Ricardo Bottega

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Por Ricardo Bottega, diretor criativo da CDN Sul

A MORTE DA PUBLICIDADE E PROPAGANDA, DAS AGÊNCIAS E DA FORMA DE REMUNERAÇÃO

Em tempos de discussão de modelos de agências e formas de remuneração, me deparei com um antigo texto do Washington Olivetto. Aliás, o título original do artigo é “ A morte da publicidade e propaganda como a conhecemos”.

 

Especificamente sobre remuneração muitas agências vendiam separadamente seus serviços sem entender de fato qual era a marca e sua estrutura. Já o profissional, era popularmente conhecido pela criatividade, pela técnica, pelo desenho e por suas habilidades em programas gráficos. Uma campanha com celebridades e identidade visual de acordo com as mais inovadoras tendências do design era encarado como um trabalho eficaz e digno de prêmios pelo cliente.

 

Miles Young, CEO global da Ogilvy, uma das maiores agências do mundo, afirmou que a Ogilvy deixará de ser uma agência e se tornará uma Publisher, ou seja, as campanhas deixarão de ser prioridade e darão espaço para a produção de conteúdo relevante. O perfil do profissional será semelhante ao de um jornalista. O conteúdo vai ser a base do trabalho.

E o que dizer de empresas como a Droga5 e RG/A que diariamente interferem diretamente no desenvolvimento de produtos e serviços para os seus clientes? O nome, ou sobrenome de agência parece ser uma alcunha proibida para alguns que sequer querem ser chamados assim.

 

Todas estas mudanças fizeram com que a comunicação deixasse de ser um investimento isolado e passasse a fazer parte da estrutura do branding, interligada ao plano de negócios e estrutura de marca. O plano de comunicação precisa estar conectado aos princípios e essência da marca e alinhados ao tom de voz e diretrizes estratégicas, focado na geração de conteúdo relevante e que faça sentido para o público. E agora, como cobrar isto do cliente?

 

Kotler preconiza que os novos profissionais de propaganda e marketing terão que dominar conhecimentos antropológicos, sociológicos e filosóficos para conseguirem sobreviver no mercado. Ou seja, o conteúdo cada vez mais tem que ser relevante, analítico, não apelativo, integrado aos valores da marca e alinhados com aspectos sociológicos.

 

E será que não corremos o risco da propaganda ficar chata, engessada e recheada de clichês?

Nos últimos tempos me deparei com comerciais com ideias muito semelhantes. Na virada do ano, duas grandes empresas, uma regional e outra nacional divulgaram o ano novo como dois mil e dezoito anos e pelo menos outras três marcas poderosas utilizaram a mesma trilha (?) “Heroes” do lendário David Bowie para vender seus produtos.

 

Que não aconteça também a morte das ideias, pois sem elas ninguém sobreviverá.

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