O PODER DA ESCOLHA

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Sim, graças a Deus, temos o direito inato de poder escolher.  O que é maravilhoso! Temos também a obrigação intransferível de assumir as consequências de nossas escochas; o que nem sempre é uma coisa tão confortável assim, certo? Afinal não temos bola de cristal para prever o futuro e adivinhar que aquela pessoa tão simpática, que nos encantou com suas habilidades e jeitinho fofo, vai transformar–se no nosso pior pesadelo.

Foi – se o tempo em que palavra dada era compromisso assumido, quando valia o aperto de mão e honrava- se o fio de bigode. Vivemos tempos estranhos de mundo e relacionamentos líquidos. É difícil acostumar- se com isso, mas, ou aprendemos rapidamente e sofremos menos, ou levamos porrada até entender que, sim, o mundo mudou e caráter hoje em dia também é liquido.

Não é à toa que politicamente somos tão enganados. Que emocionalmente somos tão traídos. Que profissionalmente somos tão descartáveis. É difícil para quem não tem uma linha de raciocínio oportunista, ingrata e gananciosa, perceber as armadilhas a que a própria liberdade de escolha pode conduzir-nos.

Não podemos mais dar-nos ao luxo de confiar em nada nem em ninguém. Então, como vamos fazer para votar? Quem me garante que aquele candidato não está a serviço de algum grupo com escusos interesses econômicos.

 

Será preciso fazer testes psicológicos? Pesquisar profundamente a vida pessoal? Buscar conhecer segredos de alcova? Vasculhar gavetas? Invadir e-mails? “Stalkear” as redes sociais? Não dá mais pra confiar na intuição?

 

Viver é um risco continuo, e o poder da escolha não é uma opção. Escolher é a regra, inclusive, quando escolhermos não escolher na verdade, na verdade, escolhemos sim. Escolhemos que outra pessoa decida por nós, e pagar o preço pela escolha errada dos outros em nossas vidas, sem dúvida, é a pior das decepções.

Nestes tempos em que lidamos no dia a dia com este tipo de caráter líquido, é preciso ter malícia e um pé atrás em muitas situações. Mas, sem dúvida, o mais complicado mesmo é ir além, desta conclusão e assumir que, sim, a responsabilidade é sempre da gente mesmo. A falta de sensatez e de caráter pode até ser do outro, mas a responsabilidade por permitir que abusem da minha boa vontade, ahhh, é difícil admitir, mas ela é sempre minha. Tudo o que acontece em nossas vidas é nossa culpa. Quem permitimos que entre e participe, ajude ou esculhambe, é nossa responsabilidade. É nossa escolha deixar que fique ou exigir que se vá.

O livre-arbítrio é maravilhoso, porém tem um preço: ou como diziam os antigos: plantar é uma opção, mas a colheita é inevitável. E quem planta pepinos não colhe morangos.

Bora lá plantar moranguinhos, gente ?!

 

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