Marcia Budke-25-01-19

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PESSOAS INTERESSANTES SÃO INTERESSADAS

 

Por Marcia Budke – Diretora da Brazo Midia | Especialista em Marketing Digital

 

 “Todos os homens, por natureza, são inclinados ao conhecer”. Esta frase foi escrita pelo filósofo Aristóteles, há mais de 2.400 anos atrás, na abertura do seu famoso tratado chamado “Metafísica”. Mas, o que será esse “conhecer” a que Aristóteles se refere, senão o resultado da curiosidade humana? Sim, porque só conhecerá alguma coisa quem de fato tiver a intenção, somente as pessoas que correm atrás, que tem vontade, enfim, essas são as pessoas que se interessam. A curiosidade humana, portanto, nada tem de nova, embora seja comum conhecermos gente para quem poucos assuntos sejam motivo de interesse ou curiosidade – a não, é claro, interesse por elas mesmas. Se pensarmos bem, quem não conhece pessoas desinteressantes? Pois elas existem aos montes por aí. Mas a grande questão é porque, afinal, tais pessoas nos parecem tão desinteressantes? E a resposta para isso é a mais simples e óbvia possível: porque elas são pessoas desinteressadas. Pessoas desinteressadas são sempre desinteressantes.

Essa é uma dura realidade, porque mesmo nos nossos fantásticos tempos de grande conexão através das redes sociais, de inúmeros dispositivos eletrônicos à nossa disposição, basta abrirmos uma porta e dezenas de pessoas desprovidas de qualquer outro interesse – a não ser no próprio umbigo – saltarão imediatamente à nossa frente. Nada disso, é verdade, era estranho à época em que viveu o filósofo, pois assim como ocorre ainda hoje, Aristóteles também estava rodeado por essas pessoas que, como se diz hoje em dia, não querem saber de nada. Tudo bem, alguém dirá, mas o nosso ponto aqui é outro. Pois se sempre existiu tanta gente sem maiores interesses, a não ser sobre elas mesmas, talvez possamos nos perguntar sobre o que levou o velho filósofo, 400 anos antes de Cristo, a abrir um livro com essa “curiosa” frase que afirma que é o desejo do conhecimento o que move os homens? O que teria ele hoje ainda a nos dizer sobre a vontade de conhecer, ou seja, sobre a curiosidade? Pois para quem não sabe, aqui vai uma pequena lista das ciências sobre as quais Aristóteles pensou, escreveu a respeito, sistematizou pela primeira vez, a maioria das quais ele mesmo fundou: física, astronomia, cosmologia, meteorologia, mineralogia, biologia, botânica, anatomia, fisiologia dos animais, zoologia, psicologia, moral, economia, política, retórica, estética, poética, gramática, lógica, sem falar na sua contribuição mais estupenda e enigmática, a metafísica. Só de enumerar essas realizações, já uma nova dúvida nos ocorre: como pode uma única pessoa ter pensado sobre tantas coisas no espaço de uma só vida, e isso sem o auxílio de luz elétrica, caneta e papel, computadores, internet? Você não acredita? Acha que não é possível que uma só pessoa tenha estudado tanto, tenha tido tanta curiosidade, tenha feito tanto, por ele mesmo, e porque não dizer, também por nós modernos? Então seja curioso e descubra você mesmo. Sem dúvidas, é difícil que ainda apareça no mundo outra pessoa com tantos talentos e capacidades, mas foi exatamente por essa curiosidade aparentemente infinita que muitos historiadores costumam se referir a Aristóteles – numa aparente contradição em termos – como um homem “estupidamente inteligente”. Talvez devamos nos conformar com o fato que uma pessoa assim não nasce todos os dias. Mas quem disse que não podemos tentar ser, senão estupidamente inteligentes, pelo menos extremamente curiosos? Afinal, se conhecer é nossa inclinação, ser curioso não custa nada. Portanto, não desperdice mais o seu tempo!!!Feliz 2019!!

 

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