Analisa de Medeiros Brum

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O destaque dessa semana é de uma mulher empreendedora que percorreu vários caminhos, como secretária, como atendimento e aos poucos foi descobrindo sua vocação ingressando na área de endomarketing.

Com sua empresa Happy House, primeiro com sócios do mercado para poder enfrentar os riscos de se ter uma empresa e hoje com sua direção plena é uma vencedora e se tornou uma das maiores do Brasil, com reconhecimento no mundo pelo trabalho de endomarketing que fazem para os maiores clientes nacionais e multinacionais. Apresentamos abaixo com muito orgulho Analisa de Medeiros Brum.

COMO O ENDOMARKETING MUDOU A MINHA VIDA

Desde menina, sempre soube que trabalharia com Comunicação. Mas, a princípio, queria ser jornalista, pois acreditava que escrevia bem.

Cheguei a Porto Alegre aos 13 anos de idade, vinda do interior. No edifício em que eu morava, havia um menino que cursava Publicidade e Propaganda. Um dia, ele me falou de uma profissão nova que estava em ascensão: Relações Públicas. Argumentei que queria ser jornalista e ele me respondeu que, no jornalismo, não se ganhava muito. Foi quando desisti e optei por Relações Públicas, mesmo sem saber direito do que se tratava.

Isso aconteceu quando eu tinha 15 anos de idade e trabalhava como datilógrafa num órgão chamado CEAG/IDERGS, instituição que, depois, deu origem ao SEBRAE.

Passei no vestibular logo em seguida, aos 16 anos, e me formei aos 20, em 1983.

Até os 37 anos de idade, fui empregada, tendo passado pelas funções de datilógrafa e secretária (júnior, sênior e executiva) para, quando já estava no segundo ano da faculdade, começar a atuar na área de comunicação.

Entrar para a área de comunicação foi fácil, pois sempre trabalhei em instituições como ADVB/RS, ESPM, FIERGS, SENAI/RS e outras que realizavam eventos e tinham uma série de demandas nessa área. Na ADVB/RS, por exemplo, fiquei nove anos atuando em todas as frentes. No SENAI/RS, dirigi a Assessoria de Comunicação Social e Marketing por muitos anos. Cheguei a trabalhar, também, para a FARSUL e o SENAR/RS. Foram anos trabalhando em entidades de classe.

Entretanto, foi no SENAI/RS que descobri a importância do Endomarketing, o que aconteceu no início dos anos ‘90, quando quase ninguém falava sobre isso. Nessa época, recebi três prêmios nacionais com um trabalho de Comunicação Interna que fiz para o SENAI/RS: Opinião Pública em SP, Ideias em Relações Públicas no Rio e Top de Marketing em Porto Alegre.

Quando fui receber o prêmio Opinião Pública em SP, tive que fazer a minha primeira palestra. A partir daí, não parei mais. Comecei a ser convidada para contar o case de Comunicação Interna do SENAI/RS nos mais diversos lugares. Foi quando percebi que estava diante de algo que poderia ser o meu futuro.

Sempre defendi a ideia de que as faculdades deveriam ter uma disciplina de posicionamento profissional, pois assim como uma empresa ou um produto precisam se posicionar no mercado, um profissional também pode decidir como deseja ser percebido e qual posição quer ocupar.

Na metade da década de ‘90, deixei o SENAI/RS para trabalhar no núcleo institucional da agência Escala, como responsável pela área de projetos.

Paralelamente, decidi que queria ser uma profissional conhecida e reconhecida na área de Endomarketing. Isso me fez continuar estudando e construindo conhecimento sobre o assunto, ao mesmo tempo que trabalhava na Escala.

Depois de ter decidido qual seria o meu posicionamento profissional, ou seja, como eu queria ser percebida pelo mercado, não houve um único dia da minha vida em que eu não tenha pensado nisso ou trabalhado para isso.

Em 1994, escrevi meu primeiro livro sobre Endomarketing e o lancei pela Editora Tchê. Ninguém havia escrito sobre esse tema no Brasil, o que fez com que esse livro surgisse como uma grande novidade, passando a ser usado, inclusive, nas Universidades. Com isso, os convites para palestras aumentaram.

A partir desse momento, para ser sempre uma referência em Endomarketing, me impus o desafio de escrever um livro sobre esse assunto a cada três anos, o que venho fazendo até aqui.

Hoje, tenho oito livros publicados. Os três últimos, inclusive, já chegaram ao mercado com milhares de exemplares vendidos, em função de empresas que fazem compras antecipadas para entregarem aos seus líderes.

No ano 2000, momento em que estava lançando meu terceiro livro, deixei a Escala para criar aquela que seria a primeira empresa focada em Endomarketing do país, com o formato de uma agência de propaganda.

Mas essa ideia não foi minha, e sim do publicitário Alexandre Skowronsky. Foi ele quem me procurou com a proposta de criarmos, juntos, uma empresa focada em Endomarketing. O visionário foi ele, não eu.

A mim, coube concretizar o projeto de uma empresa com formato de agência de propaganda. O meu pensamento foi unir a teoria, as técnicas e as estratégias que coloquei nos meus livros àquilo que aprendi na época em que trabalhei na Escala. Por isso a ideia de ser uma empresa com estrutura de agência de propaganda. Assim, a empresa já nasceria posicionada.

A HappyHouse foi fundada em setembro de 2000 com apenas seis pessoas: uma atendimento, um redator, um diretor de arte, uma telefonista, uma faxineira e eu.

A primeira empresa a assinar contrato conosco foi a Renner (que está conosco até hoje) e, logo depois, o Grupo IESC (Iguatemi Empresa de Shopping Centers), a Claro e a Eletronorte (empresa que distribui energia para toda a Amazônia legal). Nos primeiros meses, já estávamos atendendo clientes em nível nacional.

Dois anos depois, em 2002, conquistamos a conta das duas maiores empresas brasileiras: a Vale, privada, e a Petrobras, pública. Nessa época, já éramos uma equipe de mais de 20 pessoas atendendo a Vale em 14 estados brasileiros, um desafio que jamais havíamos imaginado.

Crescemos 20% ao ano e surfamos em mar azul até a crise de 2008/2009, momento em que os clientes pediram para reduzir a nossa remuneração, com o que concordamos para não perdê-los. Na época, tivemos que nos reinventar e, principalmente, buscar clientes de outros segmentos, pois estávamos muito focados nos setores metal/mecânico e de mineração, os que mais sofreram na época.

De 2010 para cá, continuamos crescendo, mas numa progressão bem menor e tendo que nos adaptar a um mercado que, nos últimos oito anos, passou por muitas mudanças.

Penso que, ao longo desses 18 anos, o nosso grande mérito foi ter conseguido acompanhar a evolução do mercado corporativo, gerando demandas e, principalmente, agregando novos serviços ao nosso negócio, como design, ambientação, banco de imagens, produtos digitais e outros.

Recentemente, investimos numa startup de tecnologia para Comunicação Interna e, assim, continuaremos nos atualizando para nos manter como a primeira, a maior e a melhor agência de endomarketing do país.

Hoje, somos uma equipe de mais de 70 pessoas que atende cerca de 30 clientes, entre eles: Avon, Amanco, Cielo, GOL, Burger King, Votorantim Siderurgia, Lear Corporation, 3M, Embraer, Renner, International Paper, Novelis, Grupo JBS, Grupo Neoenergia (companhias de energia do Nordeste e Elektro), Grupo Mexichem, ArcelorMittal, Braskem e outras.

Em 2007, quando a Vale mudou de marca, nosso trabalho chegou a 35 países. Foi um momento em que criamos materiais em japonês, chinês, norueguês e muitos outros idiomas, tudo produzido em gráficas e produtoras do RS.

Já há algum tempo, atendemos unidades dos nossos clientes no Chile, na Argentina, na Colômbia, nos EUA e em outros países. Entretanto, recentemente, nos surpreendemos com a conquista do nosso primeiro cliente na Europa, a OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal.

A verdade é que nunca me vi como empreendedora. Foi o Alexandre Skowronsky que despertou isso em mim.

O Alexandre e eu fomos sócios por dez anos. Sem tempo para se dedicar a duas agências ao mesmo tempo, ele me vendeu a sua parte e eu transformei os primeiros Colaboradores da HappyHouse em sócios. Hoje, somos quatro sócios na linha de frente: eu, a Cristiane Mallmann, o Carlos Eduardo Palhares André e o Rinaldo Medeiros.

Costumo dizer que a HappyHouse é uma empresa que nasceu de uma folha de papel em branco, mas que mudou a minha vida e a de muitas outras pessoas.

Sempre fui uma pessoa meio inconsequente. Minha inconsequência me faz olhar apenas para a frente. Costumo dizer que não possuo espelho retrovisor. Coloco isso para justificar o fato de, nesses 18 anos, jamais ter pensado em desistir. Ao contrário, estou sempre pensando no que posso fazer a mais, no conhecimento que ainda preciso construir, no quanto quero melhorar como gestora, nos investimentos que precisamos fazer para que a HappyHouse continue crescendo e contribuindo com as grandes empresas brasileiras.

Hoje, minha vida é dirigir a agência, participar de trabalhos de planejamento, visitar clientes, fazer palestras e treinar as lideranças dos nossos clientes.

Viajo dois ou três dias por semana, pois apenas quatro dos nossos clientes estão no RS. Para cumprir com a minha agenda, chego a pegar 90 voos por ano. Aos 54 anos de idade, o esforço físico pesa. Por vezes, penso que está na hora de parar, embora não me imagine longe da Happy, nem desse tema pelo qual sou tão apaixonada.

Meu sentimento em relação ao Endomarketing é de pura gratidão. Essa disciplina com a qual muitos ainda têm preconceito, considerando-a o “primo pobre do marketing” ou um “modismo”, me permitiu:

trabalhar com algo que eu amo;

construir a empresa na qual sempre desejei trabalhar e da qual me orgulho;

dirigir uma equipe competente e engajada;

conhecer grandes empresas e aprender com elas;

jamais parar de estudar e de construir conhecimento;

e deixar um legado para o futuro.

Meu sentimento só pode ser de gratidão. Muita gratidão.

Analisa de Medeiros Brum

Diretora-Presidente da HappyHouse Inteligência em Endomarketing

 

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