Roberto Pintaúde

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DESTAQUE

O destaque dessa semana é o cara mais publicitário que já conheci, por suas irreverências e sacadas intrigantes. É um contestador do bem. Faz oposição e grita com graça nos seus protestos. Roberto Pintaúde  faz parte da propaganda gaúcha como referencia e presença sempre marcante. Eu sempre apostei nessa Zebra.

 

Criatividade. Essa é a ideia. Legítima.

 

Mais de 40 anos de mercado e alguns vários cases bem sucedidos em marketing e/ou propaganda, me autorizam a dizer isto e aquilo a respeito do que já vi, ouvi e vivi na construção de minha particular história dentro deste segmento. Sou bem sucedido? Não sei, alguns acham que sim, outros ficam me olhando, sem saber o que dizer.

Mas tenho certeza de que sou um sucesso; sou inteligente, bonito e danço bem, coisa que a maioria dos profissionais de nomeada como se diz lá pelas bandas de Pedro Osório não desdobra legal. Qual a importância de dançar bem?

As moças e a falta de dinheiro respondem bem esta questão.

O Rio Grande do Sul sofre de forma mais aguda do que em outros alguns lugares do mundo o rescaldo do efeito manada, em função de sua peculiar cultura bovina. Aqui, por exemplo, o efeito estufa torna boa parte de nossos empreendedores, homens mais sestrosos em relação ao novo, ou particularmente ao DNA da boa propaganda, que é a criatividade. Essa é a ideia. Equivocada. Aqui somos o que não pensamos e pensamos o que não somos. Propaganda propriamente dita, para se caracterizar como tal, precisa ser criativa. Criativa. É. Isto. Criativa. Se é que todos que pensam fazer uso desta ferramenta conseguem compreender o que isto significa. Aquilo que a maioria pensa ser propaganda é apenas comunicação. E o que fazem os principais atores? Começa pelos veículos de mídia, os principais interessados; pago um cafezinho sem açúcar pra quem conseguir me mostrar algum veículo que tenha se interessado

em promover a propaganda criativa nos últimos 40 e poucos anos de mercado, aqui nos pampas. São tão obtusos, aliás, que não consigo enxergar nenhuma razão que justifique terem os nossos jornais locais desistido de entregar “cortesia” de suas publicações às agências que não faturem isto com eles. É como tirar a lista de preço do vendedor. Já ouvi as mais divertidas justificativas para esta ação de economia a respeito, mas algo que me deixasse convencido, não mesmo.

As agências, bom, essas cumprem o seu papel atrás do indispensável faturamento vendendo de tudo em nome da boa propaganda, mas criatividade, isto que fundamenta o nosso ofício, não mesmo.

Quanto aos anunciantes, trata-se de um capítulo a parte; responsáveis pela injeção do dinheiro que faz girar a roda, conta-se nos dedos quem acredita na força da criatividade. Eu, particularmente até hoje conheci e prestei serviços para uns tantos poucos: Gang, enquanto dirigida pelo seu fundador, Silvio Sibemberg; Homem, enquanto dirigida pelo seu fundador, Jamil Ourique; West Coast, nos primeiros dez anos de vida principalmente e, e, e não

consigo me lembrar de mais ninguém. Seria preciso gastar mais umas duas horas para lembrar. Deve existir, sim, pra que não fique eu aqui cometendo injustiças.

E quanto aos profissionais? Primeiro que sempre achei estranho o tanto pequeno número de mulheres na criação, o melhor espaço para elas dentro de uma agência. Depois, conheci, e trabalhei e vi, muitos bons profissionais de criação, isto, sim, mas sempre prejudicados pelo contexto, e muitos tantos poucos dispostos a botar o cu na reta em defesa da criatividade. Por isso, toda vez que tenho oportunidade de manifestar-me a respeito, sintetizo em dois profissionais, os tantos melhores com quem convivi: Paulo Tiaraju, e eu, sendo que eu levo algumas vantagens em relação ao Paulo, tão criativo quanto eu: eu, além de inteligente – logo criativo, também sou bonito e danço bem. Qual a importância de dançar bem ? Bom, criatividade não dá dinheiro aqui no Rio Grande do Sul, logo dançar bem é da maior importância. Essa é a ideia. Genial. Ah, e quando me perguntam com quem aprendi a ser assim, sarcástico como tantos pensam que sou, não posso deixar de tecer loas ao Mestre, Marino Boeira.

E quando me perguntam por que insisto com o papo de propaganda em plena era digital, lembro-me de uma frase de uma ex-sogra minha, que até hoje não entendi completamente: pra quem é, bacalhau basta!

 

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