Fabio Bernardi

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fabio bernardi Diretor Criação Morya

O que significa ser o Empresário do Ano no Salão

Por Fabio Bernardi – Sócio Diretor de Criação da Morya

Fala-se muito que o nosso mercado está mudando e que há uma enorme transformação acontecendo no negócio da propaganda. E é verdade, claro.

Mas acredito, sinceramente, que falar em mudança e transformação não basta para entendermos o momento e, muito menos, as necessidades. E, tampouco, nos preparamos, de fato, para o que está por vir.

Se quisermos enfrentar o que vem pela frente, e por todos os lados, precisamos redefinir, ressignificar e reinventar o que fazemos.

Antes de mais nada, redefinir o que é valor, como deve ser entregue e quanto vale. Todo cliente quer mais rápido, mais barato e com mais qualidade. Legítimo direito, mas expectativa irreal. Porque, das três variáveis, somente duas delas podem ser entregues ao mesmo tempo. O cliente pode até escolher quais serão essas duas, mas deve saber que estará abrindo mão da terceira, deliberadamente. E cabe a nós, donos de negócios em agências e parceiros de produção, deixar isto muito claro. Esta não é apenas uma postura de responsabilidade com a valorização da nossa atividade, é questão de respeito e vergonha na cara. De todos os atores, e não apenas das agências.

Em segundo lugar, precisamos ressignificar o que é ser publicitário, o que é ser uma agência, o que é uma boa produção fotográfica ou audiovisual. Precisamos dar outro sentido para a indústria de marcas e sua construção de valor. A agência vai morrer? Pode até ser. Mas marcas fortes e relevantes são imortais quando constroem vínculo emocional com as pessoas, e esta necessidade vai permanecer para sempre. E anunciantes não são bons para fazerem isso sozinhos, como comprovam todas as grandes marcas do mundo. Inclusive as de tecnologia.

Por fim, para fazermos nosso papel nos novos tempos, precisamos reinventar o modelo de negócio, reinventar a relação com os clientes, reinventar o processo de criação e produção de conteúdo e reinventar as nossas fórmulas para atrair e reter talentos. E só faremos tudo isso se tivermos a capacidade de fazer a mãe de todas as reinvenções: a de nós mesmos, enquanto profissionais e seres humanos.

Se não mudarmos o nosso modelo mental, não mudaremos nada.

É sob este ponto de vista que encaro o prêmio que recebi do mercado no último Salão da Propaganda da ARP. Com a alegria, o orgulho e a honra de ter sido lembrado e escolhido pelos meus colegas, mas com a responsabilidade de usar cada espaço e cada linha para produzir uma rebelião mental coletiva, capaz de nos unir em torno das questões que precisamos encarar, enfrentar e vencer. Agora ou agora.

 

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