O LIMITE – 19-07-19

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O LIMITE

Resistir é indagar qual o verdadeiro limite que se pode exigir de um ser humano. Até que ponto é crível supor que alguém vá colocar seus interesses pessoais em risco, em nome de valores tais como dignidade humana, liberdade de expressão e religião, de opção sexual ou de atuar politicamente. O ato de resistir pode ser isolado ou coletivo. Um movimento cívico organizado, a desobediência civil, evidencia o desconforto de todo um segmento da sociedade com o estado de coisas. Não se trata de perpetrar atos violentos, mas sim de demonstrar disposição a se opor a uma ação tida como injusta.

Porém não devemos ser indiferentes, dentro de nosso microuniverso, à injustiça, à luta do refugiado quando este busca um lugar para fugir da morte certa, a nos mostrar indignados quando se generaliza a responsabilidade de um grupo étnico, racial ou qualquer outro.

A nossa indiferença ou mesmo tolerância a qualquer um destes comportamentos nos torna perigosamente omissos. Abrir espaços democráticos para quem manifestamente age contra a liberdade e a dignidade humana é permitir que o arbítrio se torne justificável. Não é concebível haver espaços democráticos para quem discrimina, seja por racismo, por homofobia, por sexismo ou por totalitarismo.

O ponto central pode aparentar ser em como organizar a resistência. Trata- se de um falso, ou melhor, inadequado questionamento. O   início deveria ser como evitar que surja uma situação que leve a resistência a se tornar necessária. Não existem fórmulas mágicas, mas certos pressupostos que não podem ou não deveriam ser abdicados, quais sejam: defesa da dignidade e dos direitos humanos, manutenção do Estado Democrático de Direito (onde ele já existe), Estado de bem-estar social, luta para a erradicação da miséria independentemente da questão da igualdade de resultados; como base para a sustentação de uma sociedade livre e digna.

Os sistemas arbitrários não surgem como obra do acaso. Nos países democráticos, eles emergem de crises, da incapacidade da solução de conflitos através dos meios institucionais, onde “salvadores da pátria” iludem o eleitorado com soluções mágicas, quase sempre elegendo um grupo como o responsável pela mazela, prometendo o paraíso, quando, na verdade, conduz para a escuridão. Promete-se a todos os serviços, não se fala nos custos, mas faz-se crer que a falta de serviços adequados decorre de um “culpado” e não da ineficiência ou corrupção.

 

 

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