset no comportamento, afastando as emoções negativas.

Segundo um estudo da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, publicado em março, acessar Facebook e Snapchat por mais de duas horas diárias dobra o risco de isolamento social. Some – se às evidências o que se vê na prática: amigos rompendo por divergências, casais brigando por ciúmes de likes. Mas não se deve demonizá– las, adverte a psicanalista Fani Hisgail, professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. “Elas trouxeram avanços, permitem interações importantes”.

A verdade é que cada vez procuramos mais agulhas nos palheiros,fazemos muito mais do que devíamos e nos tornamos aos poucos mais chatos e mais intolerantes.

Aceitar o outro como ele é,como se comporta no analógico e no digital é uma tarefa difícil,mas a mais preocupante é nos aceitarmos.

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