APPLE E GOOGLE ANUNCIAM TECNOLOGIA PARA ALERTAS AO COVID-19 – 24.04.2020

Para ajudar a combater a pandemia de coronavírus, Apple e Google anunciaram no dia 10 a criação conjunta de uma tecnologia para alertar contatos de pessoas infectadas por coronavírus.

O sistema único das rivais deve permitir que smartphones com sistema Android, do Google, e iOS, usado nos iPhones, consigam trocar informações via Bluetooth e alertar sobre o risco de contágio, de maneira anônima.

 

Quando começa a funcionar e onde?

Google e Apple anunciaram que o sistema estará disponível a partir de maio.

 

Nesta primeira fase, ele deverá ser utilizado dentro de aplicativos que podem ser criados por autoridades governamentais como uma ferramenta para combater a pandemia.

 

A ideia é que o recurso funcione em todo o mundo, tanto em smartphones com sistema Android (do Google) quanto iOS (da Apple).

 

Nos próximos meses, a ideia das empresas é expandir a plataforma para que ela se integre diretamente aos sistemas operacionais, dispensando o uso de um aplicativo. Assim, poderiam alcançar um número maior de usuários. Mesmo assim, segundo elas, a pessoa só estará conectada ao dispositivo se quiser.

 

Como o sistema vai saber quem testou positivo para coronavírus?

O que se sabe até agora é que os alertas serão enviados somente com autorização do usuário infectado. Ele mesmo terá que avisar no sistema o fato de ter contraído o coronavírus.

 

A Apple e o Google não informaram se haverá critérios para que o usuário confirme a veracidade da informação. Isso provavelmente ficará a cargo de políticas dos países que quiserem desenvolver os aplicativos onde o sistema vai rodar.

 

O que fazer com o alerta?

Google e Apple também não deixaram claro como a pessoa deve proceder caso receba o alerta de contato com algum infectado por coronavírus.

 

Provavelmente, caberá a cada governo ou entidade que empregar essa tecnologia criar estruturar políticas de resposta e orientação para que as pessoas tomem a atitude adequada.

 

Além disso, seria difícil que todo o mundo adotasse um mesmo protocolo, já que diferentes localidades passam por problemas que não são iguais aos de outras.

 

Como serão guardados os códigos trocados pelos celulares? Como fica a privacidade?

Quando o usuário baixar algum aplicativo que tenha esse sistema de alertas da Apple e do Google, o smartphone dele passará a gerar uma chave de segurança que servirá como base na comunicação com os outros aparelhos.

 

Esses códigos serão recebidos por outros celulares dos quais o aparelho dele chegar perto e que também tenham um app com o mesmo sistema de alertas. E vice-versa.

 

As chaves recebidas ficarão guardadas nos aparelhos por 14 dias, que é o período de quarentena para pacientes assintomáticos ou com sintomas leves do coronavírus.

 

O uso das chaves temporárias evita o acesso à localização e à identidade dos donos de smartphones, dizem Google e Apple. Cada celular com o aplicativo vai baixar as chaves geradas; elas não ficarão armazenadas em um servidor externo, por exemplo.

 

Se um usuário souber que tem o coronavírus, ele poderá autorizar o sistema a baixar sua base de dados (chaves) em celulares que tenham esse tipo de aplicativo.

 

O app vai alertar somente usuários que tiveram contato com a pessoa infectada nos últimos 14 dias, e sem revelar a identidade dela.

 

Todo celular com Android ou iOS vai ter o sistema obrigatoriamente? O usuário poderá optar por não usá-lo?

As empresas dizem que, para que a tecnologia funcione nos aparelhos, é preciso o consenso do usuário.

 

Num primeiro momento, ele terá de baixar um aplicativo que possua o recurso para poder ativá-lo. Futuramente, quando a plataforma fizer parte dos sistemas operacionais, Apple e Google também dizem que as pessoas só participarão se optarem por isso.

O sistema vai funcionar em todos os telefones Android e iPhones? Até nos mais antigos?

 

De acordo com as gigantes da tecnologia, o sistema deverá funcionar tanto em celulares com sistema Android (Google) quanto iOS (Apple).

 

O Google disse que a tecnologia será compatível em smartphones com sistema Android 6.0 ou mais recentes, o quepode fazer 25% dos celulares com o sistema operacional da empresa ficarem de forapor incompatibilidade técnica

 

Isso porque existem aparelhos mais antigos circulando que podem não fazer as atualizações mais recentes. O problema relação ao Android é que o sistema que corresponde ao maior número de smartphones em uso no mundo e é aplicado em aparelhos de diversos fabricantes, dos quais dependem as atualizações.

 

No caso do iPhone, como a Apple é a fabricante e a criadora do sistema operacional, existe um controle maior da empresa.

 

Por que os celulares vão se comunicar por Bluetooth? É mais seguro?

Diferente do monitoramento que é feito com dados de operadoras de telefonia móvel que usam antenas, o sistema da Apple e do Google vai recorrer à conexão Bluetooth.

 

A tecnologia já está sendo usada em Singapura, em um aplicativo do governo chamado TraceTogether, como medida de combate à pandemia.

 

O Bluetooth é aquele sistema utilizado para fazer a conexão sem fio do celular com aparelhos de som, por exemplo. Essa conexão é conhecida por não gastar muita energia do aparelho.

 

Além disso, ela atua por meio de ondas curtas e de baixo alcance, ou seja, só funciona se as pessoas de fato estiverem perto uma das outras. Isso garante uma alta precisão para determinar o contato próximo entre duas pessoas, que é a função do sistema do Google e da Apple.

 

Quais os principais desafios para que esse sistema funcione?

Podem ser um entrave:

 

Limitações técnicas no Android, que esbarram na necessidade de colaboração de diversos fabricantes dos aparelhos que possuem esse sistema;

 

Incompatibilidade de sistemaspode deixar cerca de 25% dos aparelhos de fora do rastreamento, isso porque o Google afirmou que a tecnologia será compatível com sistemas operacionais mais novos, partindo do Android 6.0 aos mais recentes;

 

Distribuição controlado dos aplicativos, como será o caso dos aparelhos com Android, também limita o alcance de tecnologia. Para smartphones com plataforma Google, ela será disseminada por um pacote de SDK (kit de desenvolvimento de software), na sigla em inglês;

 

Alcance e confiabilidade dos alertas, já que a ferramenta depende também da colaboração dos usuários e cabe a eles autorizar os avisos em caso de contaminação;

 

A convivência dessas chaves com outros sistemas de rastreamento dos smartphones (GPS, etc), porque não está claro se a tecnologia é capaz de impedir que outros aplicativos presentes no aparelho recolham essas informações e as associem com outros dados;

 

O volume de códigos (chaves) a ser baixado por cada aparelho, já que, para se preservar a privacidade, é possível que não sejam feitos “filtros” por região, por exemplo, na hora do download;

 

Gasto da bateria por Bluetooth pode ser excessivo por ser necessário deixá-lo ligado o tempo todo para que o sistema funcione. Apesar de o Bluetooth ser conhecido por ter baixo uso de energia, poderá afetar aparelhos com baterias desgastadas.

 

Essa tecnologia também vai rastrear a movimentação das pessoas?

Não. O uso de chaves temporárias trocadas por conexão Bluetooth é diferente dos dados obtidos junto a operadoras de telefonia móvel, que estão prestando esse serviço para alguns estados, a fim de identificar a adesão ao isolamento social. Esta não é a finalidade da ferramenta conjunta do Google e da Apple.

 

Separadamente, tanto Google quanto Apple anunciaram que terão algum tipo de monitoramento de movimentação, de forma independente desse sistema conjunto. O Google já divulgou relatórios sobre isso inclusive no Brasil.

 

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