Luiz Coronel

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Palestra de Luiz Coronel na Federasul em: 22 de novembro de 2017.

 

Senhoras e senhores,

É uma honra a condição de palestrante neste “Tá Na Mesa”, e expresso meus agradecimentos pela acolhida dos anfitriões da Federasul e ao grato convite formulado pelo Sebrae.

Este almoço, palco de significativas explanações, estabelece um convívio harmonioso entre ideias e talheres.

Sobre a adequação almoço/palestra, é bom lembrar que a civilização começa por obra dos cozinheiros. Domesticando o fogo, cozinhando os alimentos, nossos ancestrais deixaram de mastigar por 7/10 horas, podendo agora, em uma hora, realizar sua alimentação com direito à sobremesa e cafezinho.

Orson Welles disse que “os homens criaram a civilização só para se exibir às mulheres”.

Observe-se que em minhas palestras as citações invadem o texto qual folhas derrubadas pelos ventos da primavera.

Meus amigos,

Para os medievais, o aperto de mãos testemunhava a ausência de armas e o sentar-se à mesma mesa, um gesto de consagração da amizade.

. Nós nos sentimos guerreiros da mesma tribo, pássaros do mesmo ninho, passageiros de uma viagem pelos turbulentos caminhos de nossos tempos.

Em cada um de nós, há perguntas que não querem calar. Sonhos que nos empolgam, recusas que nos posicionam.

Hoje, mais do que nunca, é preciso debater, esclarecer, sem uma consciência nítida dos fatos, somos folhas que não sabem a que árvore pertencem.

“Penso, logo existo”, disse Descartes.

Aqui estamos!

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Momento 2.

Prezadas senhoras,

Um tempero de história cai bem em nossos pratos!

Lembremos a fábula de Adão e Eva.

Belos, lépidos e saltitantes, resolveram comer o fruto proibido.

Seria a história humana um castigo pela soberba e desobediência a Deus?

Ou, naquele exato momento de rebeldia, o homem assenhorava-se de seu destino?

Na segunda alternativa, o trabalho será nosso encargo e o progresso nosso destino.

Correm os milênios e Marx dirá: “quem produz riquezas de formas mais adiantadas estenderá domínio sobre quem utilizar formas de produção mais atrasadas”.

Quem vai, vai, quem não vai, fica! E A América Latina ficou na rabeira da história.

Para lavar seus pecados, nem mesmo a água mais benta!

Senhores empresários,

Os tempos são aturdidos pela radicalização. As palavras têm pistolas.

Certas pessoas colocam munição em suas ideias.

Bem sabemos que o cérebro humano é qual paraquedas. Só funciona se aberto.

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Quero lembrar a história de dois sábios chineses, discordantes em gênero, número e caso.

Debatiam por horas a fio, com as mãos imersas nas mangas largas dos quimonos, para evitar qualquer gesto de arroubo ou descortesia.

Quero deles herdar a postura neste momento.

Os Deuses dão gargalhadas quando um homem se acredita detentor de verdades absolutas.

A função de um palestrante é soprar as brasas, acender as luzes em tempos nublados.

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O século XX começa com 1 bilhão de habitantes.

Hoje, somos mais de 7 bilhões de humanos sobre o planeta.

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O século XX nasce com um furor de ideias novas em todos os campos do conhecimento, arte, ciência, política.

O século XXI não se apresenta potente para parir uma ideia nova sequer.

Prezados presenciais a este almoço,

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Virando a página:

O processo de globalização conhece três momentos fundamentais:

1) a Pax Romana;

2) o ciclo das navegações ibéricas;

a revolução da informática.

São ciclos desestabilizadores de todas as sedimentações e acomodações humanas.

Um filósofo francês chegou a declarar: “Hoje, o que é não é mais e o que vai ser ainda não é”.

Surge a “geração polegar”: mais digita do que fala.

Estamos vivendo o fim de uma época. As gerações se distanciam cada vez mais.

A “descartabilidade” é cruel. Ao primeiro fio de cabelo branco, muitos já querem encomendar nosso epitáfio.

Mas não sejamos afoitos nem pessimistas. Mísseis viram sucata; passarinhos, árvores e borboletas, não.

Se eu escrever a palavra rosa errada, o computador me corrige, mas não me alcança o perfume da flor.

O que se pode e se deve almejar é que esse deslumbrante acervo de descobertas científicas se ponham a serviço da humanidade, pois somente assim poderemos encaminhar e encontrar soluções para os impasses contemporâneos.

A ciência quando não humaniza, deprecia.

Sua função é libertar e não aprisionar a vida.

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Pensadores contemporâneos nos revelam que a informática deu voz ao individuo. Hoje, um só homem é um exército!

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Quero ter comigo a afirmação de Steve Jobs: “O importante é ter fé nas pessoas, acreditar que são inteligentes e boas e que se lhe dermos ferramentas, farão coisas maravilhosas”.

Guardo esta convicção: “O homem não cria problemas que ele próprio não possa resolver”.

Digamos como Clarice Lispector: “O mundo, a América, o Brasil precisam de pessoas felizes”. 

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Momento 3.

Política. O Brasil.

Companheiros, viajando a origem da palavra, companheiros são os que se alimentam do mesmo pão.

A palavra política, entre nós, traz mais desalento do que esperança.

Quantas vezes levamos para o abatedouro nossas melhores expectativas?

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Somos herdeiros de uma montanha de desacertos e equívocos!

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Bem andou o Padre Antônio Vieira, há quatro séculos, quando declarou que o Brasil “seria cronometrado por três relógios: um adiantado, outro parado, outo atrasado”.

De fato, na linha do tempo, andamos para frente, para trás, para os lados.

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Andamos presos às saias de conceitos prontos, com a alma qual uma galinha presa por uma perna.

*Entre nós, nunca soubemos separar política e     pompa. Palácios de mármore frente às favelas.

*Aqui, sempre, as promessas de hoje são os impostos de amanhã.

  1. Confundimos solidariedade com caridade, quando aquela liberta e esta aprisiona.

Acreditamos em cambiar a história simplesmente mudando os retratos na parede.

  1. Somos pequenas ilhas de modernidade num imenso lago de atraso.
  2. Muito mais apropriado do que nos definirmos como sendo de esquerda ou de direita, conceitos desfigurados ao longo do tempo, será focarmo-nos como arcaicos ou modernos.

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  1. Com os olhos voltados ao presente, sabemos que os Estados cometem suicídio quando as expectativas da sociedade são incompatíveis.
  2. Existe uma crença equivocada de que o povo é a origem de nossas mazelas.

Fico com Machado de Assis: “O país real é bom: mas o país oficial, esse é caricato e burlesco.”

Sempre culpamos o vizinho pela goteira de nossas casas.

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Temos, qual uma tatuagem histórica, uma absurda distribuição dos bens materiais e culturais.

Segundo Raimundo Faoro, em “Os Donos do Poder”, os mesmos estamentos sociais seguiram mandando e desmandando desde os tempos coloniais.

O clientelismo e o patriarcalismo carimbaram nossa história.

Somos o último país a abolir a escravatura. “Nos desfizemos dos escravos”, segundo Rui Barbosa.

Desprezamos a experiência agrícola dos libertos, consolidando, assim, uma medonha desigualdade de oportunidade entre os brasileiros.

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  1. É duro constatar: Até o fim do século XIX, nossa economia pouco se diferenciava da economia americana. De lá para cá, degringolamos.
  2. É preciso saber que o nosso destino é uma opção, uma corrida entre a educação ou a catástrofe.

Estamos no acostamento da história.

  1. Erico Verissimo nos dizia que “enquanto brilharem as estrelas, haverá lugar para a esperança”.

Otimista, Guimarães Rosa nos afirmava que “o mal está apenas guardando lugar para o bem”.  

  1. Vamos utilizar as pedras que estão em nosso caminho para construir uma muralha contra o atraso!

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  1. 15. A verdade é uma beleza que quando se acorda, não dorme mais.

 

  1. E o Brasil está despertando para a sua verdade.

O pior crime que um governante pode cometer é tirar a esperança de um povo.

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  1. Estamos convictos de que conferir aos parlamentares o encargo de apurar as denúncias contra seus pares é entregar as alfaces aos cuidados dos coelhos.

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  1. Façamos uma autocrítica. Quando descobrimos o pré-sal, saímos a gastar adoidados. Pensamos que galinha cantando era gemada na caneca.

O barril de petróleo despenca de US$ 130 para 40 US$ e fomos para o beleléu.

  1. Realizamos pactos ideológicos quando devíamos ter realizados tratados comerciais.

A quem toma o trem errado, de nada adianta correr pelos corredores dos vagões em sentido contrário!

Erramos demais!

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  1. E assim, derrubamos um poder constituído para que assumisse o poder quem nele sempre esteve.

Às vezes, parece que o Brasil marca encontro com a história e não comparece.

Somos 8.536.000km de costas para os nossos problemas.

Nossas elites emitem emendas, mas não se emendam!

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  1. E quem não sabe que o Estado tem um braço longo para cobrar tributos. E um braço curto para prestar serviços.

Se o Estado representou um papel vital e impulsionador dos anos 1930 a 1960, passou a ser uma pedra no meio do caminho.

Acreditamos no Estado regulador e não no Estado- empresa.

O Estado, se mínimo nos faz desprotegidos. Se       grande demais, nos oprime.

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  1. O ano de 2018 nos convoca ao patriotismo.

Caminhamos na neblina rumando às próximas eleições.

“Quem se queimou na sopa, assopra até iogurte”

Temos as passagens nas mãos, mas não sabemos o rumo da nave.

O debate está com água pelas canelas. Fulanizado.

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  1. Meus brasileiros: Amamos o País em seus símbolos ostensivos. A bandeira, o hino, a seleção.

É preciso amar o Brasil em sua luta pela superação, sabendo que hoje, em três, quatro, cinco décadas, países saem do pântano para a prosperidade, se bem geridos.

 

  1. A ilusão do “brasileiro cordato”, de Sérgio Buarque, desaba.

É tanta violência que o Cristo Redentor terá de se agachar ou usar colete à prova de balas.

E nossas estradas provam quão difícil são os caminhos que nos conduzem ao primeiro mundo!

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  1. A viabilidade do Brasil depende de um crescimento de 5% ao ano, e estamos a léguas de distância deste índice de crescimento.
  2. Conciliar economia de mercado com justiça social é a grande meta.

 

  1. Se pensarmos num futuro como mero prolongamento do presente, estaremos nos destinando ao mais absoluto fracasso.

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  1. Se a América é a primavera da história, podemos também dizer que o Brasil é um belo país e que vale a pena lutar por ele.

Momento 4.

O Rio Grande do Sul:

Pois bem, fraternos comparsas,

Chegamos ao Rio Grande. Para tirar o gosto de sal da carne, um naco de goiabada.

Liberdade não se doma/esperança não se encilha./ Galopa livre em meu peito um coração farroupilha!/

O Rio Grande é um país no coração.

Um Estado ao Sul de si mesmo.

Às vezes, parece que a partir do rio Mampituba tudo é exílio.

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Lembro Garibaldi: já em despedida desta vida, quando declarou em entrevista a Alexandre Dumas, que “os gaúchos eram bandoleiros, somente solidários no perigo”.

Estamos a perigo. Sejamos solidários.

 

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Nossa história se ergue sobre três pilares:

As missões, que nos legaram esse imenso amor a terra.

A Revolução Farroupilha, com seu legado de coragem e desprendimento.

O ciclo as imigrações, revelando amor ao trabalho e ao empreendedorismo.

 

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Que nosso culto de amor ao passado não nos sirva de maneia, pois “quem elege o passado como paraíso perdido está proibido de por os pés no futuro”.

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Vamos e venhamos: Um Estado da Federação com mais de 70% de sua arrecadação comprometida com folha de pagamento de seus servidores é um Estado inviável.

O emprenho modernizador do Estado encontra mil entraves, mas não estamos de braços cruzados.

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Contemplando o mapa de nosso país-continente, percebemos que onde existe progresso vislumbra-se a presença dos gaúchos, os verdadeiros bandeirantes do século XX.

******** Um Estado que produz duas toneladas de grãos por habitante, não pode ser um pobre andarilho descalço.

Hoje, percebe-se um ímpeto de superação, mobilizando o Poder Público, empresários e lideranças comunitárias.

O Plano de Desenvolvimento de nossas regiões, liberado pelo SEBRAE, orquestrado pelo incansável Derly Cunha Fialho, coloca setas indicativas de um novo momento para o Rio Grande.

Na região Sul, a matriz cultural do Rio Grande, as videiras, as oliveiras, produzindo vinho e azeite da melhor qualidade.

Também o leite, a carne, o turismo rural, repensados, num projeto de decisões coletivas.

 

Podemos dizer, com orgulho, que no pendão verde-amarelo, o camarim também cintila.

Momento 5.

Meus parceiros,

“O tempo nos faz humildes ou ridículos”. Permito-me, no entanto, duas pequenas vaidades:

A primeira delas, na condição de publicitário, ter criando e desenvolvido a comunicação institucional do Grupo Zaffari.

Uma linguagem afetiva, poética, cultuada ao ponto de hoje falar-se na “Zaffarização” da publicidade brasileira.

Competentes profissionais, Beto Philomena e Alberto Freitas, deram continuidade ao desenvolvimento deste premiado dialeto publicitário.

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Como profissional de comunicação, tenho a convicção de que nem toda informação é conhecimento e nem todo conhecimento é cultura.

E que a publicidade pode estabelecer um bem- sucedido conúbio com a cultura.

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A publicidade integrou minha vida à atuação de grandes empreendedores, e cito o Grupo Zaffari como uma empresa modelar.

 

É uma empresa-líder. E não há lideranças sem uma visão de futuro. E esta é sua vantagem competitiva em uma sociedade mutante.

As grandes ideias têm asas e trem de pouso. Empreender é ter a lanterna da coragem iluminando objetivos claros.

A construção de fidelidade entre seus colaboradores. A consciência de que é necessário devolver à coletividade a preferência conquistada por meio do apoio às artes e carências sociais são postulados de uma grande empresa.

Com o Zaffari, aprendi que sentir é pouco, saber não basta, que é preciso sentir, saber e fazer para que a vida se torne uma experiência vasta!

 

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Momento 6.

 

Pois bem, Aprontando a sobremesa, devo dizer que a segunda pequena vaidade foi ter criado, posto que convocado por Pedro Simon, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, a campanha de democratização do país.

Eu acredito na democracia, mas não nesta da pulverização de partidos, guichês de negócios escusos.

Não nesta, do assalto aos cofres públicos, fragilizando a educação e a saúde de nossa gente.

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Mas não podemos deixar que a esperança vire cinzas. Num segundo, cabe o mundo se for denso e for profundo.

Em um só dia o mundo pode mudar.

Até o dia 14 de julho de 1789, todo poder vinha de Deus e era destinado aos nobres e ao clero.

No dia 15 de julho, o poder tornara-se um legado do Sufrágio Universal!

Grite. Manifeste sua opinião. O que derruba cercas de pedra não são os séculos, são os trovões!

O Brasil somos nós, vamos desatar esses nós, como disse o Barão de Itararé.

E vamos lembrar o Quintana: “Quem tem coragem, acorda no futuro”.

E nos socorrer na Madre Teresa de Calcutá: “Mesmo que nosso empenho seja apenas uma gota no oceano, tenhamos certeza de que sem essa gota o oceano seria menor”.

E finalizar com um texto de William Shakespeare:

“Nossa pátria verte lágrimas e sangue, e a cada dia um novo talho soma-se às feridas já abertas. Penso, além disso, que, haverá mãos erguidas pela defesa de seus direitos”. E sua dignidade, acrescento.

Obrigado!

 

 

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