TECNOLOGIA HUMANA-26-07-19

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TECNOLOGIA HUMANA

A bateria descarregou e a primeira coisa que falamos: “eu estou sem sinal”. Já parou para pensar no que estamos dizendo? O celular não funciona e somos nós que descarregamos. Desconectados da rede, temos a sensação de estarmos órfãos do mundo, isolados numa ilha

E se não bastasse sermos uma população permanentemente conectada, agora também as “coisas” estão ligadas “ao sinal”. Sabia que temos hoje, mais de 9 bilhões de “coisas” conectadas à Internet? Isso significa cerca de dois bilhoes a mais do que a população total do planeta. E a previsão é de que este número chegue a 20 bilhões de “coisas” até 2020.

O futuro já chegou e a maior parte de nós nem se deu conta. E ele mudou definitivamente o comportamento das pessoas. O smartphone é o nosso tamagoshi e não conseguimos mais viver longe dele. Há estudos que mostram que psicologicamente lidamos com o telefone como se fosse uma extensão do nosso corpo. Duvida? Uma pesquisa realizada pela Dscout, em 2016, mostrou que um usuário toca o seu telefone, em média, 2.617 vezes por dia. Parece absurdo? Mas é isso mesmo.

E o que isso significa para nós, profissionais de Comunicação e Marketing? Significa que as regras do jogo mudaram completamente.

Neste mundo conectado, acelerado e disperso, as pessoas se tornaram obcecadas em pesquisar. Tudo é motivo para uma pergunta ao Google. No meio do jantar, no meio da conversa, no meio da madrugada. Empoderados pelo celular, nós estamos buscando e nos informando sobre as coisas mais banais. Diariamente são mais de 3,5 bilhões de consultas ao buscador.

De acordo com pesquisas recentes do Google, 94% dos usuários de celular fazem alguma busca enquanto estão no meio de tarefas e 80% dos brasileiros que possuem smartphone usam seus aparelhos para saber mais sobre algum produto ou serviço. Além disso, as buscas relacionadas à “onde comprar” ou “melhor” associado a um serviço qualquer aumentaram 80% no último ano.

Dados do Google Analytics sobre os termos mais buscados comprovam que estamos todos muito mais imediatistas. No último ano, a procura por lugares “aberto agora” aumentou 300%. Em assuntos relacionados à viagens, houve um aumento de 150% nas buscas por “hotéis hoje” ou “vôos hoje”.

As decisões estão sendo tomadas no que se chama, minúsculos momentos de formação de preferência ou tomada de decisão. Ninguém espera mais estar em casa, na frente do computador, para pesquisar sobre alguma coisa por várias horas. O uso do desktop cedeu lugar à interações fragmentadas, potencializadas pelo uso intenso de smartphones.

No Brasil a Internet já ultrapassou todas as outras mídias em quantidade de tempo que os brasileiros gastam por dia. Nesse novo contexto, as necessidades não têm mais hora para se manifestar. Todos estamos navegando e conectados ao mesmo tempo que conversamos com amigos, assistimos vídeos, mandamos mensagem, jantamos num restaurante. Tudo está acontecendo ao mesmo tempo, agora.

O grande desafio para as marcas, portanto, é estar presente, gerar valor e não tomar muito tempo. Se a intenção é passar uma mensagem, ela precisa ser inserida nesse novo comportamento, fazer parte do “micro-momento”. E, segundo David, isso é algo que muitas marcas ainda não entenderam.

Para os profissionais de marketing e comunicação, o desafio é encontrar o momento em que o consumidor ou stakeholder está mais receptivo à mensagem das marcas. Cada vez mais será em pequenos momentos de engajamento digital, quando o usuário estiver usando o dispositivo para resolver uma questão específica.

Esqueça aquela velha publicidade em que a marca definia o que queria dizer e a audiência recebia passivamente. Agora é o consumidor quem decide sobre o que ele está disposto a ouvir. Ele escolhe quando e onde se engajar. E isso inverte as regras.

A habilidade de uma marca em perceber em que conversa faz sentido ela entrar, como ela pode gerar valor para o seu público e consequente simpatia para o seu produto ou mensagem, é o que vai determinar o sucesso da sua comunicação.

Já que a atenção é hoje conquistada e não imposta, desenvolver criativos que se destaquem e atraiam o interesse do espectador não é mais uma opção, mas crítico para o negócio. Num momento de milhares de escolhas e opções, o consumidor ou stakeholder tem o controle.

As ferramentas digitais mudaram a forma como descobrimos, avaliamos, compramos e usamos os produtos e também como compartilhamos, interagimos e estamos conectados às marcas. Para nós, profissionais de Comunicação e Marketing, o desafio é oferecer uma publicidade que não tem cara de publicidade. E essa nova publicidade se chama conteúdo.

Se a sua marca é expert em algum assunto, use esse conhecimento para ensinar as pessoas. Seja útil para elas. Se aproprie de um território de mensagem e forneça conhecimento e informação como um serviço ao seu consumidor ou stakeholder. Isso cria um elo de simpatia, propicia a interação e o engajamento, e resulta em aumento de mercado para seu produto e de reputação para sua marca.

Transformação digital? Estamos apenas no topo do iceberg. Realidade virtual e estendida, inteligência artificial, humanidade aumentada, economia da personalização, algoritmos de dados, sociedade em rede, blockchain, criptomoedas… Os próximos anos trarão muitas mudanças. A tecnologia continuará transformando a forma como interagimos com o mundo. E nós teremos que desaprender e reaprender a comunicar.

 

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