Irineu Grinberg-14-12-2018

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Novos padrões de atendimento

Por Irineu Grinberg – Ex-Presidente da Sbac Diretor da  Lab  Farm Consult

Num passado relativamente distante, nas décadas de 40 e 50 do século passado, todo e qualquer tipo de inovação demorava muito tempo para chegar ao   nosso convívio. Costumo lembrar e citar como exemplo o fantástico filme “A era   do rádio”, de Woody Allen, talvez o melhor que tenha assistido até hoje. O filme é ambientado no ano de 1946 em New York, não podia ser outro lugar em se tratando do autor. Os cenários, simples, constituídos por algumas filmagens externas e apenas um estúdio de uma rádio local. O tema, apenas jazz e o temor de uma invasão aérea por remanescentes da Luftwaffe, a poderosa força aérea da Alemanha nazista. A II Grande Guerra encaminhava-se para final. Os equipamentos do estúdio da rádio, fui constatar muito depois, eram exatamente iguais ao da PRH2- Rádio Farroupilha de Porto Alegre, que costumava frequentar aos fins de semana, quando participava de programas infanto-juvenis de calouros e de perguntas sobre assuntos diversos com respostas remuneradas, onde costumava complementar a mesada.

Sempre tive muita curiosidade por assuntos ligados à microfonia e efeitos sonoros. Portanto, frequentar um estúdio ou auditório de uma estação de rádio era uma fonte de conhecimentos inigualáveis. Os equipamentos de sonorização da Radio Farroupilha, iguais aos do filme. Uma dúzia de anos após, trouxe-me a percepção e me fez pensar no tempo em que as novidades e inovações demoravam até chegar ao nosso ambiente.

Nos tempos atuais a velocidade de entrada de qualquer lançamento global, sejam de coisas materiais, ideias ou apenas pensamentos invadem nossas vidas e mentes de forma quase instantânea.

A revista VEJA de 24/10/2018 na página de economia e negócios textualizou o tema de uma transação comercial nos EUA, que poderá mudar de forma transcendental o atendimento em Saúde.

A fusão da rede de Farmácias CVS, maior do planeta, com aproximadamente 10.000 lojas, com a AETNA, uma das maiores operadora de planos de saúde, que ostenta em seu portfolio uma carteira de 44 milhões de clientes. Transação avaliada em 69 bilhões de dólares. A intenção inicial, segundo os players envolvidos na transação seria a de diminuir os custos em saúde que, como é sabido, nos EUA são os mais altos do mundo. A previsão para 2018 está avaliada aproximadamente em 19% do PIB.

A ideia fundamental seria a de transformar as lojas da CVS em porta de entrada para os clientes da AETNA, onde seriam realizadas triagens de pacientes, bem como o tratamento das doenças de baixa complexidade e acompanhamento terapêutico de enfermidades crônicas. A quantidade de lojas e capilaridade da rede CVS se adaptaria de forma notável a esses propósitos.

A Walgreen, segunda rede de Farmácias em importância também ampliou seus tentáculos, associando-se ao Grupo LabCorp de Laboratórios de Análises Clínicas, tentando, talvez, refazer-se do insucesso anterior quando abriu as suas portas para a finada Theranos.

A recente manifestação da Amazon, Banco JPMorgan e o super investidor Warren Buffett declarando intenções de criar uma operadora de planos de saúde sem finalidades lucrativas, tendo como meta amenizar os custos em Saúde de seus funcionários, poderá ser um prenúncio da criação de um empreendimento de tamanho nunca antes imaginado.

Todas as citações acima exemplificam as necessidades americanas para modificar, simplificar e diminuir gastos em assistência à Saúde.

Servem também como campo de testes em tendências que serão observadas por diversos países, atentos a tudo que ocorre, e que poderão absorver alguns dos resultados positivos da experiência americana.

No nosso país, acontecimentos importantes estão chamando a atenção. A tendência em novas negociações para o pagamento de internações e tratamentos ambulatoriais por pacotes de valores pré fixados, através das metodologias DRG – (Diagnosis Related Groups). A ineficiência da porta de entrada aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde. A transformação da Farmácia em estabelecimento de Saúde, e a aquisição da rede de Drogarias Onofre pela CVS, coincidentemente a mesma que realizou a fusão com a AETNA.

Tratam-se de instigantes exercícios de imaginação que, de alguma forma, ainda não se sabe como, irão agitar e impactar os padrões atuais de atendimento e, no mínimo, torná-los mais práticos e eficientes.

Fazem lembrar a antiga Pharmácia, também do século passado, que não sobreviveria se não tivesse disponível em suas instalações um consultório médico.

Esqueci apenas de citar que nos programas de jovens calouros cantores, apesar de razoável nunca consegui prêmio algum. Havia uma menina no grupo cujo nome era Ellis Regina Carvalho Costa.

 

 

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