Relato de Fernando Röhsig em viagem a Israel – 30.05.2019

27/05/2019

Segundo dia da Jornada Técnica em Israel – no ecossistema.
O ecossistema de Israel está organizado nos seguintes pilares:
– Universidades;
– Laboratórios;
– Governo;
– Exército;
– Venture Capital; e
– Mercados Internacionais.
Difícil dizer quando a inovação começou em Israel, mas certamente as questões culturais do povo judeu foram relevantes, não com um viés religioso, mas de sua etnia. O povo judeu também é conhecido como um dos Povos do Livro. Muitos historiadores defendem a ideia de que, graças a importância do capital intelectual, os judeus superaram várias adversidades ao longo dos mais de 5.779 anos de história. Amos Oz, em seu livro Os Judeus e as Palavras diz que “…crianças e livros são a estrutura óssea do judaísmo”.
Assim como na conhecida passagem bíblica da batalha de Elah, o pequeno e ágil Davi, com um tiro certeiro de sua funda, venceu o grande e pesado Golias. Da mesma forma, Israel é um exemplo de superação onde este pequeno país de terras áridas e cercado por vizinhos hostis soube transformar as adversidades em energia para o seu crescimento.
Segunda posição em número de startups, atrás somente dos EUA, terceira posição entre países com mais empresas listadas na Nasdaq, abaixo de EUA e China, com 9 grandes universidades localizadas geograficamente próximas a cerca de 31 incubadoras, 72 aceleradoras de startups e mais de 80 fundos de investimento. Israel atualmente já contabiliza mais de 7 mil startups. Entre elas, estão as conhecidas Waze, Wix e Viber, por exemplo. Israel investe 4.3% do seu PIB em inovação e tecnologia, é um dos 5 países com maior número de registros de patentes no mundo e tem a 3ª maior taxa de empreendedores, sendo o campeão entre mulheres e adultos com mais de 55 anos.
A maioria das universidades israelenses têm parcerias com o governo e com iniciativas privadas. Dessa forma, a inteligência que provém da academia é aplicada a situações práticas. As melhores universidades montam suas agências de inovação e seus parques tecnológicos, investem recursos nas ideias mais promissoras e participam do recebimento de royalties. Através de um forte ecossistema alavancado principalmente pelos hubs de inovação, como por exemplo a Israel Innovation Authority, existe uma constante troca acadêmica e o resto da sociedade.
A partir da compreensão que a educação pode levar este pequeno país a grandes conquistas, iniciamos as visitas ao ecossitema de Israel em Haifa, no Technion – Israel Institute of Technology. Fundada ainda sob o mandato britânico, é atualmente uma das melhores universidades globais, com ênfase especial para a área de ciências exatas. Referência na área biológica e um dos grandes centros israelenses de medicina.
Departamento voltado ao setor de tecnologia: o Technion Technology Transfer (T³) é a porta de acesso às mais avançadas inovações e pesquisas científicas desenvolvidas na instituição. Acompanha projetos inovadores e spin-off companies. Dentre vários projetos em saúde, inteligência artificial, nanotecnologia, espaço, sistema autonomo de transporte, quantum, ganha destaque o sistema de irrigação por gotejamento, muito útil no território israelense devido as condições do solo e clima e que permitiu colonizar as terras para a produção de alimentos. O sistema desenvolvido permite utilizar volumes de água de forma adequada, sem enxarcar o solo e permitindo que a pressão e os mecanismos de declive e aclive não interfiram na distribuição da água ao longo das plantações. O Brasil utiliza o sistema através dos produtos comercilizados por uma empresa israelense com fábrica em Ribeirão Preto, inerior de São Paulo. Esta empresa será objeto de uma visita num kibutz situado ao sul de Tel Aviv. Outros exemplos de esforços provindos da Technion: o Gurwin TechSat II, Azilect, Innowattech, SunPal.
Maiores informações no site: https://www.technion.ac.il/en/home-2/
A segunda visita realizada no primeiro dia foi na maior empresa estabelecida em Israel, a Intel.
Estabelecida em Israel em 1974, também em Haifa, com cinco funcionários. Hoje, a empresa emprega cerca de 10.000 pessoas, além de apoiar indiretamente o emprego de 30.000 trabalhadores em Israel. Cerca de 60% dos funcionários da Intel Israel estão engajados em pesquisa e desenvolvimento de ponta, enquanto a metade suporta a fabricação em grande volume de microprocessadores que alimentam os dispositivos de computação do mundo. Como o maior empregador e exportador privado de Israel, e como líder da indústria local de eletrônica e informação, a Intel Israel é um dos pilares da indústria de alta tecnologia de Israel e um componente importante na fundação econômica do país. A Intel possui quatro centros de desenvolvimento localizados em Haifa, Yakum, Petach Tikva e Jerusalém, além de instalações relacionadas à fabricação em Kiryat Gat e Jerusalém. A Intel se comprometeu a investir 1,87 bilhão de novos shekel israelenses (NIS) em compras a cada ano na próxima década. Isso significa que, nos próximos 10 anos, a Intel gastará 18 bilhões de NIS, principalmente através de pequenos e médios fornecedores de Israel.
Uma das operações em que a Intel mais tem apostado é na pesquisa do processamento das imagens e sons a partir dos dados recebidos e transmitidos das câmeras instalados nos carros autônomos. São sistemas desenvolvidos para que seja possível consolidar as informações de RADAR, SONAR, GPS, CAMERAS DE VÍDEO de um veículo e que este possa circular de forma integrada ao ambiente de trânsito de uma área urbana ou rural, garantindo que a circulação ocorra em total segurança para todas as partes envolvidas. Na foto em anexo é possível verificar o volume de dados que serão transacionados num veículo, todo dia e a cada movimento. Imaginar este volume de informações para uma frota de carros é somente mais um dos desafios que os pesquisadores da Intel estão tentando responder.
Alguns números da Intel em Israel:
• Emprega mais de 10.000 profissionais;
• Investimento desde 1974: US $ 11 bilhões e US $ 6 bilhões em andamento;
• Investimentos anuais médios: US $ 1 bilhão;
• Taxa de voluntariado dos funcionários: 42%;
• Doações comunitárias em 2015: US$ 6 milhões; e
• Participa com 1% do PIB de Israel.
A terceira visita do dia foi na Elbit Systems, onde conhecemos a Incubit, startup de atuação para soluções para a indústria militar. Para acessarmos o ambiente da empresa não foi permitido levar aparelhos celulares e levamos os passaportes originais para uma eventual necessidade de identificação. O ambiente controlado se justifica pela atuação na área militar da Elbit. Em Israel a iniciativa privada ajuda o exército a desenvolver soluções para a defesa militar e que também pode ser comerciliazada para outros países.
É um grande negócio. No dia da visita soubemos que a Elbit havia vencido um contrato de US$ 127 milhões com um exército do sul da Ásia (não identificado), onde rádios táticos serão fornecidos durante um período de três anos e incluirão configurações para integração de veículos de combate blindados a bordo com tanques.
A Elbit é uma empresa internacional de alta tecnologia envolvida em uma ampla gama de programas em todo o mundo. Desenvolve e fornece um portfólio de sistemas e produtos aerotransportados, terrestres e navais para aplicações de defesa, segurança nacional e comerciais. Os sistemas e produtos são instalados em novas plataformas ou em adaptações modernizando plataformas existentes e também no fornecimento de serviços de suporte. As principais atividades incluem:
• sistemas de aeronaves militares e helicópteros;
• sistemas montados em capacete;
• sistemas de aviação comercial e aeroestruturas;
• sistemas de aeronaves não tripuladas e embarcações de superfície não tripuladas;
• sistemas eletro-ópticos e contramedidas;
• sistemas de veículos terrestres;
• sistemas de comando, controle, comunicações, computação e inteligência (C4I);
• guerra eletrônica e sistemas de inteligência de sinais;
• sistemas cibernéticos e de inteligência; e
• várias atividades comerciais.
Muitas dessas atividades principais têm vários elementos comuns e relacionados. Portanto, algumas de subsidiárias, divisões ou outras unidades operacionais conduzem em conjunto com o marketing, pesquisa e desenvolvimento, fabricação, desempenho de programas, vendas e suporte pós-vendas entre essas principais atividades.
Atua principalmente nas áreas de defesa e segurança interna. Houve aumento recente das alocações orçamentárias nessas áreas nos EUA e em certos países europeus, bem como redução das alocações orçamentárias em certos países da América Latina e outros países. A natureza das ações militares e de segurança interna nos últimos anos, incluindo conflitos de baixa intensidade e atividades terroristas contínuas, bem como pressões orçamentárias para se concentrar em forças mais avançadas, mas tecnicamente avançadas, causaram uma mudança nas prioridades de defesa e segurança interna para muitos dos países. Como resultado, acreditam que há uma demanda contínua nas áreas de sistemas C4I, sistemas de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), sistemas de informações centrados em rede, sistemas de coleta de inteligência, sistemas de segurança de perímetro e fronteiras, sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS), embarcações de superfície não tripuladas (USVs), sistemas de controle remoto, sistemas de defesa cibernética, capacidades de defesa baseadas em espaço e satélite e soluções de segurança interna.
Devido ao seu porte, a Elbot adotou um modelo de desenvolvimento das pesquisas incubando startups.
Terminamos o primeiro dia de visitas técnias com um belo jantar na beira do Mar Mediterrâneo na cidade e Caesarea, um local histórico, fundado entre menos 25 e menos 13 anos antes de Cristo.

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