Antonio Carlos Aquino de Oliveira-21-06-19

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O ESTADO INIMIGO.

Por Antonio Carlos Aquino de Oliveira – Administrador, Consultor, Palestrante e Empresário do setor de publicidade.

Quando as cidades estão limpas, as estradas perfeitas e cuidadas, o cidadão tem segurança para exercer o sagrado direito de ir e vir, os esgotos estão canalizados e tratados, a água e o ar têm qualidade, o lixo tem coleta e tratamento, a educação qualifica e liberta, a saúde atende as demandas da comunidade, há democracia e liberdade, há respeito ao dinheiro público, a justiça se faz célere, proba e correta, temos um Estado funcionando, cumprindo o seu dever e papel, sem favores e com méritos.

Esse tipo de Estado não é sonho, existe e é possível. Entretanto, quando nenhum dos deveres essenciais do Estado é cumprido com um mínimo de decência, eficiência, zelo e respeito, temos o que denomino Estado Inimigo.

O Estado Brasileiro, representado pelos três poderes instituídos da república, da forma que existe, opera, funciona e cuida dos recursos e da qualidade de vida dos cidadãos e cidadãs dessa nação, sem sombra de dúvida é um Estado Inimigo. Toda a sua estrutura sistêmica e orgânica foi concebida para não funcionar e, na prática, funciona mal, de forma irresponsável, perdulária, incompetente e por muitas vezes criminosa.

A forma com que o Estado Inimigo trata o cidadão comum é perversa, covarde, violenta, cruel, discriminadora, preconceituosa, racista e essencialmente burra, posto que, sem equilíbrio socioeconômico mínimo não haverá possibilidade de desenvolvimento e paz. As mesmas regras de perseguição e burocracia ao cidadão comum não valem para os bandidos de colarinho branco, para as autoridades e os amigos do poder. Não se pode falar do Estado sem deixar de apontar o dedo para quem o opera, quem ocupa os cargos e funções públicas, quem está no exercício do poder. Quem faz o mau Estado são os homens e mulheres do Estado, os agentes públicos. Tudo então se confunde na tragédia, onde o cidadão comum, contribuinte e eleitor convive com o inimigo oculto, financia o falso amigo e não consegue distinguir o mocinho do bandido.

Jorge Pontes e Márcio Anselmo, no livro Crime.Gov, contam detalhes reais da estarrecedora história recente do Brasil, que, por não provocar consequências, mudanças de atitude e reações na opinião pública, nos levam a crer que qualquer mudança significativa na nossa realidade, se acontecer, será perceptível nos próximos séculos. Prova disso é que, decorridos cinco anos da Lava Jato, o poder judiciário está intocado, estados e municípios estão inabaláveis em suas formas tradicionais de ser e agir, em suas estruturas arcaicas, na impunidade e na marginalidade sistêmica que eles denominam “Crime Institucionalizado”.

O extinto jornal Bahia Hoje publicou, em 1995, meus artigos “Limites da omissão” e “A reforma necessária”. Em 1996 o Jornal A Tarde publicou um artigo meu intitulado “Brasil, um país difícil” e a Tribuna da Bahia o artigo “Um governo covarde”. Em 2002, o mesmo periódico publicou os artigos “Em defesa dos impostos”, “Cumplicidade e conivência” e “Uma chance à cidadania”. Em 2019, passados mais de vinte anos, o Estado continua sem uma reforma séria, profunda e modernizadora. A sociedade, embora mais informada e até ativa, continua omissa e desatenta para o desafio de ser agente das transformações. Os governos continuam covardes, os impostos sendo roubados e mal aplicados e a cidadania sem chances de sobreviver como descrevi no meu texto “Um sócio indesejado” publicado em 2002.

Textos, palavras e discursos são insuficientes. A omissão sustenta o desalento, mas a ação dará amparo à nossa esperança.

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