Dado Schneider

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O destaque dessa semana é Dado Schneider, um cara que aprendi a conviver e ser amigo há mais de 30 anos. Durante esse tempo, acompanhei sua grande mudança de ser professor, mestre e o cara que mudou a forma de palestrar e dizer aos seus vários públicos a verdade e comportamento de tudo. Dado é um cara autêntico, um vibrador, um leitor assíduo e um inovador da sua vida e dos que o acompanham.

Bem, Nenê…

Vou falar só de minha vida como publicitário: trabalhei nesta profissão no milênio passado!…

Em 1974, eu tinha 13 anos e a artista plástica Clara Pechansky era minha professora de Técnicas Comerciais no Colégio João XXIII. Visitamos a MPM que, naquela época, ainda estava na rua Santo Antônio quase esquina Farrapos, em Porto Alegre.

Me apaixonei na hora com aquela atmosfera de agência de publicidade e cheguei em casa decidido: “serei publicitário” – disse a meus pais. E, quando passei no vestibular, o Carlinhos Schneider, que me conhecia desde criança e que sabia do meu desejo, ofereceu-me um estágio na Standard, Ogilvy & Mather (não éramos parentes: ele era paciente de meu pai, dentista). Em 1979, estagiei na Standard. Em 1980, estagiei na MPM – e o Adão Juvenal de Souza, ao final de meu estágio, ofereceu-me um emprego. Agradeci a ele, mas decidi aceitar uma vaga na pequena Mensagem Comunicações. “O quê ?!”, disse-me o Adão… “Quero voltar à MPM só como Diretor”, respondi.

Da Mensagem, fui para a Escala, em 1981. E sabe onde ela se localizava? No mesmo local que  tinha sido sede da MPM quando me apaixonei por Propaganda. Pois foi na Escala que me formei como profissional. Graças ao Marcus Paim (meu Mestre Yoda), consegui entender, dominar e inovar nesta profissão. Fui bastante precoce. E fugi para a RBS por duas vezes, em 1983 e em 1985, mas sempre voltava para a Escala…

Em 1986, a Escala comprou a Alternativa e convidou meu colega Eduardo Badia e eu para sermos sócios nela. Rebatizamos a agência de BS&A e ela foi muito bem sucedida naquele ano de Plano Cruzado. Mas houve um desentendimento entre a Escala e meu sócio e a agência ficou com o querido Badia – e acabei voltando para meu último ano de Escala, 1987.

Ao final daquele ano, o Marcus Paim me “demitiu para cima”, dizendo-me que eu deveria alçar voos mais altos… Serei grato a ele eternamente por isso. Porque montei uma consultoria no andar de cima daquele prédio onde sempre foi a Torta de Sorvete na rua Padre Chagas, fui evoluindo profissionalmente e, num ato de loucura, topei me candidatar a Presidente da ARP. E quem seria meu adversário? Meu querido Carlinhos Schneider!… Bem, como uma honra para mim, gigantes da época foram votar em mim… e venci, em agosto de 1988 ! E, como um primeiro movimento, organizei um ciclo de “Cafés-da-Manhã da ARP”. O primeiro palestrante seria o Presidente da APP (SP) na época, mas ele cancelou sua ida 5 dias antes!…

Com uma Meio & Mensagem na minha frente, vi uma matéria surpreendente, com um baiano que havia feito sucesso na W/Brasil e que estava voltando para a Bahia para ser sócio de Duda Mendonça na DM9 de Salvador. Achei aquilo tão diferente (pois a W era a Meca da publicidade brasileira à época) que dei um jeito de localizar o baiano – Nizan Guanaes – para substituir o presidente de APP em nosso primeiro café-da-manhã.

Nizan chegou, jantamos, ele arrasou no café-da-manhã e, na sequência, no almoço, ele me convidou para ser Diretor de Planejamento e Atendimento da DM9 Salvador – com a promessa de inaugurarmos a unidade São Paulo em menos de um ano. Fiz o Jantar da Propaganda de ’88 (em que o Nelson Sirotsky foi o Publicitário do Ano) e me licenciei da ARP – que ficou sendo tocada pelo meu Vice, Paulo Tiaraju. Na Bahia, em 1989, fiz o equivalente a um Doutorado… Ver (e ajudar) o Nizan criar uma agência nacional praticamente do nada – e a partir da Bahia – foi espetacular. Conviver com o Duda Mendonça na sua fase pré-política foi algo mágico, pois Duda é o maior conhecedor de alma humana que existe – além do melhor chefe que já tive: humano e agregador.

Mas Nizan e Duda se desentenderam em 1990 e Duda vendeu sua parte e a marca DM9 para Nizan, que se concentrou em São Paulo. E eu, que estava casado com uma baiana, fiquei em Salvador na nova agência chamada DS200 que Duda montou em sociedade com Sérgio Amado (hoje CEO da Ogilvy). Mas, em 1992, Nizan me convida para voltar à DM9 SP para comandar a conta da Sharp, a maior da agência – e desgostando algumas pessoas que já estavam por lá…

Costumo dizer que eu jogava em um time de craques: Nizan, Marcelo Serpa, Alexandre Gama, (o finado e querido) Tomás Lorente, Roberto Cippola, Luiz Toledo, Zé Luís Madeira… e eu. Mas também havia o sócio de Nizan, (o também finado) Affonso Serra, que era meu chefe imediato e que nunca foi com a minha cara… Pois, numa mistura de perseguição dele e de incompetência minha, foi justamente na DM9 em seu auge que eu tive minha mais amarga experiência profissional…

Tive stress profundo, caí desmaiado em reunião, trabalhei 42 dias seguidos, contados no calendário, mais de 12 horas por dia e acabei me separando e com queda de cabelo por stress… Mas fui responsável por tudo isso: eu era muito ingênuo e havia umas cobras tanto no cliente como na agência das quais não cuidei… E bati de frente com o Afonso, que me demitiu, em junho de 1993. Me senti o Roberto Dinamite sendo demitido do Real Madrid… (Ele foi !)

Voltei para Porto Alegre bem zonzo, com a ajuda do João Satt, que me ofereceu uma vaga na Competence. Sou grato a ele por isso, mas eu vinha do mercado nacional e tive dificuldades para me reenquadrar… Com 15 meses de Competence, fui convidado para substituir o Marcelo Gama em uma palestra num Congresso na Cidade do Porto, Portugal. Fui com a maior vontade para ser contratado por alguma agência, mas, após minha palestra, o convite que recebi foi para ser professor de uma Universidade nova, a Fernando Pessoa. E para lá me fui ! Pro Porto.

Neste ano letivo (1994/1995) maravilhoso que passei por lá, aproveitei minha carga levíssima de trabalho (14 aulas semanais) e tempo livre para estudar de tudo, mas principalmente Telefonia Celular, que já estava bombando na Europa – e nos EUA ainda não. Fiz isso porque logo haveria uma revolução no Brasil também… Na volta, assim como já havia sido acolhido pela Competence em 1993, agora foi a vez do querido Aírton Rocha me receber em 1996 na Martins & Andrade, onde fiquei até março de 1997. Três meses depois, o D’Alessandro me chama para conversar na DCS… Era para eu ser Diretor de Atendimento e cuidar primordialmente de contas do governo. “Eu topo”, respondi… “Desde que a gente faça um pequeno curso interno sobre telefonia celular com um amigo meu, pois vem aí a Banda B celular no RS”… (Sempre serei grato ao Beto Callage por ter insistido para me contratarem !)

Pois ganhamos a concorrência da Telet (só esse “case” dá uma matéria maior do que essa !) e criei o nome Claro Digital junto com a brilhante canadense Cris Krowe, que era a “cliente” da gente. E o trabalho da DCS para a Claro Digital foi tão bom que, em 2003, quando os mexicanos compraram BCP, ATL, Americel, Tess e Claro Digital, com forte influência minha no Rio, emplacamos o nome Claro (sem digital) para a marca. Na época, eu já tinha sido Gerente de Comunicação da Claro, trocando de papel para cliente – mas já era neste século!…

Mas eu ainda tive mais uma experiência espetacular em agência: em 1999, na Paim, cuidando da conta da Renner, tive o prazer de auxiliar esta grande marca a assumir as lojas de Shoppings de Mesbla e Mappin em Rio e São Paulo. Mas isso TUDO, Nenê, foi no milênio passado!… Acho que, daqui a alguns meses, eu volto aqui para contar tudo o que inventei neste século!

 

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