Catia Bandeira-23-11-18

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Catia Bandeira  – Sócia-diretora da CDN Sul

Durga é uma deusa hipnotizante que cavalga um tigre de olhar plácido, mas, ainda assim, de um animal indomesticável. Com uma expressão enigmática à la Mona Lisa, a maior parte de seus oito braços segura armas, como o tridente e o arco e flecha. Mas há também uma flor de Lótus e duas das mãos assumem gestos simbólicos, que funcionam como senhas para a compreensão do universo. Meu amigo e estudioso do hinduísmo Fernando Sedano explica, com simplicidade, que assim somos nós também: Precisamos nos equilibrar entre posturas ativas e reativas. Há a delicadeza da flor, porém a espada deve estar pronta para ser usada. Durga não demonstra tensão ainda que o pensamento lógico seja de que ela está sentada sobre uma bomba-relógio. Não é o próprio mundo corporativo? Afinal, dentro ou fora de uma crise, o sangue-frio é imprescindível, pois não se pode passar insegurança, nervosismo, prepotência ou despreparo ao cliente.

 

Embora os humanos sempre tenham evocado e perseguido o divino dos deuses, exibem idêntica complexidade em um aspecto pelo menos. Durga, a exemplo de um reles mortal, apresenta múltiplas facetas. Considerada pelos hindus como uma forma de Devi, a deusa suprema, é vista como Parvati, consorte de Shiva (outro deus supremo do Hinduísmo, apontado como  criador do Yoga) e mãe de Ganesha (deus do intelecto, da sabedoria e da boa fortuna). Personificação do feminino e da energia criativa e criadora, Durga é também caçadora de demônios. E faz tudo isso sem nenhum traço franciscano. As vestes são coloridas, brilhantes e exuberantes, sintonizadas com o ouro, as pérolas e as pedras preciosas dos ornamentos. De um jeito natural, ela assume ser uma guerreira, papel tradicionalmente destinado aos homens. Ou seja, a mitologia hindu já era vanguarda na igualdade de gêneros. Dependendo do ensinamento, Durga seria o senhor Shiva na forma feminina.

 

A própria representação de Durga é variada – há imagens em que aparece montada em um leão em vez do tigre. Porém, sempre é uma mulher bela, dotada de três olhos. O esquerdo representa o desejo (lua), o direito, a ação (sol), e o terceiro olho, o ponto vermelho no meio da testa, significa a sabedoria (fogo).

Parece óbvio o estado de prontidão na empresa e na vida. Exercitá-lo, mantendo a serenidade, o equilíbrio e o senso de justiça – diante de nós mesmos, da família e amigos, dos colegas e de todos com quem nos relacionamos – é o Santo Graal contemporâneo. Em sânscrito, o nome Durga pode ser traduzido como invencível. Vê-la e senti-la como inspiração já é um bom começo para defender o humanismo. E prevenir e enfrentar as crises, pois elas vão surgir.

 

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