Conceito de felicidade

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Tanta gente já se dispôs a definir felicidade que, provavelmente, só o amor teve mais debatedores entusiasmados. Curiosamente, as melhores definições partiram de pessoas circunstancialmente infelizes, a mostrar que, neste aspecto, ela se equipara aos outros sentimentos, usualmente valorizados pela ausência.

 

A julgar pela constância da felicidade na infância, se pode afirmar que a interatividade social não contribui para que aprendamos a desfrutar da vida com a intensidade recomendada nos manuais de autoajuda disponibilizados num mercado efervescente, composto por curiosos instrutores que incluem empresários bem-sucedidos, escritores frustrados e motivadores que ensinam como conquistar amigos e influenciar pessoas, e depois, com a receita pronta e aprovada, se suicidaram.

 

Convencidos de que não podemos seguir como crianças indefinidamente, começamos a piorar, e alguns não param mais. A blindagem do egocentrismo tende a nos tornar menos suscetíveis às expressões prosaicas da inocência. Esta inocência que vai sendo dilapidada pela inevitável hipocrisia do convívio social, que nos força a reprimir o que sentimos, em prol do ritual falacioso do politicamente correto. Quando percebemos, de tão simpáticos, perdemos o encanto. E nos tornamos caricaturas inexpressivas do que poderíamos ter sido.

 

Outras vezes, gastamos a vida no obstinado esforço de enriquecer, atribuindo toda a desventura à falta do dinheiro, mesmo coma advertência um tanto hipócrita de que dinheiro não traz felicidade. A propósito, tem amigo que concorda que essa afirmativa é verdadeira, mas adverte que o problema é que as coisas que trazem estão cada vez mais caras!

Sabemos todos que, independente do que façamos ou acreditemos, só temos dois caminhos para a felicidade: o amor e o trabalho. Provavelmente, o maior desafio para a felicidade é o quanto essas duas trilhas se cruzam, interagem, se somam, se apoiam, ou, desgraçadamente, tantas vezes, se opõem ou se anulam.

 

Os simplificadores costumam atribuir aos baixos salários todo o problema do desempenho medíocre, mas é um equívoco ignorar que não há estímulo econômico que coloque encanto no que se faça sem prazer. O mau humor de alguns profissionais bem remunerados e a comovente entrega efetiva de operários que mal ganham para a sobrevivência é a prova de que nos alimentamos também de uma energia maior, que nos impulsiona e gratifica. E, que, sem ela, nos transformamos em meros colecionadores de ressentimentos. Sendo assim, um ingrediente indispensável para nosso crescimento é a valorização profissional, como bem sabem os melhores gestores, que há muito, descobriram a diferença que faz trabalhar com pessoas que se sintam importantes e reconhecidas. A falta desse estímulo haverá de explicar, pelo menos em parte, a diferença de entusiasmo entre trabalhadores privados e públicos.

 

Na construção de um modelo básico de felicidade, não pode faltar a âncora familiar que garanta a reciprocidade de afeto e a certeza de um porto seguro para proteger-nos das tempestades que não podemos evitar, e tantas vezes nos encontram distraídos.

Cada um tem seu conceito de felicidade, mas poucos têm orgulho de dizer que são felizes de verdade.

Podemos dizer que muitos pensam que felicidade é um sentimento passageiro ou que ninguém é completamente feliz. O que vocês acham?

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