UM por UM – 08-02-19

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UM por UM

A briga por razão é algo mais corriqueiro que gostaríamos que fosse. Engraçado como gostamos de disputar com os outros quem está certo de fato, como se fosse possível dizer o que é certo ou errado; não é querendo mergulhar a temática no relativismo, porém precisamos compreender que as diferenças existem para nos dar opções. E não para fomentar disputas tão acirradas ao ponto de servirem de “justificativa” para agressões, preconceitos e guerras.

A incessante busca por razão que nós vez ou outra praticamos é uma das maiores causas de desavenças no cotidiano, e pode ser observada nos mais variados segmentos de nossas vidas; no relacionamento conjugal a mesma é motivo de piada para ambos os gêneros. Jargões como: “Mulher sempre acha que está certa!”, “Homens são todos prepotentes!” são alguns exemplos disso. No seio familiar também podemos vislumbrar alguns típicos casos da síndrome do ego inflado, os pais com relação aos filhos, chega a ser cômico, por mais errados que estejam sempre usaram o pretexto de que são seus pais e raramente assumiram que estão ou fizeram algo de errado.

Verdades dogmáticas são dogmáticas para aqueles que nelas creem. Todavia vivendo em sociedade precisamos estabelecer regras para tornar nossa convivência o mais próximo civilizado possível, uso de leis, moralidade e do pouco praticado bom senso são indispensáveis para tal. Se bem que a referida “moralidade” está um tanto em baixa na atualidade. Em suma a moral pode ser entendida como regra de conduta que caracteriza as imposições e proibições que uma pessoa coloca sobre si mesma em relação a suas decisões e atitudes. Procurando limitar os interesses do inconsciente que busca somente o interesse próprio não se preocupando com os próximos. Em meio a uma sociedade cada vez mais mesquinha, onde o singular quase sempre suplanta o plural não é difícil perceber por que a síndrome do ego inflado tenha se alastrado com tamanha facilidade.

Chamo este comportamento mesquinho de síndrome, pois de fato é. Porém, apesar de todos nós, vez ou outra apresentarmos sintomas da mesma, se render a esta patologia social é uma escolha individual. Compreendo que seguir o fluxo das coisas é sempre mais cômodo do que tentar compreender o realmente te impulsiona a agir e se esta ação condicionada é o que de fato desejas. Porém particularmente não é de meu feitio seguir a maioria sem me questionar antes, vejo que é justamente isso que falta a muitos de nós, se questionarem, antes de tentar achar a falha no outro procure-a em você; esta obsessão por estar certo é que mata nossas relações sociais. Um pouco de tolerância, tentar ver as situações partindo do prisma interpretativo do outro contribuirá e muito para o fim do maior paradoxo que a humanidade vive hoje, que é a falta de humanidade.

Uma mudança de postura se faz necessária para evitarmos nossa extinção por meio de nossas próprias mãos, o combate a esta síndrome é crucial para nossa sobrevivência. Já disse Mahatma Ghandi: “Seja você a mudança que quer ver no mundo”.  Façamos nossa parte, não é preciso um renomado analista social para perceber que a sociedade (global) está doente por ficar demasiadamente imersa em seus próprios valores, este ostracismo fomenta apenas o egoísmo e disso não precisamos, nem um pouco!

 

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