OS LIMITES DA EMPATIA

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De acordo com uma pesquisa publicada no início do ano pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, existem dois jeitos de manifestar empatia. O primeiro é se colocar no lugar de outra pessoa e assumir os sentimentos dela como seus. O segundo é reconhecer os sentimentos deste indivíduo e tentar entender a perspectiva dele.

Para chegar a essa conclusão, os professores recrutaram 212 voluntários para redigir uma carta com conselhos para alguém que estava em dificuldades financeiras. O detalhe é que essa pessoa, na verdade era um personagem fictício inventado pelos pesquisadores. Mas, ninguém sabia disso. Metade do grupo foi orientada a escrever o texto com distanciamento, pensando apenas sobre a perspectiva do personagem. A outra parte deveria redigir imaginando como se sentiria se estivesse passando pela mesma situação. Quando mediram a frequência cardíaca e a pressão arterial dos participantes, a surpresa, no segundo grupo, esses índices estavam mais elevados do que no primeiro. A conclusão foi que a empatia, se não utilizada de forma correta, pode levar a um quadro de estresse crônico no longo prazo.

Muitos estudos de neurociência apontam que maior parte das pessoas toma as próprias emoções como referência para demonstrar solidariedade. Ou seja, nossa tendência é nos colocar no lugar do outro caso já tenhamos experimentado uma situação parecida em algum momento da vida.

As mulheres costumam ser mais propensas a desenvolver uma empatia prejudicial. Isso porque, socialmente, são incentivadas a realizar atividades que envolvam o cuidado com terceiros. Como a mulher tem esse comportamento estimulado, costuma acreditar que tem de dar conta de tudo sozinha, inclusive trazendo para si questões de outras pessoas, o que gera um estresse que pode desencadear quadro de esgotamento.

No ambiente profissional, pessoas que não conseguem adotar a medida correta da empatia também podem ficar sobrecarregadas, porque tendem a trazer para si a missão de resolver os problemas dos outros. E o pior é que isso ainda pode ser mal interpretado.  A empatia é confundida com intrometimento. Quando as pessoas estão num momento difícil, querem alguém que as ouça, mas que as deixe descobrir sozinhas o próprio caminho.

Além disso, no mundo dos negócios é preciso fazer o balanço entre a perspectiva externa e as necessidades da empresa. Só assim é possível tomar decisões racionais e não cair no perigo de justificar uma escolha ruim apenas por pena de alguém da equipe – postura que, aliás, pode ser vista como diferenciação no tratamento aos funcionários. No trabalho é preciso ser equânime, olhar para todos da mesma maneira. Na liderança, a empatia deve ser usada como um recurso para ajudá-lo a conquistar uma visão sistêmica. Para isso, primeiro você tem de entender a si mesmo. Depois, compreender o outro. E, no final, buscar uma visão de fora, de alguém não envolvido com a situação, para criar um contexto geral e fazer julgamentos mais equilibrados.

O importante é adotar um caminho do meio para usar a empatia de forma saudável. É preciso ampliar a consciência de nós mesmos, de nossos traumas e conflitos para não cair em modelos de comportamento que nos prejudiquem. Ou seja, a chave é não apontar para nós mesmos as armas que poderiam ser usadas a favor dos demais.

Muitos dos que pensam que empatia é uma ferramenta de vida podem e devem refletir de como devem praticá-la.

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