UTOPIA – 20-03-20

UTOPIA

A utopia é, no seu sentido mais imediato, a representação imagética de um estado humano nunca até agora ocorrido. É sobretudo como a representação de um estado futuro da humanidade que ela adquire relevância no discurso político. Na utopia política, é representado um estado de felicidade até então inalcançado. E tal representação tem a missão muito específica de dotar a ação política de um entusiasmo mobilizador.

Bons tempos é o nome que damos ao passado — qualquer passado. São os bons tempos, é o nosso tempo. Passei a adolescência e parte da juventude sob a ditadura militar, e isso não impede que me pegue com frequência a acalentar uma estranha utopia em retrospecto, de que “no meu tempo” a vida tinha mais graça. De todas as formas de escapismo inventadas pelos homens para suportar o osso duro da vida real, talvez a mais inconsciente seja a idealização do passado. Mas não é de hoje que tudo fica cada vez pior aos olhos das gerações presentes. “Esse mundo tá perdido, sinhá!” — era o bordão da ex-escrava tia Nastácia nos livros infantis de Monteiro Lobato.

Se eu pudesse, riscava a palavra utopia dos dicionários. Como toda a gente sabe, a utopia é alguma coisa que não se sabe onde está. Coloquemos aquilo que é utopia, aquilo que é conceito, não em lugar nenhum (…) coloquemos no amanhã e no aqui, porque o amanhã é a única utopia assegurada, porque ainda estaremos vivos (…) e, portanto, do trabalho de hoje nos beneficiaremos amanhã.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *