Relato de Fernando Röhsig em viagem a Israel – 27.05.2019

Primeiros dias da Jornada Técnica em Israel – reconhecendo o ecossistema.

A frase citada por Charles Krauthammer do The Weekly Standard, em 11 de maio de 1998, onde “Israel é a própria personificação da continuidade judaica: é a única nação do mundo que habita na mesma terra que leva o mesmo nome, fala a mesma língua, e adora o mesmo Deus como fazem há 3.000 anos” é perfeita para sinalizar a cultura que compõe o ecossistema da terra prometida. Compreender a cultura remete ao mindset do ambiente que formou o povo na pátria Israel. Aqui estamos falando de mil anos antes de Cristo. Um dos mais importantes aprendizados na Jornada Técnica anterior, em agosto de 2018, quando fomos ao Vale do Silício, foi justamente respeitar o mindset que vigora na região a ser visitada e compreendida.

Antes de iniciar a Jornada Técnica pelo IBGC (Instituto Brasileiro da Governança Corporativa) em Israel, seguimos a orientação da coordenação da viagem e iniciamos a leitura do livro do jornalista Ari Shavit, “Minha Terra Prometida – o triunfo e a tragédia de Israel” (Editora Três Estrelas). No livro o autor realiza uma investigação sobre  a história do seu país e do sionismo, conduzindo o leitor por fatos ocorridos em dezesseis datas cruciais, do fim do século XIX até a atualidade. Com uma narrativa que não desvia das questões polêmicas o autor procura construir ao mesmo tempo um painel que ao mesmo tempo é triunfal e trágico ao Estado judeu. Por que Israel? O que é Israel? Israel sobreviverá?

O dia do descanso em Israel não é o domingo, mas o sábado. Isto porque no Calendário hebraico Lunissolar o dia oficial do descanso é o sábado, o “Shabat”. A contagem do calendário é feita a partir da criação de Adão (7/outubro de 3.761 a.C.. ). Se baseia nos movimentos tanto da Terra em relação ao Sol quanto da Lua em relação a Terra. O Calendário de mais de 3000 anos foi encontrado nas ruínas de Tel-Gezer (entre Tel Aviv e Jerusalém).

Para responder a estas perguntas ao longo da jornada, iniciaremos com alguns dados sobre Israel:

Área: 22 km² | 13,9% arável (0.25% Brasil e 1% Oriente Médio).

Limites de Israel: Mar Mediterrâneo, Síria, Líbano, Jordânia, Egito e Mar Vermelho. 479 km de comprimento e 137 km largura máxima.

População: 8,5 milhões |92% urbana.

PIB: U$ 318,4 bilhões (Serviços 69%; Indústria 27%; Agricultura 2%).

PIB per capita: U$ 37,3 mil | 24ª do mundo.

Moeda: NIS – Novo Shekel.

Os conflitos entre 1948 e 1967 provocaram êxodo de 900 mil palestinos da região.

Independência: 1948.

     Estado democrático parlamentar (único no Oriente Médio);

     Pedaço do Ocidente no Oriente Médio: único País da região que mais garante Liberdades civis e direitos humanos para todos;

     OCDE desde 2010;

     Em constante estado de conflito militar;

     Recursos naturais escassos.

Algumas curiosidades sobre Israel:

     Israel é um dos poucos países do mundo que tem mais árvores no início do século XXI do que tinha no início do século XX;

     Israel tem mais de 150 reservatórios naturais e 65 parques nacionais;

     Israel é um dos dois países do mundo em que os desertos estão diminuindo ao invés de expandir;

     Israel é um dos líderes mundiais no desenvolvimento de fontes de energia alternativa (painéis solares, baterias carregáveis com água e ar, bactérias que ‘comem’ petróleo derramado em mares;

     Israel trata 92% das águas residuais e reutiliza 75% na agricultura; e

     Israel foi pioneira no uso de gotejamento em irrigação na agricultura.

Uma Vantagem Demográfica

Com uma sociedade pluralista, sabendo utilizar o american style, onde os direitos iguais são praticados, a ampla autonomia cultural (judeus e não-judeus) congrega ultraortodóxos, religiosos, tradicionais e seculares, LGBT e heterossexuais, muçulmanos árabes, cristãos, drusos, circassianos e beduínos num mesmo território. Destacando-se:

     Liberdade religiosa;

     Respeito às mulheres: as israelenses têm plena participação na sociedade. (premiê Golda Meir liderou o pais de 1969 a 1974);

     Liberdade de expressão e de imprensa: o premiê Benjamin Netanyahu, sob investigação por suspeita de corrupção, é alvo de cobertura severa;

     Única parada gay do Oriente Médio teve 250 mil pessoas em Tel Aviv em 2018;

     Três principais religiões monoteístas: cristianismo, islamismo e judaísmo;

     País de imigrantes: diversidade social e cultural com 80% de judeus de diferentes etnias (imigrantes de comunidade intelectual + metade  são  refugiados de países muçulmanos). Os restntes 20% não são judeus  (drusos, muçulmanos e cristãos). 43% da população tem até 24 anos: população jovem, comparada aos padrões de países desenvolvidos, especialmente europeus.

Fortalezas e Ameaças:

     Israel vem apresentando forte crescimento econômico suportado por sólida demanda doméstica e crescimento global;

     desemprego vem se reduzindo constantemente permitindo aumento dos salários no geral;

     apesar dessa dinâmica econômica, a inflação vem se mantendo muito baixa e inferior à meta o Banco de Israel, refletindo a valorização do shekel; a concorrência nas vendas inclusive pela internet; e as próprias políticas de governo para reduzir o custo de vida, o qual ainda é alto (9º maior do mundo em 2016;

     as finanças públicas se mantém equilibradas com déficit recorrente de apenas 2,9% do PIB e sua dívida declinou para 61% do PIB;

     em paralelo, os preços do setor imobiliário permanecem como um obstáculo ao acesso da população à moradia;

     em que pese a dinâmica do setor tecnológico, há desafios quanto à manutenção de taxas de crescimento econômico suportadas pela produtividade, bem como preocupação quanto à solução que se possa engendrar para a parte dos trabalhadores com baixa qualificação e novos entrantes no mercado de trabalho nas próximas décadas.

A agenda com as primeiras visitas ocorrerá em Haifa, Israel, começando no Institute of Technology, depois com a ida à Intel e Elbit Systems (Incubit, incubadora que acelera empresas para atuação em soluções para a indústria militar), com um jantar programado para encerrar o primeiro dia em Caesarea (cidade história de 25 – 13 anos antes de Cristo).

 

Fernando Röhsig é Mestre em Controladoria pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Especializações em “Managing a Global Business” pela HEC (França) e Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Gestão da Qualidade, Custos e Produção, todos pela UFRGS. Também é pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Unisinos. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS. Certificado como Conselheiro de Administração pelo IBGC (instituto Brasileiro de Governança Corportativa). Realizou cursos complementares pela FIERGS na Stanford School of Business e pela Fundação Dom Cabral na Kellogg School Of Management (Northwestern). Professor de Graduação, Pós-Graduação e Cursos In Company (UFRGS, La Salle, Sicredi, Unicred, Univates). Conselheiro Independente para Conselho de Administração, Consultivo, Fiscal e de Família. Atuação como executivo por mais de vinte e cinco anos em Finanças e Operações.

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