Desafio da Inovação no mercado gaúcho 26.04.2019

‘Vamos continuamente atrás da inovação, de soluções para reinventar nosso negócio’, diz Baisch

Não é de hoje que nos debatemos com o desafio de “ter que inovar”! Isso porque inovar está intimamente ligado à necessidade de sobrevivência nos dias de hoje. Evidentemente que, com o acesso à informação, isso ficou mais intenso e tem ocupado cada vez mais a agenda de todos no mundo corporativo. Você dever ser mais um angustiado com isso.

Então o que fazemos? Nos inscrevemos compulsivamente em todos os fóruns, seminários, palestras, rounds internacionais etc., a fim de encontrar o caminho revolucionário encontrado por Apple, Amazon, Uber ou Airbnb. E não me diga que nos eventos que você foi esses cases não lhe foram apresentados! Depois disso, voltamos desses competentes eventos com a cabeça fervendo. Eu, ao menos, nem durmo direito depois de ver o que está acontecendo na China, por exemplo. Mas o que acabamos aplicando de fato? Nada ou muito pouco. Tenho percebido por anos no processo de aceleração e desenvolvimento de negócios que estamos quase sempre cometendo cinco grandes erros que não nos permitem inovar:

1) Distância do cliente. Estamos distantes do cliente, distante da experiência do dia a dia, há muito tempo sem colocar a barriga no balcão. Qual foi a última vez que você teve uma conversa com clientes sobre a experiência de compra deles? Última vez que fez um cliente-oculto no concorrente? Sério, não vá num evento de inovação sem ter certeza que está cumprindo bem essa etapa. Você vai ouvir coisas maravilhosas, e possivelmente muitas delas seu cliente nem queira.

2) Compreensão dos limites. Acreditem no que estou dizendo! Temos que ter autocrítica suficiente para entender os limites culturais de nossos clientes, de nosso mercado e, além disso, os nossos limites organizacionais, operacionais e financeiros de onde trabalhamos. Não dá para voltar para casa com cases “galácticos” quando nosso cliente não entende, não compra e, literalmente, não quer. Não adianta estudar case de Nova Iorque quando nosso desafio passa pelo interior do Rio Grande do Sul. Nem melhor, nem pior, apenas absolutamente diferente.

3) Garantia do Core Business. Pensar “fora da caixa” é outro termo que muitos usam todos os dias para provocar a inovação. Mas mais uma vez, reforço: deve pensar “fora da caixa” quem já cumpriu seu papel de qualidade, atendimento e atenção ao cliente; antes disso é queimar uma etapa crucial no desenvolvimento do negócio. Tem gente de olho em startup e inovação com muita reclamação do básico, péssimo atendimento, falta de produto, com dificuldade financeira e com marca queimada.

4) Uso de dados. Nunca Inteligência Artificial, Big Data, IoT etc. foram tão importantes para o desenvolvimento do negócio. Temos feito muitos esforços de captura de dados, mas precisamos avançar para análise, previsão e, fundamentalmente, prescrição de caminhos efetivos para que os dados sejam úteis de fato. Em resumo, temos que saber o que fazer com eles.

5) Pessoas. Estou falando aqui de pessoas competentes. Poucas empresas designam uma estrutura interna a lidar com o desafio da inovação. Voltamos mais uma vez de excelentes conteúdos e, quando chegamos em nossas empresas, não temos ninguém para colocar em prática. O rodo cotidiano em empresas cada vez mais enxutas dão valor ao operacional do hoje e destroem o estratégico de amanhã. Vamos continuamente atrás da inovação, de soluções para reinventar nosso negócio, mas antes vamos garantir a solidez desses cinco pontos para melhor proveito do nosso conhecimento.

 

Thiago Baisch para JC 22.04.2019 – Diretor de Varejo na Biz Mindset

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