Prof. Juan Pablo D. Boeira-11-01-19

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DESIGN THINKING – O FIM DO MODISMO

Finalmente a década do Design Thinking está terminando no Brasil, mesmo eu já vindo mencionado as inúmeras fragilidades deste instrumento desde 2012. O Design Thinking deu à profissionais e vulgo consultorias, alguns benefícios, mas que estão demonstrando na prática claramente a sua fragilidade. Pois não existe nenhum case de inovação radical/disruptiva com sucesso financeiro comprovado no mundo no qual o Design Thinking tenha contribuído relevantemente e diretamente para aumento de EBITDA, embora alguns profissionais e consultorias acreditassem que fosse um truque de processo e produzisse mudanças consistentes.

O Design Thinking originalmente tinha a pretensão de oferer ao mundo dos grandes negócios – que é definido por uma cultura de eficiência de processos – uma sistemática totalmente nova e que prometia entregar “criatividade”. Ao “empacotar” a criatividade em um formato de processo, os usuários puderam expandir seu engajamento, algum impacto e vendas dentro do mundo corporativo. As empresas passaram então, a amar e acolher o Design Thinking porque ele era empacotado como um processo.

Algumas empresas acabaram absorvendo o processo do Design Thinking, transformando-o em uma metodologia linear, fechada, por livros e que apresentou, na melhor das hipóteses, algumas mudanças incrementais.

Uns certos CEOs em particular, assumiram o Design Thinking implementando-o como o Seis Sigma e outros processos baseados na eficiência. Mas, para apelar para a cultura empresarial do processo, ele foi desnudado na confusão, no conflito, no fracasso, nas emoções e na circularidade que é parte integrante do processo criativo. Em algumas empresas, gestores aceitaram que a bagunça juntamente com o processo ocorresse para tentar chegar em algum tipo de inovação. Mas obviamente, isso não aconteceu com eficiência real. Como os profissionais do Design Thinking nas consultorias reconhecem agora, a taxa de sucesso do processo foi baixa, muito baixa.

Embora alguns programas pontuais em Inovação Social na Parsons, na School of Visual Arts, em Stanford, na Columbia e em outros lugares nunca teriam sido desenvolvidos sem o advento do Design Thinking, ser utilizado como um instrumento chave de inovação, ultrapassa o conceito de vergonhoso. Pois denota uma clara falta de conhecimento do que é inovar. O Design Thinking acabou se popularizando apenas por trabalhar com “criatividade” e todo mundo gosta de criatividade porque acreditam que são, ou foram, ou podem ser criativos.

Contudo, como criador e usuário de inúmeros instrumentos e ferramentas de Inovação, tenho claro que não podemos idolatrar nenhum instrumento ou ferramenta de inovação como a última maravilha da galáxia. Pois como vivemos em um sistema mercadológico dinâmico, líquido e em rede, onde cada contexto tem as suas peculiaridades, precisamos ter é uma Inteligência Criativa, que é a capacidade de enquadrar problemas de novas maneiras e de criar soluções originais através de uma nova forma de raciocínio.

Qualquer um pode ter uma baixa ou alta capacidade de enquadrar e resolver problemas, mas essas duas capacidades são fundamentais e podem ser aprendidas. A inteligência criativa – conceito este que estou desenvolvendo a partir da minha tese doutorado – pode ser trabalhado dentro do espaço intelectual de jogos, planejamento de cenários (ver livro “Branding por Meio da Gestão pela Inovação), pensamento de sistemas, entre outros campos. É uma abordagem sociológica na qual a criatividade emerge da atividade grupal e não uma abordagem psicológica dos estágios de desenvolvimento e do gênio individual. Já dizia um velho ditado africano que, “uma pessoa pode andar mais rápido em algumas situações, mas em grupo, chegamos mais longe”.

Prof. Juan Pablo D. Boeira

Administrador (PUCRS) com pós graduação/extensão em Comunicação, Marketing, Finanças e Branding pela ESPM. Certificação em Leading Product Innovation pela Harvard Business School (HBS), Business Dynamics pelo Massachusetts Institute of Technology (SloanMIT) e BIG DATA pelo INSEAD. Doutorando e Mestre em Inovação / Design / Projetos Estratégicos pela UNISINOS. Professor de MBA da ESPM, UNISINOS, UNIRITTER, FEEVALE, LASALLE, SENAC e fundador da Escola de Marketing da Alta Performance e Inovação  (EMAPI/UNISINOS).

 

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