Cláudia Velloso Quaglia-05-10-18

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O destaque dessa semana é uma mulher inquieta, sedenta pelo novo, que não se conforma com o entendimento do mercado, que procura e insisti com soluções e provocações que geram resultados. Seu nome Cláudia Velloso Quaglia, que abre o jogo das suas ideias, do seu dia a dia e das suas batalhas de vida.

Cláudia Velloso Quaglia

São 32 anos dedicados ao mercado publicitário gaúcho. Nesse tempo, adotei muitos sobrenomes, entre eles: Zero Hora, Correio do Povo, Atlântida FM, Ipanema FM, Sebrae RS , TV COM, TGD Filmes, E21, IM8, Pública, Estação Elétrica, Black Maria, Cubo Filmes, Mais Canal.

Na timeline da minha vida profissional destaco as fortes transformações do mercado de comunicação, em especial com a chegada da internet. Acredito ter sido uma das primeiras profissionais a promover o digital na mídia aqui no Estado, trabalhando em um ousado projeto na época o ZH Digital. Digo isso sem modéstia, porque vivenciei na prática todo o processo de mudança, desde 1997 até hoje, ao lado de profissionais que fizeram história.

Mas vamos do comecinho, filha de pais paulistas, eu nasci em Porto Alegre, no dia 24 de janeiro de 1963, a caçula de dois irmãos: Adyl e Paulo. Meu pai era gerente de Laboratório e a minha mãe se dividia ente cuidar da casa e dar aulas de Corte e Costura, aliás uma das melhores professoras de Porto Alegre na época.

Fui criada no bairro Bom Fim. Estudei no Grupo Escolar Anne Frank, que ficava na mesma rua, e conclui o Ensino Médio no Julinho. Já o parque da Redenção era meu parquinho, fazíamos passeios lá alternando visitas no aeroporto com direito a “caçulinha” nos finais de semana. Meu sonho aos 7 anos era ser astronauta. Minha série preferida era Perdidos no Espaço, quem não!? 

Em 1981 entrei na PUCRS para o curso de Publicidade e Propaganda. A Faculdade de Comunicação Social (Famecos) fervia, tive professores maravilhosos como a Gagá, a Bel Smith, o Alfredo Fedrizzi e o inesquecível jornalista Sérgio Gonzales, com suas memoráveis e hilárias aulas sobre a imprensa marrom.

Minha estreia no mercado de trabalho ocorreu na Rádio Cidade FM. Como estagiária, eu anotava as músicas mais pedidas da programação. Em seguida tive uma passagem rápida pela agência Novo Tempo, cujo dono, um argentino que deixou equipe toda na mão sem pagamento, fugiu do país, deixando para trás muitas dívidas, inclusive para agiotas.  Mas tudo era aprendizado e fui premiada depois com um estágio na área de mídia da Nova Forma.

Meu primeiro contrato aconteceu na agência Dois Pontos Propaganda, onde fui coordenadora – ainda se usava fotolito e o layout era desenhado à mão. Mas, aqueci minha carreira para valer em 1986, quando fui contratada pelo recém comprado Jornal Correio do Povo.

Em março de 1987 sou a terceira mulher a ser contratada para a equipe comercial do Bolivar Madruga Duarte no Jornal Zero Hora onde também trabalhei com o saudoso Esperidião Curi uma amizade que seguiu muitos anos ainda. Neste mesmo ano me casei. No ano seguinte

venci o Prêmio de Melhor Vendedor do Ano RS, promovido pela ADVB e Jornal do Comércio, fui o primeiro lugar e mais uma vez também a primeira mulher a conquistar esta premiação no RS, o que me reconhecimentos na empresa e mercado com direito a entrevista na Rádio Gaúcha.

Em junho de 1993 nasce minha única filha Mariana Wainer, uma felicidade só na minha vida e a única razão que poderia me fez parar de trabalhar pra curtir a minha bebê ao máximo.  Depois do período de licença- maternidade, retorno com vontade de mudança e convidada pela Vera Bavaresco,  vou para a Atlântida FM, onde testemunhei o surgimento do Planeta Atlântida e convivi com um universo diferente e apaixonante me fazendo lembrar do meu estágio anos antes na Cidade, tanto que menos de um ano depois dessa mudança, deixo a RBS para assumir um desafio maior, a Coordenação Comercial da Rádio Ipanema FM , uma emissora ícone, adorada no RS e fora dele, a relação dos ouvintes era de fã de pura admiração, era a Rádio dos Loucos, bordão criado na época pelo Eduardo Santos,  uma super sacada, porque era a rádio dos “mutcho locos” e também muito diferente de tudo, existia uma autonomia de programação que a Kátia Suman havia conquistado, não se seguia gravadora , era tudo muito independente. E foi exatamente em cima desse diferencial que começamos uma virada comercial trocando a mídia alternativa pela mídia sofisticada e estratégias inovadoras que o Eduardo Santos conseguia como a troca do horário das 19 horas onde a rodava música, enquanto o resto era a Hora do Brasil. O College Radio matava a pau.

Como eu havia mencionado antes, em 1997 assumo um novo desafio, o Zero Hora Digital , assim como eu , o mercado não tinha a mínima ideia sobre o que fazer com essa plataforma, ou o que ela se tornaria. Vender banner digital, tinha o mesmo efeito que pregar no deserto em versão 1.0.  Mas até hoje agradeço ao Ricardo Gentilini de ter colocado esta oportunidade nas minhas mãos,  eu tive chance de estudar junto à galera do ZAZ ( futuro Portal Terra) . E eu como um bom aquariano, vivia com a cabeça nas nuvens por ser a diferentona que mexia com uma coisa que ninguém entendia muito bem, me senti atraída na hora por aquela tecnologia. O ZH Digital foi um trabalho de conquista, difícil duríssimo, porque o mercado rejeitou bastante no início, tinha cliente que tinha site, mas ainda não sabia muito bem o que fazer com ele.  Me lembro que a minha primeira venda foi para a UNISINOS, era um espaço de notícia de hora em hora. Cheguei a dar palestra na Famecos a convite da Gagá pra conversar sobre um jornal virtual.

No início de 1998 participo de uma seleção para a área de marketing do Sebrae RS, uma entidade muito à frente do seu tempo, muito conhecimento, tecnologia de ponta, na época cada funcionário tinha o próprio PC, isso era um luxo. Os técnicos e profissionais eram liderados pelo economista Hélio Henkin, diretor técnico em 1998.  Respondi por 9 áreas técnicas e interface com duas agências de publicidade. Me desenvolvi absurdamente trabalhando lá, pois o nível de exigência era altíssimo. Desenvolvi marcas, campanhas e eventos inesquecíveis por serem totalmente fora da curva, como exemplo cito o case do Prêmio Sebrae de Exportação, quando então o Sr. Pratini de Moraes veio de Brasília especialmente para lançar este prêmio que aconteceu no hangar da Varig e que no ápice abre-se uma porta e lá estava no pátio um Boing da Varig de Carga, adesivado com a logo do Sebrae e do Prêmio e ligado. Organizei grandes feiras entre elas Mercopar, Feira do Empreendedor, Feira da Alimentação, PGQP, o lançamento da USEn e tantos outros.

O Sebrae representou o meu PHD, foi muita superação e maturidade profissionais, lá pude participar também como adviser no programa Junior Aquievement e também fazer o EMPRETEC, curso em parceria com as Nações Unidas, onde você é desafiado ao empreendedorismo.  Sou muito grata a pessoas que não posso deixar de citar como a minha gerente Denise Macedo, minha colega direta e amiga querida Sandra Ziemath, uma das profissionais mais impressionantes com as quais eu trabalhei na vida e os jornalistas Paulo Cesar Flores e minha querida Nair Martinenko, parceira e amiga até os dias atuais.

Entre 2002 e 2003, aconteceu a minha terceira e última experiência de volta ao Grupo RBS, com a TV Com, liderada pelo saudoso José Luiz Pinto, na época participei ativamente no mercado de Novo Hamburgo, fazendo parte na equipe comercial da querida Márcia Daudt. Infelizmente o projeto no Vale do Sinos da RBS teve uma duração curta pois o mercado calçadista havia mudado muito, por outro lado , graças a esta experiência, descobri um espaço criativo  exclusivo que desenvolvi na TGD Filmes em produção comercial direcionado a indústria calçadista. Produzimos bastante para moda e eu também desenvolvi um trabalho em vídeos institucionais, pois eram estratégicos em períodos de baixa no varejo. Dois anos depois a convite do Alexandre Assumpção, vou para a E21, em função de minha performance junto a marca Brandili na TGD, mas fiquei poucos meses lá por conta da rotina das viagens a Santa Catarina, que afastavam por muitos dias da minha filha. Na época a Mariana tinha 12 anos e eu havia me separado recentemente, por isso pedi meu afastamento.

Como atendimento também trabalhei na IM8 e na Pública Propaganda.

Entre 2007 e 2014 dediquei meu trabalho exclusivamente ao mercado de produção eletrônica como executiva comercial na Estação Elétrica, BlackMaria e Cubo Filmes.

Em outubro de 2013 perdi meu pai.

Meu último trabalho formal foi como diretora comercial na Mais Canal Midia a convite do Régis Dubim do Grupo Ativa, atendendo mercados de SC e RS representando 06 empresas nacionais em mídia OOH.

Em março de 2016 virei estatística. Lembro como se fosse hoje do meu papo com o Nenê naquele café lá perto do Cord, onde ficou claro de que já era hora de ser dona do meu nariz, o mercado havia mudado muito e já não havia espaço pra mim, não me enxerguei mais repetindo as mesmas coisas, precisava me reinventar e criar meu próprio negócio. No mesmo ano desenvolvi um grupo de empresários através da economia colaborativa chamado Toolbok Network (Caixa de Ferramentas) onde cheguei a reunir 19 empresários integrados para atender mercado sob demanda.  Porém o modelo necessitava pelo menos mais 5 anos para se estabelecer no mercado, infelizmente eu não dispunha deste prazo. O bacana é que este programa não morreu e até hoje muitos empreendedores se conversam e se indicam por ali, um legado maravilhoso

Eu sempre tive o entendimento de que sozinho não se chega a nenhum lugar.

No segundo semestre em 2017 dediquei um tempo só pra mim voltei pra sala de aula, frequentando o curso de Design Gráfico no Senac, um desejo pessoal que eu sempre tive, queria muito aprender a montar apresentações e materiais gráficos sozinha. Dediquei um tempo também pra fazer artesanato, criei o Meiguices de Parede, foi um período muito importante, eu precisava dar um tempo a mim mesma.

A Toolbox resultou bons negócios, entre eles alguns serviços e criação de peças gráficas e sinalização para o RS Modas, onde a consultora de negócios Angela Klein fazia a gestão executiva e nos apresentou esta oportunidade e que acabou se tornando um dos melhores cases da gente.  Pouco tempo depois, passada a feira, a Angela me propôs parceria na empresa dela, a Reel Inteligência Comercial, que neste ano já rendeu o projeto da Onne Luxo para o Forum Sul- Americano do negócio do Luxo onde a Angela atendeu a gestão executiva, e também ajudou a aproximar  mais de vinte entidades de  apoio ao evento. Este ano estamos também preparando o lançamento de um produto que já estamos amando, e que muito em breve estaremos lançando, relacionado a bem-estar e conteúdo, dirigido ao mercado corporativo, aguardem.

E como eu sou uma inquieta, não poderia deixar de citar que desde o inicio deste ano estou pesquisando muito a respeito de trabalho colaborativo aplicado a nova economia  A realidade hoje para o empreendedor e proprietário de pequenas empresas que precisa usar vários chapéus no dia-a-dia, é a de que o tempo é um bem precioso.  Para alguns, inclusive, o tempo é o ativo mais valioso quando você quer um equilíbrio aceitável entre trabalho e vida pessoal. Observando esses movimentos e querendo rentabilizar minhas horas ociosas, desenvolvi a Approcci , um modelo de flexibilização das relações profissionais para o atual mercado de trabalho. Neste modelo disponibilizo minhas habilidades em tarefas de relacionamento comercial,  para atender empresas de pequeno porte e novos negócios, que buscam mais tempo livre contando com o meu suporte, atuando por demanda, de forma simples, pois hoje é possível compartilhar um carro, uma casa e um escritório, faz muito sentido compartilhar as habilidades de um profissional para mais de uma empresa, pagando pelo tempo necessário e sem burocracia em uma relação entre empresas e não de empregado.

As lições que aprendi nessa caminhada é que é preciso escutar mais do que falar, é fundamental se colocar no lugar do outro aplicando a empatia de forma inteligente, que não há espaço para arrogância e orgulho e que praticar a gratidão deve ser todos os dias.

Aprendi também que não é preciso adotar um sobrenome empresarial pra inspirar respeito.

Eu sou o que sou, me chamo Cláudia Velloso Quaglia, sou publicitária, empresária e a minha essência é aproximar pessoas e projetos visando gerar experiências positivas para conversão de resultados e relacionamentos de VALOR.

Minha gratidão sincera à minha família, especial a Dona Ivonne minha parceira de vida e mãe, meus irmãos, cunhadas, sobrinhos, sobrinha neta e ao amor maior de minha vida, Mariana Wainer minha filha, de quem sou fã incondicional e também aos meus amigos que torcem sinceros por mim e minha sócia Angela Klein, que me aproximou

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