Soraia Hanna

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Por que gosto de política?

Por Soraia Hanna – Sócia-diretora da Critério

Talvez minha origem árabe – afeita à conversa e ao poder do convencimento – explique um pouco de meu gosto pela política. De certa forma, foi ela que me levou ao jornalismo. Ainda com 19 anos, na minha terra natal, São Vicente do Sul, um amigo, candidato a prefeito, precisava de alguém para organizar seu programa de rádio. Necessitava de apoio com roteiro, estrutura e conteúdo. Como gosto de desafios, parti para a empreitada, mesmo sem sequer sonhar com o mundo da comunicação. A experiência foi gratificante: de último lugar nas pesquisas para uma derrota por apenas 89 votos. Mas mais do que o resultado em si, a partir dali entendi que estava talhada para viver com plenitude a comunicação. E assim segui a minha trilha, aprendendo e respeitando a importância da política para o aprimoramento da democracia.

Tive a oportunidade de trabalhar em governos como o de Antônio Britto, de Germano Rigotto, no Banrisul e na Secretaria de Desenvolvimento do governo Tarso Genro. Hoje, como sócia-diretora da Critério, acompanho a trajetória de muitos líderes e gestores públicos. Ao longo desse período, vi que os bons propósitos se sobrepõem e, independente da vertente ideológica, há um nítido esforço em se fazer o melhor.

Por isso, vejo com preocupação o discurso da negação da política. Quem acompanha o processo sabe que o nível e o tipo de debate decaíram muito, em todas as esferas públicas. Mas cruzar os braços e fazer terra arrasada não passa de uma reação juvenil. A maturidade nos ensina que os acertos não serão valorizados sem os erros.

No mundo opinativo em que se transformou a bolha das redes sociais, há de se ter muita serenidade. Primeiro para não pensar que a força organizada de um determinado grupo, que sabe se valer da repercussão e da utilidade dos robôs, representa toda a opinião pública. Tampouco menosprezar movimentos legítimos e que contribuem com o bom debate. A chave é sempre o equilíbrio.

Nesse contexto, os veículos de comunicação têm um papel essencial: primar por um conteúdo de qualidade, relevante para a sociedade e que contribua para uma análise mais abrangente e menos simplista ou dicotômica. Não basta amplificar o óbvio, as velhas pautas de sempre, com os contrapontos dos mesmos. A busca do trigo deve ser tão intensa quanto a explanação do joio. O bom exemplo, mesmo que limitado em sua profusão, tem uma capacidade profunda de transformar e tocar as pessoas. Enquanto o negativo, que também tem sua função, se alastra feito pólvora, mas não demarca, não gera efeito no comportamento.

Vivemos um ano de grande oportunidade. Escolhas serão estendidas a todos os cidadãos que terão liberdade para optar no que acreditam ser o melhor caminho, mas sem falsas ilusões e sem dependências paternalistas dos santos milagreiros. O milagre fazemos todos os dias com a força do nosso trabalho, respeitando as diferenças e construindo um futuro justo e solidário.

 

 

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