Angelica Ritter

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Por um legado

Por Angelica Ritter – Assessora de Comunicação da CORSAN

Uma das primeiras redes a conectar as pessoas, muito antes das mídias sociais, o sistema de abastecimento de água não permite separar água para pobre ou para rico. É igual para todos. Tem que ter qualidade imaculada, mas o preço tem que ser acessível. Essa manifestação repetida muitas vezes pelo atual presidente da Corsan, Flávio Ferreira Presser, traduz um pouco da dimensão do trabalho no setor de saneamento e parte do desafio de comunicação. A Corsan está presente em 317 municípios do Estado do Rio Grande do Sul, atende mais de seis milhões de pessoas, por meio de quase seis mil funcionários. São públicos com perfis muito diversificados para os quais as iniciativas de comunicação precisam estar direcionadas adequadamente.

Acompanhar esse trabalho, assessorando o presidente e orientando a Assessoria de Comunicação da Companhia é, sem dúvida, uma forte marca na minha trajetória profissional. Já estive no setor de saneamento, por nove anos (2005 a 2014) no Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) em Porto Alegre. Amei. Agora, são muitas cidades, mais de 300 particularidades, prefeitos, comunidades e imprensa. Ah, a imprensa é um capítulo a parte. Rádios e jornais, principalmente do interior se esforçam para sobreviver em um período de crise política, cultural e econômica, estão em constante busca de alternativas, se transformam, tentam se fortalecer e se qualificar e vão cobrindo os assuntos como podem com resultados interessantes de acompanhar. Não há jornalistas com especialização no assunto e o papel da equipe da Assessoria de Comunicação é fundamental para ajudar com os termos técnicos, explicar os processos e esclarecer as dúvidas. Lá no interior o papel da Corsan é muito mais forte e a transparência e o contato com os veículos são primordiais. A política de comunicação é o norteador de cada gestor da Corsan nestes locais e por isso, a pedido do Presidente, desenvolvemos com o apoio da Secretaria de Comunicação do Estado, o compilado de Política de Comunicação com seus cinco manuais e estamos em fase de disseminação. Não foi fácil, tenho que admitir. É um trabalho novo e por isso com poucas referências no mercado, mas é fundamental e agora está feito. Legado da e para a área de Comunicação da Casa.

Juntando as peças, esse período de mais de 12 anos (nove de Dmae e três de Corsan) fortaleceu muito meu portfólio profissional que inclui entre outras experiências no jornalismo a passagem pelo site Coletiva.net e uma vivência muito especial pela agência Pública, que depois se transformou na atual Moove. Na época, a visão de comunicação integrada proposta pelos profissionais José Luiz Fuscaldo, José Antonio Vieira da Cunha e Luiz Fernando Moraes, tendo na equipe pessoas como a jornalista Magali Barbiani, era algo bem inovador no mercado de comunicação e ter participado desta arrancada com essa turma foi um grande privilégio e me deu uma bagagem incrível para poder entender e pensar os processos de comunicação além do jornalismo.

Ainda na área da comunicação, logo depois de me formar em Jornalismo pela Unisinos, em 2002, tive a oportunidade de acompanhar a implantação do plano de comunicação de uma rede de restaurantes em Portugal, País onde morei por quase um ano, retornando ao Brasil em 2003 com muita saudade de casa e cheia de novas ideias.

Quando avalio a minha trajetória, vejo que foram experiências nada tradicionais antes de chegar ao trabalho de assessoria e tenho absoluta certeza de que isso me proporcionou uma visão mais aberta para poder ultrapassar algumas barreiras e me manter fora da zona de conforto. Exemplo disto foi o trabalho com treinamento criativo no Theatro Vanguarda, empresa criada junto com meu marido Ednézer Ritter e um grupo de amigos, em 1992, que se propõe a abordar temas e assuntos corporativos por meio da ferramenta do teatro, buscando uma melhor comunicação e o entendimento. Foi a partir desta iniciativa, que muito me orgulha, vivenciando a criação a produção e atuação nos espetáculos que consegui bancar minha faculdade. E ainda hoje é um forte aporte na renda da nossa família, uma vez que meu marido continua a frente deste trabalho.

Eu sou uma pessoa que trabalha muito e adoro fazer isso o tempo todo. É até difícil escrever sobre mim e não falar tanto em trabalho. Corro, faço o impossível e sempre acho que não foi o suficiente. E gosto tanto que o tempo foi passando e fui deixando para ter minha filha somente mais tarde, quando o relógio biológico alertou mesmo. Agora, sou uma mãe apaixonada, de um jeito que nunca imaginei que poderia ser. Mas continuo muito encantada com o que faço e com muita vontade de fazer cada vez mais.

Não tem aquela frase: “Qual o mundo que queremos deixar para os nossos filhos?” que vem sendo contestada ultimamente com a expressão: “Quais os filhos que queremos deixar para esse mundo?”. Então, desejo que essas experiências e outras que ainda estão por vir, me permitam contribuir para que minha filha Laura (completando agora quatro aninhos) seja capaz de reconhecer que cidadania se constrói pensando global e coletivamente em cada atitude. E que fazer coisas que possam melhorar a vida das pessoas não é uma caretice, pode ser divertido, criativo e transformador.

 

 

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