A equação desandou – Ainda há tempo de reformular a equação.

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Olho para a página em branco e fico pensando sobre o que escrever, que faça cócegas no raciocínio dos leitores. Como se hoje em dia faltassem assuntos, em qualquer lugar deste planeta, a qualquer momento, em qualquer contexto… Mas este é exatamente o problema atual de quem se dispõe a escrever sobre o que está acontecendo ou prestes a acontecer: é que tudo está acontecendo ou prestes a acontecer ao mesmo tempo, desde os confins do universo até o nosso próprio quintal. O problema é que em nossas equações de funcionamentos e comportamentos há cada vez menos coeficientes fixos (coisas tipo responsabilidade, equanimidade, probidade, humanidade) e cada vez mais varáveis (quem nos conduz, quais ideias prevalecem, que interesses atuam), tornando imprevisível o que vem depois do sinal de igualdade. Estamos sendo levados, ou melhor, por onde estamos levando a nós mesmos e nossos descendentes?

 

O Brasil de hoje seria uma boa metáfora para essa perplexidade, se o absurdo das variáveis não fosse tão grande e concreto que transforma a metáfora em vida real. No início, era fatos, descobertas, eventos que chocavam em sua veracidade nua e crua. Hoje, sabemos que são bolhas, inevitáveis quando a caldeirada ferve. Não são fatos isolados, não é “só” corrupção, interesses escusos, é toda uma concepção de relacionamento entre estado e sociedade (e a natureza) que está em jogo. E não basta prender ou cassar, trata- se de adotar um modelo que, por sua própria natureza, não permita que isso aconteça. Um estado que seja a própria sociedade assumindo as rédeas de si mesma, e não um poder “acima” da sociedade, que a manipule   como sustentáculo e alimento de si mesmo (e de seus dirigentes eventuais). As ideologias, não resistiram ao modelo, as variáveis variaram demais a submeterem os coeficientes. A equação desandou.

 

O mundo, como “sociedade de nações”, parece que ficou mais “reacionário”, não no sentido de resistir a mudanças, mas no de reagir mais do que agir. E como cada reação provoca uma cadeia de reações contrárias, o processo passou a ser não o de construir um modelo de convivência entre homens, nações, ideias e a natureza, e sim de negação, e as subsequentes negações de negações. Sabemos o que não queremos (eles sabem o que não querem), enfim, NÃO queremos abrir mão do que temos hoje, ou do queremos ter hoje, dane- se o resto.

 

Ainda há tempo de reformular a equação. Reforçar os coeficientes fixos, que expressem nossa vontade do que queremos que seja, e não só nossa oposição ao que não queremos. Mas implica também querer não só o que hoje é vantajoso para nós pessoalmente, para nossa família, nossa nação, nossa geração, mas principalmente o que permite uma existência honrosa, estável, confortável, pacífica, para todos, todas as famílias, todas as espécies, todas as nações, todas as gerações, sempre. Pois se isso valer para todos, com certeza valerá para nós. E se não valer para todos, talvez estejamos entre os perdedores, por mais que pensemos ou pretendamos ser os vencedores.

 

Essa opinião, no fundo contém uma resposta a um artigo publicado no Jornal Zero Hora edição de final de semana, onde o articulista reclama de coisas acontecidas consigo e não olha para suas atitudes como prometedor, tendências políticas convenientes e soberba de vida. O papel branco passa a aceitar tudo, até essa opinião.

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