MARCELO PIRES

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Semteúdo

Por Marcelo Pires. Que é da Silva. Da Ideia da Silva, empresa de conteúdo.

No mercado de comunicação, de marketing, muita gente, ao falar de conteúdo, está falando sobre forma

– já reparou?

Nem de forma se trata: quase sempre estamos falando sobre o “canal”, o meio, o tubo.

Em uma definicão de branded content que eu li dia desses, os caras tascaram a seguinte frase:

“a dinâmica da divulgação da marca muda, em vez de ser associada com anúncios, que são frequentemente ignorados ou mal recebidos, a marca passa a ser associada com informação

ou diversão, que possuem mais valor para o consumidor”.

Fiquei com pena da mídia tradicional: está proibida de ser informativa, divertida e ter valor para o consumidor. Está, vale dizer, proibida de ter conteúdo. (Estou sendo irônico: não concordo com isso.)

Conteúdo é algo que está contido em algo, certo? O conteúdo de um copo é o vinho. O copo é essencial, concordo, tomar vinho em copo descartável é o “ó”. Mas, até provem o contrário, é o vinho o que ainda mais conta (nunca comi um copo por ele ser de boa safra).

Podemos discutir horas se é mais bacana ler uma história no formato e-book ou livro. Mas, meus amigos, o essencial ainda é a boa história.

Eu, por exemplo, amo a expressão: “mas que papinho sem conteúdo”. Isso esclaresce tudo: não importa o que seja – “semteúdo” é ruim.

 

Tenho ouvido muita gente ficar horas esclarecendo que branded content é uma coisa e content marketing é outra. Eita. Este tipo de papo revela (pra mim) o nível de formalismo que a gente vive. Os “pdfs” andam excelentes – os portfólios, bem parecidos entre si.

Qual pessoa inteligente não consegue entender que tem conteúdo que explicita a marca (marketing!) e conteúdo que não explicita a marca (entretenimento!)?  Não vale avaliar se – em um ou outro caso – o resultado é/está bacana?

Todo mundo também repete a exaustão que agora pra ser bom conteúdo tem que ser verdadeiro, falar da vida real.

Já faz – o quê? – uns 15 anos que Dove lançou a sua genial campanha “Beleza Real”.

Quem ainda não entendeu o valor do legítimo?

Mas, ok, dá uma espiada em quais são os filmes mais populares em 2017 (segundo o Google):

Moana.

Rogue One, Star Wars.

Mulher Maravilha.

Guardiões da Galáxia.

Dr. Estranho.

O Homem Aranha.

Sing.

Trolls.

Animais Fantásticos e Onde Habitam.

Jonh Wick, um novo dia para matar.

Estes são os 10 primeiros.

A lista tem 50 filmes.

Todos assim: suuuuuuper verdadeiros.

“Kong, a ilha da caveira”, então, acontece todo dia aí nas nossas casas.

Vão dizer que é cinema, cinema é outra coisa. Voltaremos a falar de formato. Só quero mostrar que a turma adora e consome basicamente filmes de… ficção! Fantasia deslavada. História da carochinha. Ação, aventura, pipoca.

E lê o quê? Harry Potter! Ou outro mago – o nosso Paulo Coelho.

E ouve o quê? Alguém discorda que música seja uma das coisas que mais movimenta a internet? Spotify não é uma delícia? Cês acham que é a dura realidade que este pessoal todo anda buscando em um rock ou um sertanejo romântico? Receio que não.

Se me permitem a digressão: qual o filme/vídeo que não é de ficção? Neguinho realmente acredita que um branded content patrocinado por uma grande marca passando lá no Youtube é a expressão da mais pura verdade e é por isso que tem a maior relevância?

Sabe o que realmente faz sucesso nas redes sociais? Fake news. Ou seja, não estamos falando exatamente do território da verdade. Infelizmente.

Que fique claro: adoro projetos de conteúdo. Quero fazer isso mais e mais, me dedicar às boas histórias da vida – e da imaginação. Realmente emociona ver marcas veiculando narrativas de qualidade, inspirando muita gente, fazendo rir e chorar, tendo o altruísmo de não ficar listando – em bullets –  os sensacionais diferenciais dos seus produtos.

Viva o branded content e beijos para o storytelling.

Este texto, excessivamente longo (perdão), só pede que, ao falar de conteúdo, voltemos a falar de conteúdo.

Soluto é soluto, solvente é solvente.

 

 

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