OS JOVENS DE HOJE-15-02-19

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OS JOVENS DE HOJE

Ser jovem hoje é mais difícil do que foi em outras épocas, mesmo que isto possa parecer inverossímil, pelas facilidades atuais.

Os pais são mais compreensivos, tolerantes, há maior liberdade sexual, de expressão e escolha profissional, o que era inimaginável no passado, entretanto, a dualidade do atual pensamento social coloca, lado a lado, toda a facilidade disponível e a exigência cada vez maior no que diz respeito à competência profissional, à estética, ao sucesso, entre outras coisas, constituindo e sendo responsável por novos sintomas que se manifestam nas relações familiares, na escola e no próprio corpo.

No mundo, hoje, tudo é muito rápido, é mais tecnológico, é todo digital, interconectando uma aldeia global. Hoje não conversamos com a nossa vizinha, batendo um papo na janela.

Os jovens de hoje, abrem o windows e vão direto para as redes sociais e com isso, até os cafés agora também são virtuais. Vivemos uma época em que tudo se entrega, desde pizzas, vídeos, flores, livro, remédios, eletrodomésticos, até drogas proibidas.

Nossos jovens vão formando suas personalidades num mundo de entregas rápidas, de soluções imediatas, de falta de espaço para a espera e o amadurecimento, por isso reúnem características diversas e, por vezes, conflitantes como: individualidade, consumismo, má-educação, agressividade, rebeldia, radicalidade, etc.

Como exigir dos jovens que têm à sua disposição todas as facilidades proporcionadas pelos pais e professores, que saiam à luta, que encarem as frustrações que toda conquista requer?

Muitos destes jovens são entregues aos cuidados da escola, do motorista, do terapeuta, para que sejam capazes de estabelecer limites, porque os próprios pais têm dificuldades em educá-los.

Como resultado, os jovens passam a fazer das suas relações com os outros uma forma de exteriorização do seu mal-estar, advindo daí problemas tais como dependências de drogas, delinquência, criminalidade, prostituição, desemprego, entre outros.

Estes comportamentos desviantes são complexos, pois suas causas são múltiplas. Daí a importância da estrutura familiar para a construção da identidade e personalidade dos adolescentes. Se não há uma estruturação sólida, haverá um vazio, uma explosão desagregadora do seu universo e o jovem que se encontra em formação interioriza modelos de relação distorcidos e vai repetir, o que foi aprendido nessas experiências precoces, em padrões de comportamentos desviantes que se fixarão em quadros clínico-patológicos no adulto jovem, caso não haja intervenção terapêutica em tempo para recuperação, por isso é importante crescer tendo referências predominantes de bons modelos.

Esta geração não está perdida, mas perdidos estarão os adultos se não compreenderem que, apesar do descartável e da correria, os jovens precisam da solidez dos valores e da experiência dos mais velhos, de uma boa estrutura familiar, mesmo que eles, com toda onipotência da juventude, achem isso tudo muito ultrapassado.

É na juventude que desbravamos o mundo, descobrimos quem somos, aprendemos com as experiências da vida e vivemos aquilo que, quando formos mais velhos, será a fonte da nossa sabedoria.

Podem mudar o mundo, surgir novas tecnologias, novos ídolos, novas modas e um novo tudo, mas ser jovem vai ser sempre ser jovem e as coisas que acontecem na juventude ficarão sempre marcadas pela vida inteira.

Estou escrevendo essa opinião da coluna, pois uma amiga minha tentou fazer a festa das suas filhas de 15 anos em um clube tradicional e teve seu pedido negado, pois aconteceram tantas brigas, depredações e vandalismo nesse tipo de festa que o clube suspendeu as mesmas. Ainda mais, leio nos jornais que o prefeito de Capão da Canoa suspendeu a venda de bebidas alcoólicas nos quiosques do calçadão, porque os jovens estavam destruindo tudo.

Que podemos fazer? Vamos assistir tudo de modo conivente e deixar como está? Perguntas intrigantes e que merecem respostas.

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