João Satt Filho-09-11-18

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Prefácio escrito por João Satt Filho, Publicitário e  Presidente do G5, para o livro do curso de comunicação do IPA 

O mundo está no gerúndio. Vivemos as consequências de um processo acelerado de transformação. Há 20 anos atrás Zigmunt Bauman publicava seu livro Sociedade Liquida e nos revelava as sementes da silenciosa e misteriosa disrupção cultural. Muito pouco se falou a respeito à época, como se as convenções jamais viessem a ser questionadas. O tempo vem provando que o tsunami será muito maior do que havia sido previsto. Quando se poderia imaginar que os BB seriam surpreendidos pelos jovens da geração Z, não quererem esperar 60 anos para viver o melhor da vida, agora. A geração X não é o objeto de desejo dos Millennials, os quais se sentem angustiados entre optar pelo  mundo do poder, da conquista e o da cooperação, colaboração. Estamos atravessando as fronteiras do conhecido, e sequer temos noção do para aonde os novos ventos nos conduzirão.

As profissões do hoje, não serão necessariamente as de amanhã, impraticável saber os limites da disrupção quando considerada a soma dos fatores tecnológicos e a respectiva repercussão da conveniência na nossa cultura. Peter Diamandis, um dos criadores da Singularity University, considerada uma das mais importantes escolas de executivos do mundo, preconiza o fim da era da escassez e o início da abundância. Traz no seu discurso três elementos centrais para a transformação radical do modelo de negócios e da nova oferta de produtos e serviços:

A materialização da profecia de Gordon Moore (1965) na qual a capacidade de memória do computadores teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada período de 18 meses;

A entrada em operação do 5G (2020) o que eleva a velocidade da transmissão de dados dos atuais 100 milhões para 10 bilhões de bites/segundo;

A inteligência artificial a serviço da predição de dados.

Trocando em miúdos estamos adentrando velozmente num novo mundo aonde a comunicação terá um papel fundamental na formação da cultura e comportamento considerando que a comunicação e interação das relações será  Peer2Peer.

Cada vez mais será familiar a nossos ouvidos a expressão “curva exponencial”. Isto, nada mais é que uma linha de crescimento que apresenta uma aceleração inimaginável. Contextualizando: Imagine que no crescimento linear cada passo percorrido é igual a um metro, no exponencial é X2, isto significa que – ao final de 30 passos teremos avançado linearmente 30 metros, enquanto no exponencial teremos dado 26 voltas ao redor do planeta Terra. Essa é a realidade do que vem pela frente, o que nos levará a ter carros autônomos, drones coletivos, robôs realizando as mais diferentes funções e atividades.

Temos investido pesado em pesquisas e cursos ao longo dos últimos 3 anos para entender os efeitos da chuva de meteoros da disrupção tanto de forma pontual, quanto holística, dos impactos do digital na substituição dos modelos tradicionais, quanto em especial do efeito disto no comportamento de consumo das diferentes gerações. Resta destacar que um modelo não desaparece totalmente ao surgir um novo, o que passa a existir é uma nova consciência. Por sinal, daqui a 20 anos provavelmente este momento será reconhecido como a era da consciência. No caso da comunicação a criatividade jamais deixará de ser o centro de todo o processo, a sensibilidade humana, amorosa, nutrida pela compaixão jamais será desenvolvida pelos chios ou sensores. E este é o grande aspecto disto tudo: some-se a tempo disponível e conveniência a importância do encorajamento e do reconhecimento ao valor de cada um como seres relevantes aos demais. Brene Brown, traz a tona a essência da falha das conexões que nada mais é que a vergonha que temos das nossas vulnerabilidades. Isto vem do humano, nos transforma em verdadeiros escravos das redes sociais, nos faz invejar o mundo perfeito e feliz dos sorrisos e programações maravilhosas que os outros (não nós) tem para compartilhar no Instagram e FB. No painel de gerações que a Sunbrand (empresa de consultoria estratégica do G|5) desenvolveu identificamos que existe uma inovação de significados das mesmas coisas para as diferentes gerações, assim como como uma interação colaborativa entre as mesmas. O mundo caminha para uma vida melhor, aonde teremos a abundância em todos os sentidos, maior desapego a propriedade e a matéria e um maior reconhecimento a espiritualidade. A publicidade e a propaganda terão um enorme desafio não só em função dos novos canais, e conteúdo a serem elaborados, e sim no entendimento das dores, limitações e sonhos das pessoas. Tudo é novo, o único pecado será o medo de não tentar inovar com medo de errar. Fiquei emocionado com a qualidade e sensibilidade do conteúdo deste livro, estes jovens estão preparados para nos conduzirem de forma gentil e colaborativa a um novo momento da história da civilização.

 

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