Paulo Ratinecas

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O Destaque dessa semana é um cara que sempre se preocupou com a pesquisa, com a marca e com o marketing. É um criador exemplar e vitorioso de vários cases que tiveram alcance no mercado gaúcho e brasileiro. Sua excelência no conhecimento é reconhecida por todos, Paulo Ratinecas é um mestre. E antes que esqueçamos, FELIZ ANIVERSSÁRIO!

 

Paulo Ratinecas, mais conhecido como Rati, nasceu em Porto Alegre em janeiro de 1957. Nesses mais de 60 anos, as experiências e vivências foram múltiplas. Curioso e apaixonado pelo que faz, assim como pelos amigos, sejam esses amigos históricos, novos ou pelos íntimos desconhecidos (como chama aqueles com quem teve muito relacionamento no passado, vivenciando momentos, mas conhecendo apenas uma parte de suas vidas ou suas verdades atuais.

 

Desde criança, é particularmente curioso. O Bomfim e Capão da Canoa foram cenários desde sempre.  Contudo, o mundo passou a ser a sua estrada. Já na faculdade, cursando Administração na UFRGS, onde também estudou Comunicação Social e Jornalismo, militava nos movimentos estudantis e pesquisava tendências. Sua primeira grande experiência profissional iniciou aos 18 anos, como corretor de seguros, o que permitiu viver com o seu próprio dinheiro e investir em um sonho futuro: viajar. Em paralelo fazia estágios profissionais na FIERGS e COOJORNAL, nos anos 70. Mesmo estudando pelas manhãs e noites, trabalhava pela tarde e ainda arrumava tempo para fazer uma das coisas que mais gostava e mais relações lhe proporcionava: jogar futebol.

 

Um mês após se formar, obteve uma bolsa de estudos para Israel, para estudar Cooperativismo e Comportamento Organizacional. Iniciava então algo fantástico. Durante quase dois anos estudou e morou em kibutz, o que possibilitou encontrar gentes de todo planeta. Com isso iniciou uma viagem por mais de 15 países no Oriente Médio, Ásia e Europa, visitando os seus amigos e os íntimos desconhecidos com quem conviveu nos kibutzim em Israel ou na sua trilha de viagem. Foram vivências construídas desde as ilhas gregas, passando pelas colheitas na Suíça, romances na França e Holanda e, tendo durante cinco intensos meses, uma busca por conhecimentos e aventuras na Índia e Nepal. Ao total foram quase três anos de estrada.

 

No retorno, uma rápida passagem pela Fecotrigo e o início de uma nova jornada, uma guinada profissional, juntando os ensinamentos da Administração e Comunicação.  Entrou na RBS no primeiro grupo de trainees da empresa, em fevereiro de 1983. Desde a entrevista inicial até a derradeira, com o futuro contratante, o Zé Maurício, diretor comercial da RBS TV. Na sala de espera, o Rati de cabelos compridos, bolsa de couro no ombro, jeitão de recém-chegado do mundo, ao lado de vários outros jovens, todos de terno escuro, gravata e jeitão igual. O Zé perguntou: Por que queres trabalhar na RBS? E ouviu: “É uma escola para aprender muito, mas ao mesmo tempo faz tanta bobagem que deve ter um bom espaço para quem é criativo, que tenha os pés na terra e a cabeça no mundo”. Foi contratado na hora.

 

RBS – fase 1 – de trainnee da TV a gestor de marketing da mídia impressa

Foram 15 anos no Grupo RBS, trabalhando diretamente com grandes personagens da comunicação regional e brasileira, tais como: José Maurício, Walmor Bergesh, Madruga Duarte, Marcos Dvoskin, Sergio Rego Monteiro, Claro Gilberto, Esperidião Curi, Fernando Miranda, Breno Grussner, Heitor Kramer, entre tantos outros. Muitos cursos, entre eles realizou o primeiro pós-graduação em Marketing ministrado pela UFRGS e uma MBA em Gestão, na Fundação Dom Cabral. Atuou em várias áreas e empresas do grupo, mas as suas maiores obras foram na Zero Hora. Foi o primeiro gerente de marketing e, talvez, o mais jovem, na época tinha 24 anos, em um veículo de comunicação no Brasil e na construção da rede de jornais, atuando como membro da equipe de planejamento. Na sua gestão é que veio dos Estados Unidos (depois de viagens de treinamento em Nova Iorque e Boston) a ideia de implementar, de forma inédita no Brasil, suplementos e revistas em jornal. Além de novidades para os classificados e a promoção de eventos segmentados a cada público.

Nessa época (1985), se apaixonou e logo depois casou com uma colega de trabalho, a Angela Araújo Santos, que era gerente executiva de comunicação corporativa da RBS. Já são quase 32 anos juntos.

 

Ano sabático na Europa e Estados Unidos

A Angela, de tanto ouvir as histórias de viagem, queria construir uma longa viagem juntos. O planejamento foi feito e em 1988 o casal partiu para um ano de vivências na Europa e Estados Unidos.  A RBS deu um importante apoio para conseguir estágios e contatos. Foram experiências singulares, tanto profissionais como de vida. Na Espanha, foram três meses, com estágio em planejamento na Bassat Ogilvy and Mather e consultoria para o Grupo Zeta/jornal El Periódico, ambos em Barcelona. Depois, curso de inglês em Oxford, na Inglaterra (morando com amigos que estavam fazendo doutorado). Lá trabalharam como faxineiros de um museu – nem tudo é fácil para sobreviver, a vida não é feita só de glamour. Viajaram muito por Israel e pela Europa. Nos últimos três meses, foram para Nova Iorque como representantes da RBS na coleta de informações mercadológicas junto a agências, entidades, jornais, revistas e televisões. Sem internet naqueles tempos, tudo era por telex e malote da Varig.

No Natal de 1988, se encontraram com diretores da RBS nos Estados Unidos e logo depois veio o convite para trocarem de ilha, de Manhattan para Florianópolis.

 

RBS – fase 2 – de Santa Catarina para o mundo

Depois de um ano de trabalho em Santa Catarina e do nascimento do Ian, hoje com 27 anos, voltaram para a RBS em Porto Alegre. Esse foi o início de uma etapa estratégica. Primeiro na estruturação da RBS Multimídia, depois de uma nova concepção mercadológica, que buscava ampliar a captação de verbas nacionais em projetos especiais e ainda, após, na área de marketing corporativo. Como gestor de marketing corporativo da RBS, implementou a pesquisa de satisfação com clientes (no final de 80) e projetos especiais multimídia que marcaram época e trouxeram muita verba nova para o mercado gaúcho e catarinense, passando mais tempo nos mercados nacionais do que em Porto Alegre. Projetos como Eleja Porto Alegre, para o Banco Itaú (onde o Laçador foi eleito o símbolo de Porto Alegre), o Prêmio Talentos Empreendedores, com Sebrae e Gerdau, o Salve o Dilúvio, com Unibanco, Resgatando Sacramento, com Banco Real, Descobrindo Mendoza, com o governo de Mendoza/Argentina. Todos projetos com inovações em sua operação e nos recursos multimídia utilizados, inclusive com dramaturgia.

 

Em uma nova fase, passou a atuar na estratégia de crescimento da RBS. Participou de importantes grupos de trabalho, como responsável pelo núcleo mercadológico: entrada na área de telecomunicações, desenvolvimento de novos canais de televisão – TVCOM, Canal Rural, projetos para a NET- que demandaram várias viagens internacionais e participação em feiras de comercialização de programação e conteúdo, pesquisa sobre novos formatos de comunicação (surgimento da internet – participou da criação do portal e provedor ZAZ) e formatação da promomídia – início do processo de associação da RBS a eventos mais sofisticados e novos formatos de comercialização. Foi também o criador e gestor do Projeto Propaganda S.A., que mobilizou o setor de comunicação nos anos 90.

Nesta época, iniciou sua atuação como professor de marketing na PUC e FACCAT. Foram mais de 12 anos de atuação como professor acadêmico, formando mais de mil profissionais para o mercado de trabalho.

 

MaxiMarket Gestão do Reconhecimento

Em 1998, passou a se dedicar exclusivamente à MaxiMarket, empresa que sua esposa já tocava desde sua saída da RBS, em 1991. Iniciou-se um ciclo de empreendedorismo e de conquista de mercado. O primeiro passo foi posicionar a empresa como prestadora de serviços em Gestão do Reconhecimento, um conceito novo e que permaneceu sem concorrentes por muito tempo. Hoje, falar em reconhecimento, reputação, imagem e identidade já é normal; no final dos 90 era uma grande novidade. Passou a assessorar empresas e entidades, principalmente nas áreas de saúde, telecomunicações, educação, construção civil e tecnologia, atendendo a mais de 150 empresas brasileiras e portuguesas. Foi o primeiro brasileiro associado na Medical Marketing Association, sendo um dos pioneiros em marketing no setor da saúde no País.

 

Passou a ter expressiva liderança no mercado nacional de produção de cases histories, tendo conquistado para os seus clientes nacionais e internacionais mais de 280 premiações de cases nas áreas de marketing, recursos humanos, TIC e responsabilidade social no Brasil e exterior. Entre elas 12 medalhas conquistadas no New York Festivals/AME Advertising and Marketing Effectiveness e 87 no TOP de Marketing da ADVB/RS. Também comemora mais de 50 trabalhos publicados na Case Studies – Revista Brasileira de Management, editada pela FGV do Rio de Janeiro.

 

Para se reciclar e atualizar-se de forma mais intensa, realizou um mestrado em gestão empresarial na FGV EBAPE no Rio de Janeiro, tendo como dissertação o foco em avaliações qualitativas de resultado empresarial, tendo a gestão do reconhecimento como protagonista.

Entre os trabalhos de reconhecimento se destacam: Claro Digital, VIVO, Gerdau, Habitasul/case Jurerê Internacional, Grupo RBS, AES Eletropaulo, Boticário, Sinduscon RS, SINEPE RS, ASBEAS RS e Brasil, Santander, entre tantos outros.

Proporcionou importantes diferenciais para seus clientes. A ideia de cobrir a Feira do Livro de Porto Alegre foi uma bela sacada e alterou a dimensão desse importante evento.

Aprimorar e desenvolver premiações de entidades passou a ser um serviço importante.  O Sinduscon Premium e os Prêmios SINEPE foram transformados e fortalecidos, sendo reconhecidos nacionalmente. Como coordenador técnico dessas premiações, alterou seus patamares, introduzindo novidades no RS, tal como inserção virtual dos cases e audiências públicas para defesa dos finalistas.

 

Família, amigos, viagens, vinhos e gastronomia

Junto com a Angela e o Ian (formado em Administração) curte muito assistir a seriados, ler, ouvir música, caminhar, viajar (já esteve em mais de 30 países), promover encontros com os amigos para saborear bons vinhos e boa gastronomia. É um gremista atuante. Como foi um bom jogador de futebol, gosta desse esporte, mas se aposentou no “auge da carreira”. Depois praticou o padel, mas há dois anos teve que fazer uma cirurgia no joelho, o que lhe impossibilita praticar esportes de alto impacto. Agora está nas piscinas e nas academias.

Como gosta de planejar, sendo muito crítico e angustiado, apaixonado pelo que faz, ele se dedica a buscar e superar desafios a todo dia. Para fazer uma vida com sentido e sentimento para os seus afetos, para os íntimos desconhecidos e para a sociedade.

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