IMPACTO DA PANDEMIA EM RELAÇÃO AO VAREJO – 09.04.2020

A atividade do comércio recuou 16,2% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta terça-feira, 7, a Serasa Experian. É a maior queda da série histórica do Indicador de Atividade do Comércio da empresa, que acompanha o setor desde 2000. Todos os setores que compõem o indicador registraram queda na margem. Os destaques foram Veículos, Motos e Peças, com retração de 23,1%, e Materiais de Construção, com queda de 21,9%. Também tiveram retrações acima dos dois dígitos Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática (-19,3%) e Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios (-16,6%). As menores quedas foram observadas em Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas (-8,1%) e em Combustíveis e Lubrificantes (-5,5%). “Com as pessoas ficando mais em casa e muitas lojas físicas fechadas, cai automaticamente o consumo de itens, principalmente os não essenciais, como Veículos e Materiais de Construção. Na contramão estão áreas essenciais, como Supermercados e Combustíveis, cujo impacto foi menor pelo consumo e necessidade de abastecimento das cidades”, afirma, em nota, o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi.

Na comparação com março de 2019, as vendas do varejo tiveram retração de 13,7%, com destaque para Veículos, Motos e Peças (-26,3%) e Materiais de Construção (-17,9%). Também nesta base, todos os setores pesquisados tiveram retração: Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática (-15,1%), Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios (-11,1%) e Combustíveis e Lubrificantes (-8,7%) e Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas (-2,4%).

 

Com tudo isso, a Cosin Consulting sugere que as empresas que ainda não o tenham feito criem um Comitê de Crise com a participação da alta liderança e promovam adequações urgentes em sete áreas que considera as principais nos varejistas: Financeiro, Operação das Lojas, Supply Chain, Comercial, Marketing, TI e RH.

Turismo, Artigos de Luxo, Moda, Eletrônico e Móveis são as categorias no varejo que mais estão sendo negativamente afetadas pela pandemia de coronavírus. Por outro lado, seguem tendo picos de demanda os varejos alimentar e farmacêutico.

A conclusão é da Cosin Consulting, consultoria de negócios do Grupo Dan, ao cruzar dados estatísticos globais, informações exclusivas sobre o Brasil e as de países onde o Covid-19 chegou antes, como Itália, Espanha, Alemanha e Estados Unidos. Citando dados da Cielo, a Cosin aponta que drogarias e farmácias tiveram crescimento de 20% e os supermercados e hipermercados, de 23,1% no período de 9 a 15 de março de 2020 em comparação a 11 a 17 de março de 2019. Já restaurantes, bares, serviços e combustíveis, por conta do confinamento social, foram “severamente impactados”, de acordo com Ricardo Kamaura, responsável pelo estudo, mas, por outro lado, têm a demanda por delivery incrementada.

Segundo o pesquisador, o comportamento das pessoas globalmente tem sido semelhante: focar em alimentação, higiene e entretenimento e capacitação, dentro do lar e, por outro lado, adiar decisões que envolvam um desembolso mais alto, dado o cenário econômico incerto. Consequentemente, afirma, os varejistas devem mostrar rapidez adaptativa, caso queiram manter vivos seus negócios.

Ele separa três grupos, cuja experiência antecipada da pandemia em outros países, pode servir de lição ao Brasil:

Varejo alimentar e farmacêutico: mesmo tendo picos de demanda no início da crise, com pessoas fazendo estoque de produtos, com o agravamento da situação até essas categorias podem passar a sofrer com os fechamentos de lojas e restrições de circulação.

Varejo de moda, eletrônico e móveis: a retração foi rápida, começando pelos itens de ticket médio mais elevado ou que demandavam financiamento; a queda foi acentuada pelo fato de serem muito dependentes do tráfego em loja e venda assistida.

Restaurantes, Bares, Serviços e Combustíveis: setor que mais rapidamente sentiu o baque do confinamento social, já que as pessoas passaram a se alimentar em casa e parte da demanda foi para o delivery ou, caso dos serviços não essenciais, como salões de beleza e oficinas, serviços foram adiados ou cancelados; a restrição de circulação também afetou postos de combustível e demanda dos transportes por apps — estes, no entanto, podem se engajar em serviços de entrega de comida e objetos.

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