MUNDO SIMPLES, COMUM E HUMILDE

0
188

SIMPLES E HUMILDE….

Fui criado com princípios morais comuns.

Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era de que os  “lanterninhas” dos cinemas   nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando uma determinada   música era tocada  no início dos filmes, nas matinês de domingo.

Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas.

Dignas de respeito e consideração.

Quanto mais próximos, e/ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, aos mais idosos e autoridades.

Confiávamos nos adultos, porque todos eram pais/mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade.

Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.

Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos. Matar os pais, os avós, violentar crianças, sequestrar jovens, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias, esquecidas após o primeiro intervalo comercial de um tele jornal.

Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas.

Policiais em blitz   são abuso de autoridade.

Regalias em presídios são matéria votada em reuniões.

Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos

Não levar vantagem é ser otário.

Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.

O que aconteceu conosco?

Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas portas e janelas. Crianças morrendo de fome, gente com fome de morte.

Que valores são esses?

Carros que valem mais que abraço, filhos querendo – os como brindes por passar de ano.

TV, DVD, telefone, vídeo game, o que vai querer em troca desse abraço, meu filho?

Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo.

Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais valem dois vinténs do que um gosto.

Que lares são esses?

Bom dia, boa noite, até mais. Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente e o presente uma droga.

O que é aquilo? Uma árvore, uma galinha, uma estrela.

Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?

Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho?  Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado sem sentir medo?

Quando foi que fechei a janela do meu carro? Quando foi que me fechei?

Quero de volta a minha dignidade, a minha paz e o lugar onde o bem e o mal

São contrários, onde o mocinho luta com o bandido e o único medo é de quem infringe, de quem rouba e mata. Quero de volta a lei e a ordem.

Quero liberdade com segurança. Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores.

Quero sentar na calçada, e minha porta aberta nas noites de verão.

Quero a honestidade como motivo de orgulho.

Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.

Quero a vergonha, a solidariedade e a certeza do futuro.

Quero a esperança, a alegria.

Eu quero ser gente e não peça de um jogo manipulado por TV a cabo ou Netflix.

Eu quero a notícia boa, a descoberta da vacina, a plantação de arroz.

Eu quero ver os colonos na terra, as crianças no colégio, os jovens divertindo- se, os velhinhos contando histórias.

Eu quero um emprego decente, um salário condizente, uma oportunidade a mais.

Uma casa para todos, comida na mesa, saúde a mil.

Quero livros e cachorros e sapatos e água limpa.

Não quero a tecnologia má e fake.

Não quero listas de animais em extinção.

Não quero clone de gente, quero cópia das letras de música.

Eu quero voltar a ser feliz!

Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais.

Quero mandar calar a boca de quem diz “a nível de “, “neste país”,

“enquanto pessoa”, “ eles tem que”, “ é preciso que “.

Quero xingar quem joga lixo na rua, quem fura a fila, quem rouba um lápis,

Quem ultrapassa a faixa, quem não usa cinto, quem engana os outros, quem não dignifica meu voto.

Quero rir de quem acha que precisa de carro zero e quem sabe até um “importadinho”,

laptop, bolsa XYZ, calça ZYX para se sentir  inserido no contexto ou ser normal.

Abaixo a ditadura de “ tem que”, as receitas de bolo para viver  melhor, as técnicas para pensar, falar, sentir!

Abaixo o especialista, o sabe- tudo rodeado de microfones e câmeras!

Abaixo o “TER”, viva o “SER”!

E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva

Limpa

Como um céu azul, leve como a brisa da manhã!

E definitivamente comum, como eu.

MUNDO SIMPLES, COMUM E HUMILDE. QUERO!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here