Fernando Goldsztein – 22-05-20

QUANDO ACERTAR É ERRAR MENOS

Por Fernando Goldsztein – Empresário

Tempos muito estranhos que vivemos. Travamos uma batalha com um inimigo pouco conhecido, que se alastrou e nos acuou. Estamos reclusos e sem saber como será a nossa vida nas próximas semanas ou até meses. Existe muita informação e, também, desinformação. É difícil fazer projeções assertivas. Isso tudo me fez lembrar uma noite em que eu assistia a uma palestra de um grande banqueiro brasileiro. Esse episódio ocorreu há alguns anos, durante uma das tantas crises econômicas ou políticas do nosso país. Ao final da apresentação, quando abriu a sessão para perguntas, um senhor muito elegante que estava na primeira fila perguntou ao banqueiro qual seria a cotação do dólar daqui a um ano. O banqueiro deu uma resposta desconcertante e que nunca mais esqueci. Disse: “Meu senhor, se eu lhe disser agora quanto eu penso que será a cotação do dólar daqui a um ano, eu só terei uma certeza, de que este número vai estar errado”.

Vivemos esta situação de incerteza na enésima potência. Hoje, além de não termos a menor ideia se o dólar vai estar R$ 5, R$ 6, R$ 7 ou até R$ 8 dentro de um ano (pois, apesar da pandemia, ainda vivemos uma vergonhosa crise política no país), temos muitas outras incertezas: Vamos perder o emprego? O nosso negócio vai sobreviver? Quando as crianças voltarão à escola? É ou não seguro sair para a rua? Quando poderemos rever nossos amigos e parentes?

Enquanto não houver a vacina, não existirá uma solução definitiva para acabar com a ameaça da Covid-19. A solução provisória terá de ser balanceada de forma a custar o menor número possível de vidas humanas e causar o menor impacto possível na economia. A má notícia (se é que já não temos bastante) é que não existe uma receita de bolo. E mais: a solução é única para cada local, pois existem inúmeras variáveis com infinitas combinações – densidade demográfica, faixa etária e mobilidade da população, qualidade das habitações, capacidade dos hospitais, diversidade de etnias, entre tantas outras. Enfim, cada país ou região terá a sua “solução ideal”.

Segundo o infectologista português, Antônio Coutinho, o “achismo sobre o coronavírus continua a se impor porque não temos dados suficientes para tomar decisões que são baseadas na ciência”. Portanto, muitos erros serão cometidos. É inevitável. Precisamos, mais do que nunca, de líderes que assumam posições desprovidas de interesses pessoais ou partidários, que sejam muito eficientes na gestão dos parcos recursos públicos para combater a pandemia e, acima de tudo, que estejam muito bem assessorados tecnicamente nas esferas da saúde pública e da economia. Esses serão os gestores que terão os melhores resultados. Eles que vão errar menos. E, em um contexto de tamanha incerteza, errar menos é acertar.

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