VINICIUS MENDES LIMA

0
67

EMPREENDEDORISMO NA BASE DA PIRÂMIDE

 

Por Vinicius Mendes Lima, mestre pela Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), na Argentina e formado em Administração, com ênfase em Marketing, pela ESPM-Sul.

 

Mais fascinante do que a importância do empreendedorismo para o processo de desenvolvimento econômico do País, é o desenvolvimento dele próprio. O empreender, enquanto verbete, existe desde o século 16. Já o “empreendedorismo”, está há apenas dez anos nos dicionários e talvez, também, na vida dos brasileiros. Com ele, todas as ramificações acima mencionadas.

A fim de sintetizar, vamos partir da ideia de que ele eclodiu, dividiu-se em variantes, vertentes e algum outro v, e hoje é o sonho de consumo de todo brasileiro. E é. Ao serem questionados, 76% dos que habitam nossos limites geográficos responderam que almejam serem donos do próprio negócio.

Agora, a realidade. Destes, apenas 19% pretende realmente empreender. Falta de capital, conhecimento e de tempo, além da burocracia, estão entre os fatores limitadores. Neste meio todo, eu estava lá, no Rio de Janeiro, vindo de dois grandes “empreendimentos” de sucesso, exercitando a minha prática e envolto a estudos conceituais de vários autores.

De dentro da van, indo para a Barra da Tijuca, ao pé do morro da Rocinha (sem necessidade de apresentação), de canto de olho, visualizo a loja Casas Bahia. Mais uma olhada, outras grandes lojas de departamento. Uma piscadela e um comércio aquecido. A van nem bem arrancou e pronto, já não pensava em nada mais além do potencial que comportava tanto consumo. Logo, meu pensamento se voltou à parada súbita do transporte pelos traficantes com armamento cinematográfico (mas isso é outra história).

Usando a ponte aérea dos afoitos, imediatamente estava em Buenos Aires, na Villa 31, maior favela da Argentina. E verificava o mesmo. Para o bom entendedor, meia palavra basta. Para o bom empreendedor, meia oportunidade basta. Há algo bom aqui. Há algo surpreendente ali.

 

“Para o bom entendedor,

meia palavra basta. Para

o bom empreendedor, meia

oportunidade basta.”

 

Cento e cinquenta páginas depois, com análise do cenário social e geográfico, pesquisa aplicada aos conceitos do marketing e do empreendedorismo, descobrindo como se desenvolve produto, preço, praça e promoção nas duas favelas, investigando as rendas obtidas (que chegam a R$ 150 mil/mensal) e a não existência de políticas públicas, veio a conclusão. Os 55 milhões de novos habitantes nas favelas no mundo, em 15 anos, agora são vistos por mim como 55 milhões de consumidores. E disso, ainda, nasceu a Riqueza das Favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas, meu livro.

À sua maneira, eles agregam valor a produtos e serviços, possuem gestão de recursos, identificam novas oportunidades e têm escalabilidade. Pouco acima de 1% de todas as empresas brasileiras crescem mais de 20% ao ano (para serem consideradas de alto crescimento). Mas acho que as favelas não eram o escopo destas pesquisas, pois não foi isso que vi.

Jogo, então, no colo de vocês, o conceito de microempresário favelado, um segmento do empreendedorismo inexplorado, desenvolvendo-se em nossa frente, sem que vejamos, com um contínuo crescimento de capital de giro. Apresento-os: o empreendedorismo na base de pirâmide.

 

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here