Kátya Desessards-29-03-19

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O MUNDO TEM SALVAÇÃO!

Por Kátya Desessards – Consulting & Menthoring Inteligência Colaborativa & Comunicação Empresarial

Você sabe quem serão nossos salvadores?

Vivemos uma loucura de significâncias com a diminuição de tempo entre as gerações. Hoje, se vê que tudo está acontecendo num espaço de tempo inferior a 10 anos. Estudiosos em comportamento dizem, sob a perspectiva da gestão de pessoas, do neuromarketing e da relação entre trabalho e consumo, que não tem como avaliar o impacto dessa redução do tempo porque, as duas últimas gerações ainda estão no seu processo orgânico de formação.

Vem se falando com força – desde 2016 – na onda disruptiva de conceitos, modelos mentais e dos sentimentos de significância e propósito na nossa relação das coisas…de sair da ‘caixa’, de sair do ‘quadrado’…e por ai vai uma imensidão de novas nomenclaturas levadas à gestão, à pessoas, trabalho, consumo, produção e, a uma nova postura: do Ser Comprometido – com seu ambiente, seu lugar de vida… resumindo, com o planeta e nossa natureza.

Mas nem tudo são flores… As gerações: Baby Boomers (nascidos pós-2ª Guerra Mundial 1945 e décadas de 1959), Geração X (nascidos de 1960 até o final de 1979) e Geração Y (nascidos de 1980 e até 1994), são das pessoas que fazem a história até agora e comandam o mundo político, econômico, religioso, das ciências, etc. Procuro ler tudo sobre estas mudanças para entender com que tipo de expectativa estamos lidando, mas sempre fico com  uma sensação de que todos os conceitos se repetem ou trazem algo de vazio – como se tudo ficasse resumido a dialética…

Sou da geração X. Mas não me encaixo, assim tacitamente. Tenho orgulho do que vivi e de quem sou…mas nunca me aceitei nessa retórica quadrada, encaixada, perfilada, conduzida, supérflua e sem noção do valor do outro. Isso não me representa… Mas me dá direito de confrontar com meus argumentos, pois o resultado disso está impregnado nas empresas…

Sinto um feixe de raiva quando: gestores e recrutadores falam em “o foco são as pessoas”, “precisamos pensar fora do tradicional”, “vamos fazer diferente”… Fico pensando para quem eles estão falando exatamente? Acredito que muitos pensam e até agem assim, mas na maioria é só discurso ao vento. É retórica, como um script de ‘call center’.

Tenho presenciado esta ‘pseudo revolução’ de sair do lugar e voltar – exatamente – ao mesmo lugar…apenas com uma nova nomeclatura de personagens da última década da geração X e parte considerável da geração Y…esta geração – em particular – lhes confere uma ‘aura’ de ‘fazer diferente”, mas ao contrário do discurso, são educadamente cruéis, superficiais na essência e por terem experiência de vida não consistente…suas percepções são rasas sem a visão periférica que a vivência dá para uma análise mais sensível dos cenários, sejam quais forem. Perguntas martelam e martelam na cabeça… Será que ao passo que a tecnologia avança e facilita nossas vidas…este é motivo para sermos mais desinteressados com o outro e com o que acontece a sua volta?

‘Carpe Diem’… o mundo evolui porque questionamos…

De repente, uma luz. Passando minha usual zapiada nervosa pelos canais… parei num documentário sobre Ginsberg, Kerouac e Burroughs intelectuais integrantes do grupo de jovens do movimento literário, originado em meados dos anos 1950, cansados do modelo quadradinho de ordem estabelecido nos EUA do pós 2ª Guerra Mundial.

Fiquei paralisada, animada e perplexa. Se não fosse o ano, a formalidade da própria rebeldia…diria que estavam falando do conceito que inunda palestras e formações de executivos hoje… O imperativo pensamento ‘Disruptivo’, de ‘sair da caixa’, ‘sair do quadrado’…

Quanto mais o documentário avançava, mais identificava as semânticas de hoje. A total rebeldia da geração Beat – como estes jovens rebeldes foram chamados – baseada em linguagem direta, transgressora, com muitas gírias, mas totalmente recheada de conteúdo, de ideias de uma nova postura social, de debatedores que usavam a experimentação aos seus limites…quase beirando uma natural obscenidade… Havia uma indiscutível geração de propósito com causa e efeito de mudança.

Sempre achei os anos 50 os mais intrigantes. Na minha visão, foram os verdadeiros anos psicodélicos… os hippes de década de 70 foram um subproduto desses reais rebeldes. A geração Beat influenciou a geração seguinte, a X. E, na minha humilde análise, a geração Beat, deveria aparecer como uma janela de tempo, cortando a geração Baby Boomers, pois, as evidências mostram que foi a geração Beat (que mesmo fazendo parte da Baby Boomers), a que produziu – efetivamente – o 1º movimento disruptivo. As características do movimento, que chegou a diversas formas de arte, durou – enquanto movimento – entre 1944 e 1959, e traduziu críticas ácidas e debates reformadores. As ações e linguagem eram com…

…intensidade em tudo: no estilo narrativo, nos temas, nos personagens.

…escrita compulsiva.

…fluxo de pensamento desordenado, por vezes caótico.

…linguagem informal, cheia de gírias e palavrões, ou com o chamado “hip talk” (um vocabulário típico do submundo marginal da cidade de Nova York).

…grande valorização da transmissão oral.

…apoio à igualdade étnica, à miscigenação e às trocas culturais entre raças.

Nossa! Há anos havia lido algo sobre os tempos da geração Beat, mas na época não me chamou a atenção. Não deu importância. Mas agora foi como um despertar. Sabe aquela sensação que falei no início…pois é… ela se explicou. Agora tudo fez sentido. Pondero que a geração Beat deveria constar dentre as gerações que emolduram comportamentos, pois apesar dos seus integrante aturarem com força na cultura…a força de suas ações foram a tal 1ª disruptura do pensamento ‘quadrado’, e hoje trazemos traços dessa herança.

Eureka!!! Me vi diante do elo perdido em todas essas ‘performances’ conceituais sobre as gerações do novo milênio. Hoje, estamos no processo do 2º movimento disruptivo, mas sendo lançado para nós pela geração Z influenciada pela geração X, e não pela geração Y, essa é a diferença na percepção, pois a maioria – erroneamente -, atribui esse novo rompimento do ‘status quo’, à geração Y. Mas não é a verdade. Os Ys, estão impondo a ‘mudança’ e – efetivamente – são os que não saem do lugar. São preocupados mais consigo do que com o outro, e é ai que cai a ‘máscara’.

Sabe aquele ditado popular… “Nada se inventa, tudo de copia…”, ou algo parecido com isso. Então, fato é que estamos vivendo – exatamente – na Era do Retorno ao passado… parece um contra senso, quase uma loucura, mas – pasmem – tem lógica.

Com tanta tecnologia, tanta comunicação instantânea e tanto avanço da ciência… A atitude, o ‘modus operandi’ das três gerações no comando do mundo hoje (Babys, X e Y), são – cada qual – versões de partes da personalidade da geração Beat. E nessa equação, o resultado para a geração Y foi ter se perdido no seu egocentrismo, achando que são os detentores da nova linguagem, da nova ordem social. Só que não!

Hoje, a geração Y se perdeu nesse caminho num tipo de ‘erro’ na programação, o que deixou todo o ‘sistema’ com ‘bug’…pois se distanciou de alguns valores que são essenciais: humildade, por exemplo. Há muita autoconfiança, muita visão reta, muita soberba por terem muitos títulos… No entanto, diplomas e certificados não dão experiência, nem visão, nem habilidade, nem produz competências e tão pouco lhes dá direitos adquiridos na escala social.

Assim, como antiguidade (de idade ou de tempo de empresa) não é mais posto. Mas essa geração tem algo de pedante, de desrespeito com quem construiu o que hoje eles estão usufruindo. É uma geração de ‘mimados’, que se ’empoderam’ de discursos politicamente corretos, mas que – na prática – de ações dissimuladas…

Não somos só bons ou maus. Mas, fato, que é muito claro os traços de conduta dentre as gerações… Se analisarmos apenas artigos e reportagens de jornais e revistas pelo mundo, vamos detectar isso, inclusive com requintes de sutilezas de traços das personalidades dos grupos sociais. Óbvio, que em todas as gerações há os totalmente rebeldes…que saem da curva dos conceitos…tipo eu…J…e um batalhão de gente que transitam dentre as gerações…

Seguindo a lógica entre gerações, hoje estamos ‘gestando’ a educação de duas gerações que vão comandar o mundo: Geração Z (nascimento entre 1998 e 2010) e a Alpha (Nascimento a partir de 2011, em aberto). Acompanho fervorosamente estas duas gerações, pois tenho um filho de 16 anos e uma filha de 6 anos. Observo seus amigos, seus colegas, suas famílias e as características que lhes são atribuídas, me parecem bem fidedignas, quase na ‘risca’.

A geração Z nasceu no turbilhão político e financeiro. Tem uma relação mais sustentável com o dinheiro e querem fazer do mundo um lugar melhor na real, fora dos discursos. É a 1ª geração 100% digital e já nasce no mundo conectado, o que lhes lapida para serem mais inteligentes, seguros e maduros desde muito novos. São dispostos a trabalhos voluntários, conscientes da importância da educação e possuem fortes noções éticas e sociais. É a geração que abraça a diversidade e lidera a mudança ao agir no mundo por meio de ações práticas. Por isso, que são estes grupos de pessoas as responsáveis pelo 2º movimento disruptivo. Não a geração Y.

E a atual geração Alpha, são os herdeiros da segurança e das noções éticas vindo da geração Z. Os Alphas vibram e são a energia da transformação na sua essência. É a geração dos conectados e autossuficientes que não veem a tecnologia como algo separado da vida humana. Tudo é conectado a tudo.

São as gerações Z e Alpha que salvarão o mundo do estrago que as gerações Baby, X e Y, estão fazendo. O mundo está num processo disruptivo por causa deles. Estamos repensando nossos conceitos e ações, por causa do ‘dedo na moleira’ que a geração z está nos impondo.

Graças a D’us!! Há esperança para o mundo. (Não pra nós).

Os nascidos de 1990 até agora, são os fortes, os sustentáveis, os conscientes com tudo e todos. E o que a geração Beat deu a partida – (depois houve a estagnação na consciência das pessoas até 1989) – e entram as gerações Z e Alpha no jogo…e são eles que vão terminar com requintes de consciência e sustentabilidade neste 2º movimento disruptivo.

Coisa que nós não aprendemos a ser. Santa burrice!!

Sorte pro planeta… nosso tempo de validade espira logo.

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