Catia Bandeira-21-12-18

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Prêmio ARI constrói catedrais

Por Catia Bandeira – Jornalista e sócia-diretora da CDN Sul

Desde 1931, por iniciativa da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), 7 de abril é o Dia do Jornalista. Aqui, no Rio Grande do Sul, contudo, Dia do Jornalista é quando se conhecem os vencedores do Prêmio ARI, a Associação Riograndense de Imprensa, sobrevivente e resiliente em 83 anos de existência. E, ao se deparar com os trabalhos inscritos nesta 60ª edição, a gente só confirma o quanto o jornalismo é crucial em uma sociedade que persegue a democracia, a igualdade de oportunidades e o bem-estar do cidadão.

De alguma forma, tudo que faz parte da vida está contemplado nas matérias levadas a cabo pelos jornalistas. As reportagens tratam de educação financeira, produção de lã, adoção de adolescentes, água, transexuais e travestis, perfis dos candidatos ao governo do Estado, Renato Gaúcho e D’Alessandro. As abordagens são tão ecumênicas e provocadoras de reflexão, alegria, tristeza e, às vezes, indignação, que não é possível limitá-las a uma editoria. Por exemplo, em economia e negócios, esporte, desenvolvimento regional ou comportamento. O conteúdo se mistura e sobrepõe, como é a vida.

São retratos, instantâneos, filmes sensíveis, de cada um de nós. Qualquer um poderia ser aquela história, como a de pais e mães, parentes, amigos de vítimas do incêndio na Boate Kiss em Santa Maria, que fizeram tatuagens para manterem seus seres queridos sobre a pele.

O jornalismo não é um emprego, um trabalho. É uma profissão de fé. Romantismo? Definitivamente, não, ainda mais nesta época que mentira e manipulação ganharam um novo nome: “Fake News”.   Seja com que nome for, o plantão para identificar problemas, desmascarar falcatruas, esclarecer a população, fornecendo informações para que tome as decisões a partir do livre arbítrio é infindável.

No livro “O Reino e o Poder”, o repórter e escritor norte-americano Gay Talese, pai do jornalismo literário, conta a trajetória do The York Times. Ele imortalizou uma alegoria criada por Iphigene, filha única do fundador Adolph Ochs, para explicar o porquê do sucesso do jornal mais importante do mundo. É a história do viajante que encontra três cortadores de pedra e pergunta a cada um o que está fazendo. “Cortando pedra”, responde o primeiro. “Fazendo uma pedra angular”, explica o segundo. O terceiro revela a epifania: “Estou construindo uma catedral”. Pois, o Prêmio ARI que divulgou os resultados nesta quarta-feira (19/12) nos revelou os construtores de catedrais.

 

 

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