Ilton Teitelbaum

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O destaque dessa semana é um cara que sempre teve voltado ao ensinamento e sempre foi um cara participativo e apoiador de todas iniciativas do mercado publicitário. É um mestre com carinho.

UMA HISTÓRIA NADA LINEAR

Por Ilton Teitelbaum

Mestre em Marketing, Professor Adjunto da FAMECOS/PUCRS, Sócio-Diretor da COMTEXTO Informação de Marketing e Partner Estratégico da TRENDSITY no Brasil

 

Minha vida não chega a ser uma comédia de erros, mas está longe de ser uma história absolutamente linear. Fui um guri de exatas no Colégio Israelita, fiz dois anos e meio de Engenharia Elétrica na UFRGS, mas um belo dia fui contar ao Seu Mario e à Dona Bela que iria de muda para a PUCRS: faria Publicidade e Propaganda na FAMECOS, pois queria ser redator. Não é que tenham gostado, mas filho caçula é filho caçula, né? Toparam voltar a pagar por estudo.

 

Fiz o curso e fui redator. Redator premiado: pela Upper, em parceria com o Luiz Henrique Rosa, ganhamos o Colunistas regional e nacional com a campanha “Comece Agora, Comece por Você”. Já lá se vão 25 anos, mas é uma campanha de resgate de valores que bem poderia estar no ar hoje em dia.

 

O fato é que não era bem aquilo. Escrever sobre resgate de valores foi lindo, mas anúncios para vassouras ou impressoras de cheque não me apaixonavam. Queria marketing. E fui atrás.

Passei um tempo na Sogipa, onde fui assessor de marketing, com foco em esporte. E aí uma descoberta: eu não sabia nada de marketing, precisava aprender.

Por isso, fui fazer mestrado. Minha volta à UFRGS, desta vez no Programa de Pós-Graduação em Administração, onde reencontrei meu amigo Paulo e ganhei um orientador que é amigo até hoje, o Fernando Luce.

 

Aliás, já que estou citando nomes, vale a maior das menções honrosas: Flávio Dutra, meu padrinho. O cara que me disse que com cara-de-fui-atropelado-pelo-mundo eu não iria a lugar algum. E que, de quebra, foi quem me indicou para os dois postos de trabalho acima citados.

Feito o intervalo, foi no lá no PPGA da UFRGS que eu aprendi sobre Marketing (assim mesmo, com M maiúsculo). E foi lá que me tornei o professor e o profissional que sou até hoje. Teoria aliada à prática, esse era o caminho.

 

Em 94, meu colega e futuro sócio (hoje ex), Filipe Costa, fez o convite: queres entrar na equipe de pesquisa do CEPA? Eu quis. Comecei a trabalhar com pesquisa de mercado e não parei mais. Vocação? Não, foi uma oportunidade.

 

Em 95, o mesmo Filipe me disse: tem uma vaga na FAMECOS, tua casa, por que não vais tentar? Eu, professor? Com minha timidez e minha voz muito grave, sei lá… Mas fui. Reencontrei outra pessoa fundamental, Gagá Celente. E, sei lá por que motivo, ela resolveu acreditar em mim. Aquela primeira aula de muito nervosismo já fez 22 anos de idade, e estou na casa até hoje. Vocação? Não, oportunidade.

 

Outro intervalo para citação de nomes. E mais uma curiosidade: no mesmo mês de agosto de 95 em que fiz minha estreia na PUCRS, entrava na Universidade a Professora Cristiane Finger. Hoje, estamos casados há quase 10 anos. A vida é mesmo uma estrada com muitas curvas, não é?

Pois então, dando prosseguimento, a vida seguiu. Em 1998, criamos, o Filipe e eu, a COMTEXTO Informação de Marketing, nossa empresa de pesquisa que faz 20 anos em junho do ano que vem. O Filipe foi seguir sua história, mas eu sigo tocando a lojinha. São mais de 500 projetos nestas duas décadas. Hoje, temos uma parceria estratégica na América Latina e, em breve, estaremos de casa nova.

 

Em 2000, um quase revés: fui demitido da PUCRS por uns três dias. Mas pedi uma reunião com o então Diretor, Professor Jerônimo, e acho que sou o único exemplo de demissão revertida na Universidade. Fiquei.

 

De 2007 a 2010, coordenei o Curso de PP e fui incumbido pela Professora Mágda Cunha de refundá-lo. Foi difícil, mas foi legal. E bem-sucedido. Acho que foi meu melhor trabalho na vida. Estrela dourada no boletim.

 

E, em 2012, o começo da história mais recente: entrei no Espaço Experiência a convite do Fábian Chelkanoff e da Denise Avancini Alves. E aí criamos o Projeto 18/34, sobre o perfil do jovem e do adulto jovem no Brasil. São 5 anos e estamos na quarta edição nacional da pesquisa, com duas matérias especiais do Fantástico no currículo. Há quem diga que, se emplacarmos a deste ano, vamos poder pedir música!

 

E é isso. Em poucas palavras, a história de uma vida acadêmica e profissional que não foi nada linear, nem feita de vocações absolutas. A vida de alguém que deu voltas, mas andou para a frente. Revertendo situações difíceis e aproveitando oportunidades. É isso que eu sempre gosto de contar para os meus alunos – e que hoje, a convite do Nenê, pai do meu amigo Gordo, estou dividindo com vocês.

 

 

 

 

 

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