LUIS MARIANTE-10-08-2018

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AO MUNDO MODERNO

 

Por Luis Mariante, artista e vivente de Porto Alegre

 

Se você é dessas pessoas que lutam pela democracia, defendem a ideologia de gênero, berram pela justiça histórica, que se rotulam em nome de qualquer tragédia, que estão certos que houve um golpe, que só comem coisas saudáveis, absolutamente contra os agrotóxicos, que é politicamente correto, que faz parte do jet set, que é fashion, que fez ortodontia e tem os dentes mais brancos que se os escovassem com Omo, que assistem filmes cultos e andam totalmente engajados, que se depilam e fazem plástica, que assiste novela em mega telas, que vão às baladas e andam de lancha e, principalmente, têm carro, mas defendem a unhas e dentes ciclovias, deixo esse recado para vocês.

A exorbitante quantidade de automóveis, motos, bicicletas, todos conduzindo, na sua maioria, apenas um tripulante que ocupa uns 2, ou 4m², impedem que qualquer pessoa com problemas de locomoção corporal ou com deficiências auditivas ou visuais consiga realizar o prosaico ato de atravessar uma rua.

Uso a máquina fotográfica para poder enxergar uma remota possibilidade de fazer isso.

Aí, um gordo com a família, entra numas que eu o estava fotografando. Deu-se uma sequência absolutamente bizarra, depois de ter feito a volta na avenida de forma audaz, para querer me tomar minha máquina. Bem que tentou

Um pé no joelho dele, resolveu o caso; porém, a polícia viu e parou, mostrei as fotos que estavam na máquina, me perguntaram se eu queria registrar a ocorrência, claro que não, caguei e me fui em busca do sol. Mais tarde comprando pão no boteco, alguém comentou que tinha um gordo sendo algemado na Av. Diário de Notícias. Bem feito!

Mas nada disso os exime; comecem a olhar mais para as pessoas. Já que vocês falam tanto em solidariedade, em justiça social, em incluir os excluídos, um alerta: pedestre é gente; não é 2.0, não tem ABS, muito menos é hidramático, não tem ar condicionado, nem air bag; o que dirá de som quadrifônico. Ele apenas caminha, e está cada vez mais excluído do direito ancestral de caminhar. Se não cair num buraco, não for atropelado, com certeza será assaltado.

Deixem de serem tão presunçosos e covardes. Deixem o carro e vão viver o experimento de quem se conduz pelos próprios pés. Vocês irão se surpreender com a sacanagem circulante.

Era isso que eu tinha a dizer; em tempo, agora vou começar a fingir que sou um excepcional; vou trancar vocês numa sinaleira qualquer. Me aguardem…

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