Cado Bottega

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Todo o cuidado é muito.

Por Cado Bottega – *Diretor de Inteligência Criativa da CDN  – Vice-presidente da ARP e Conselheiro do Clube de Criação RS

A publicidade, ou para ser mais abrangente, a comunicação acabou gerando novas funções e especializações: fala-se em diretores storytellers, antropólogos culturais – para não depender apenas das informações sobre comportamento do consumidor que são liberadas por plataformas como o Google e o Facebook  – e agora em oficial de segurança da marca, responsável por patrulhar e zelar para que a publicidade do anunciante não conviva, no mesmo espaço, em páginas com conteúdo reprovável ou atreladas a notícias falsas ou de caráter duvidoso.

Além de escolher muito bem os parceiros com quem trabalhar, a mão de obra especializada deve estar nos planos de todos os veículos e anunciantes. Empresas de tecnologia vem ganhando cada vez mais espaço e dinheiro provendo algorítmos matemáticos e metodologias de entrega de publicidade digital, feitas para entender o conteúdo da página e o usuário que está ali. Naquele momento.

Independente da eficiência, do futuro e da evolução deste mercado, a marca sempre quer falar com seu consumidor. A relação um a um, mesmo que num modelo que use tecnologia ainda é de extrema importância para toda esta cadeia de valor, ter valor. E qualquer falha pode colocar tudo a perder.

Em um cenário, onde gigantes como L’Oreal, HSBC, Starbucks e Walmart frearam seus investimentos no Google, a única maneira de evitar que as marcas sejam expostas em um ambiente inseguro é analisar o conteúdo escrito e falado, não apenas confiar em um índice de qualidade ou na reputação de um vídeo ou site.

Analistas do setor acreditam que cada vez mais as empresas terão que pensar em outras formas de monitorar seus investimentos face aos problemas que a publicidade online tem revelado. Grandes marcas mundiais já manifestaram descontentamento e deixaram claro que há necessidade de mudanças, não só sobre a segurança, mas também sobre a transparência dos serviços de publicidade digital.

E não estamos falando apenas de empresas privadas, o todo poderoso governo britânico decidiu suspender parte de sua propaganda oficial no ano passado em anúncios no YouTube depois que eles dividiram espaço com vídeos contendo mensagens homofóbicas e antissemitas.

Todo este cuidado reflete a busca por dados de alta qualidade sem a interferência de interesses particulares ou que possam deturpar de alguma forma o conteúdo e a percepção de quem está recebendo as manifestações da marca. No Brasil, empresas do ramo de adtech estão entrando no mercado com o intuito de otimizar a segurança e navegabilidade dos ads no ambiente digital, e assim, evitar que os mesmos se comportem de maneira equivocada ou exponham conteúdo indevido para o usuário final.

A empresa israelense GeoEdge que, recentemente, foi apresentada ao mercado brasileiro e será representada no Brasil através de uma parceria com a AE Solutions, que também conta com a Maple em seu portfólio de parcerias, prevê um crescimento na demanda por esses serviços de segurança de advertising digital. O principal motivo desse aumento é a mudança da percepção das empresas que, cada vez mais, querem ter controle total sobre seus anúncios, além de manter um padrão de qualidade no ambiente digital.

Foi-se o tempo em que o máximo de preocupação era escolher página determinada ou indeterminada no jornal e tomar cuidado para que o anúncio não caisse na seção policial ou ilustrando o obituário. Novos tempos, novas funções e novos controles. E pensar que ainda estamos apenas no início desta verdadeira disrupção e temos muito para aprender e nos aperfeiçoarmos.

 

 

 

 

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