Cristiane Finger-01-11-18

0
224

DESTAQUE

O destaque dessa semana é uma profissional que vive e conhece o jornalismo com uma determinação impressionante. Quando esteve no SBT inovou e participou de várias jornadas de muita relevância para o RS. Como professora é uma marca e presença constante na vida de seus alunos. Cristiane Finger é um orgulho do jornalismo gaúcho e brasileiro.

Jornalista e Professora: as duas carreiras mais lindas que eu poderia ter escolhido

Uma das principais aulas de jornalismo na Famecos foi sobre como escrever um perfil. Ao contrário do que muita gente pensa, um perfil não é feito apenas a partir de uma entrevista com o perfilado, mas com várias informações sobre ele, apuradas com dedicação em bancos de dados, documentos, reportagens já veiculadas e, principalmente, com o depoimento de pessoas próximas. Algumas amigas, outras nem tanto. Assim, conseguimos ter uma visão mais ampla, menos parcial da personagem.

Então, aviso aos leitores que este é um perfil totalmente comprometido. A minha visão sobre mim mesma. Como jornalista que sempre fui, e continuo sendo, isso me incomoda. Em tempos de fake news, pós-verdade, algoritimos e bolhas das redes sociais. Em tempos de ódio, intolerância, ignorância, racismo e toda espécie de discriminação, os jornalistas são mesmo essenciais. Ainda acredito na busca da imparcialidade, na objetividade, na informação que pode ajudar o público a formar uma opinião. Aliás, esta talvez seja a era da opinião, todo mundo pensa que deve dar a sua, quando na verdade opinião é para experts no assunto. O resto é conversa de bar. E, como é bom jogar conversa fora com os amigos num bar, alguns petiscos, no meu caso com um vinho branco gelado…

E, começamos assim: adoro botecos e também adoro um bom restaurante chique com comida de primeira, mas, ultimamente, prefiro receber os amigos em casa. Adoro cozinhar ou apenas montar uma bela mesa para servir o churrasco feito pelo meu maridão. O Ilton que entrou na minha vida há onze anos. Como já disse antes, somos um casal de professores da Famecos que já morou em dois lugares, viajou para três continentes, enfim, já fez um montão de coisas. Aprendi neste tempo que amor é uma coisinha frágil que precisa de cuidado, dedicação, paciência, desejo e surpresas todos os dias para sobreviver. E, espero que a nossa parceria sobreviva para sempre.

Sou filha de advogados. Aprendi a enfrentar o mundo com segurança e ensinar pelo exemplo com o meu pai, Horácio. Herdei a personalidade forte e a doçura para cuidar das pessoas amadas da minha mãe, Diena. Andrea, minha irmã, também advogada brilhante, é minha confidente, alma gêmea; meu irmão Henry é um grande executivo com quem sempre posso contar. Tenho sobrinhos pequenos, lindos e muito carinhosos. A Carolina é uma mocinha doce e o Pedro um menino muito experto. Mas, quem tem me ensinado muito é a Bruna minha sobrinha e afilhada. Esta estudante de medicina é a garota mais forte que eu conheço, já correu o mundo sozinha, briga pelo que acredita e me mostrou que eu era feminista, mesmo sem nunca ter sido militante. A nossa frase predileta é “quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede”.

Nunca tive filhos, não foi bem uma opção, apenas a vida tomando seu curso. Também nunca fui do tipo que acha que se uma mulher não for mãe não está completa. Gosto de pensar que meus alunos, ao longo dos 26 anos de docência, são uma espécie de filhos emprestados. Eles vêm e vão. Eu agradeço aos pais pela confiança em me deixar ensiná-los uma profissão e fico cada vez mais orgulhosa das suas conquistas.

A Famecos tem sido minha principal casa. Entrei na PUCRS aos dezessete anos, cheia de sonhos para mudar o mundo como jornalista e nunca mais saí. Fiz a graduação, a especialização, o mestrado e o doutorado. Voltei como professora e fui coordenadora do curso de jornalismo por seis anos. Hoje, sou professora titular de telejornalismo, membro permanente do Programa de Pós-graduação em Comunicação, faço pesquisa sobre o futuro da televisão. Em todos esses anos de estudos, tive a sorte de encontrar grandes mestres e me espelho neles. Correndo o risco de cometer injustiça, preciso citar: Marques Leonam, Tibério Vargas, João Brito de Almeida, Dóris Haussen, Antônio Hohlfeldt, Juremir Machado da Silva, Francisco Rüdiger, Luiza Carraveta, Maria Beatriz Radhe e tantos outros.

Coordenei até este ano a principal rede de pesquisadores em jornalismo audiovisual do país com representantes de universidades públicas e particulares de todos os estados. A REDE TELEJor já publicou oito livros sobre ensino, pesquisa e extensão. Agora, dedico meu trabalho à Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação como Diretora da Regional Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). A INTERCOM é a maior e a principal entidade do gênero no Brasil.

Também tenho a honra de ser vice-presidente da Associação Riograndense de Imprensa. Atendendo a um convite do colega Luiz Adolfo Lino de Souza que é o atual presidente. A ARI é um imenso desafio, sempre contou em seus quadros com inúmeras jornalistas, mas pela primeira vez tem uma mulher na sua Diretoria Executiva. Acredito na representação, nas entidades que nos fazem mais fortes como categoria. Em participar e trabalhar por isso, ao invés de apenas criticar. Porém, confesso que não é fácil, manter esta Associação viva, atuante e relevante para as futuras gerações. Precisamos da ajuda de todos os jornalistas.

Voltando um pouco no tempo só tenho boas lembranças. Como jornalista, tive a sorte ou a teimosia para ganhar dezenas de prêmios, entre eles o mais importante foi o Prêmio Esso, em 2004, na categoria Telejornalismo. O maior orgulho é que foi a primeira vez que uma emissora de televisão gaúcha ganhou este prêmio. E mais, foi no SBT, na época uma emissora pequena, regional sem tradição em jornalismo. Foi a primeira vez no Esso para a emissora em nível nacional também. Uma equipe e uma programação que eu montei do nada e que até hoje está aí fazendo jornalismo de qualidade.  Agora, começa o momento de agradecer ao Ivan Daniel, então diretor do SBT, que apostou em mim. Ao diretor que o substituiu, João Brito. Conseguimos ampliar e consolidar o departamento de jornalismo, do qual fui Editora Regional por mais de dez anos. Antes disso, fui repórter concursada da TVERS, acreditava numa TV pública de qualidade, mas acabei me decepcionando ao encontrar uma TV estatal com ingerências de governos, todos os governos. Por isso, fui um dos poucos casos de pedido de demissão, enquanto todos apostavam na segurança do serviço público. Ainda penso que a TVERS não poderia ter sido extinta, mas que deveria ser mais relevante para os gaúchos. Basta estudar os exemplos, mundo a fora, para entender que existem alternativas. Quero deixar claro que nunca abri meu voto, é meu e é secreto. Acho isso importante como jornalista!

Antes de ser Editora Regional do SBT e repórter da TVERS, fui repórter de rede do SBT, estive em São Paulo por um período. Fiz diversas coberturas internacionais, inclusive na China. Fui também repórter da extinta Rede Manchete e Gerente de Jornalismo da Rede Pampa. Comecei minha carreira, já como repórter, na TV Guaíba. Tenho carinho por todos os lugares onde passei, pelos colegas que tive oportunidade de conviver e trocar. Nenhuma mágoa ou rancor. É vida que segue, hoje prefiro ver meus pupilos brilhando nestas e outras emissoras pelo país e pelo mundo. É preciso ceder o lugar para os mais jovens…  Minha irmã diz que agora vivemos muito e por isso não podemos ter apenas uma carreira. Eu tive duas, por um bom período ao mesmo tempo, depois foi uma escolha. Quem sabe ainda não começo outra carreira? Às vezes me dá muita vontade, depois preguiça e aí vontade de novo…

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here