Hoje, com os 3 últimos artigos da série Vozes do Mercado, se encerra um mês muito especial na Coluna do Nenê. Durante todo o mês de janeiro de 2026, abrimos este espaço para estas Vozes , reunindo mais de 30 profissionais extremamente relevantes para o mercado da comunicação do Rio Grande do Sul, que compartilharam conosco suas perspectivas, análises e visões sobre o que nos espera em 2026. Foi um privilégio receber tantos amigos queridos e nomes importantes do setor, enriquecendo a coluna com conteúdo, reflexão e troca de experiências. A todos que participaram e aos leitores que nos acompanharam, fica o nosso muito obrigado. A partir do dia 3 de fevereiro, retomamos a programação normal que a nossa audiência já conhece e acompanha aqui neste espaço.
Entre a notícia urgente e a construção de um legado, aprendi que silêncio também é estratégia
Por Alexandra Zanela – Diretora de Relacionamento da Padrinho
Há uma década, eu acreditava que comunicação era sinônimo de velocidade. Como jornalista de redação, fui treinada para o furo, para o “agora”, para a adrenalina da manchete que precisa sair antes da concorrência. A “guria inquieta” do interior queria gritar ao mundo que as marcas precisavam falar, e falar alto, o tempo todo.
Hoje, instalada na nova sede da Padrinho Conteúdo e Assessoria, olhando para um mercado inundado por Inteligência Artificial e produção em massa de conteúdo – quase industrial -, minha visão mudou.
Aos 44 anos, liderando uma equipe com mais de 15 pessoas, entendi que o ativo mais raro do nosso tempo não é mais a atenção. É a intenção.
Nos últimos 12 meses, vivemos isso na pele em projetos de alta complexidade. Enquanto estruturávamos a assessoria de imprensa da Gramado Summit, por exemplo, percebi um padrão evidente. Em um evento com milhares de vozes disputando espaço, o nosso papel não é fazer nosso cliente gritar mais alto. É encontrar a frequência exata onde a mensagem dele faz sentido. Não se trata de gerar apenas buzz, mas de construir a narrativa certa que conecte uma startup promissora ao investidor ideal, ou um grande palestrante à dor real da plateia. Isso é estratégia, não apenas barulho.
O mesmo ocorre agora quando estamos redesenhando o Marcas de Quem Decide, projeto do Jornal do Comércio que certifica as empresas mais lembradas e preferidas, há 28 anos. O papel da Padrinho foi mergulhar na humanidade por trás dos números. Um algoritmo pode contar quantas vezes uma marca foi citada, mas só uma curadoria humana e sensível consegue interpretar por que aquela marca permanece no coração do consumidor gaúcho em tempos tão voláteis. As empresas não estão morrendo por falta de conteúdo, elas estão se afogando em ruído e sedentas por significado.
O mercado nos pressiona pelo “mais”. Mais reels, mais posts, mais automação, mais volume. Mas a verdadeira inteligência de negócios – aquela que traz ROI sustentável, protege a reputação e constrói legado – muitas vezes pede “menos”. Pede a pausa corajosa para entender o cenário antes de agir. Requer a elegância de escolher não entrar em toda polêmica da semana. Exige a estratégia de saber profundamente quem você é, para não virar apenas mais um eco pasteurizado no algoritmo das redes. E, sim, fazer a diferença.
Muitos me perguntam como tenho equilibrado a gestão de uma agência em franca expansão com a vida pessoal. A resposta não está no último app de produtividade, mas na mudança de pensamento: troquei a ansiedade juvenil do “fazer tudo” pela sabedoria madura do “fazer o que realmente importa e impacta”.
A Inteligência Artificial já escreve textos mais rápidos do que nós. Já produz imagens em segundos e otimiza processos. E nós usamos isso a nosso favor na Padrinho. Mas a IA nunca terá a capacidade de atender um telefonema de um cliente em crise às dez da noite, olhar nos olhos, sentir a sua angústia e transformar esse medo em um plano de ação que acalma e que faz sentido para a sua marca. Isso é humano. Isso é insubstituível.
Minha luta hoje não é mais contra o relógio. É a favor da profundidade. Sejam bem-vindos à minha nova fase: menos urgente, mais estratégica. E, definitivamente, mais humana.
O que a sua marca diria de realmente relevante se ela parasse de gritar por um minuto?
RÁDIO, a força do interior do Rio Grande do Sul
Por Lucas Pontes – Diretor Executivo da JC Comunicações | Diretor do GAV
A enchente que atingiu o Rio Grande do Sul não foi apenas uma tragédia climática. Foi um choque estrutural. Um teste de resiliência para empresas, pessoas, governos e também para a comunicação.
No rádio, especialmente, ela escancarou algo que muitos preferiam não enxergar: reconstruir não é voltar ao ponto onde paramos. É avançar. E, em alguns casos, mudar de rota.
Durante semanas, emissoras do interior e da capital fizeram o que sempre souberam fazer melhor: informaram, acolheram, conectaram comunidades, organizaram ajuda, deram voz a quem precisava. O rádio cumpriu, mais uma vez, seu papel social com dignidade e relevância. Isso não é pouca coisa. Isso é legado.
Mas passado o momento mais crítico, ficou evidente que o desafio agora não é apenas operacional, é estratégico.
O mercado mudou. O anunciante mudou. O consumidor mudou. E a enchente acelerou decisões que já estavam atrasadas.
As emissoras da capital, em grande parte, já vêm atuando com mais clareza e muita eficiência nesse novo cenário. Avançaram na integração entre rádio, digital, conteúdo e novos formatos comerciais. Atualizaram discurso, postura e linguagem comercial, conectando-se melhor com o decisor atual e com as novas exigências do mercado.
O desafio agora é que as emissoras do interior caminhem com a mesma marcha firme, sem hesitação. Não por obrigação, mas por oportunidade. O rádio do interior tem proximidade, credibilidade e relevância local , ativos que ganham ainda mais valor quando combinados com estratégia, tecnologia e visão comercial atualizada.
Recentemente, ao ler um artigo enviado por um amigo, escrito por Mauro de Souza, curador do Museu da Eletrônica, que questionava de forma direta se “o AM vai morrer”, uma reflexão se impôs e ajudou a aprofundar meu próprio olhar sobre a importância do meio rádio: o rádio nunca foi apenas áudio. Sempre foi infraestrutura. Sempre foi alcance, resiliência e soberania comunicacional.
Como bem pontua Mauro, comparar o rádio, especialmente o AM, apenas por critérios de qualidade sonora é um erro conceitual. O AM nunca competiu com o FM ou com o streaming em fidelidade de áudio. Ele existe para cobrir grandes áreas, funcionar em condições adversas, operar com equipamentos simples e seguir ativo mesmo quando outras infraestruturas falham. Em momentos de crise, isso deixa de ser detalhe técnico e passa a ser ativo estratégico.
Não por acaso, países continentais e economicamente relevantes seguem preservando o AM como parte de seus sistemas de comunicação e emergência. Não por nostalgia, mas por pragmatismo. Rádio é redundância. Rádio é continuidade. Rádio é soberania.
Há ainda um ponto muitas vezes subestimado nesse debate: o áudio faz parte do dia a dia do brasileiro. Está no carro, no trabalho, no comércio, na lavoura, no transporte público e dentro de casa. Acompanha rotinas, informa enquanto outras tarefas acontecem e cria vínculos que nenhuma outra mídia replica com a mesma naturalidade.
Trazer essa reflexão para o contexto gaúcho é fundamental. Especialmente no interior, onde o rádio ainda é o meio mais capilar, confiável e presente. Valorizar essa força não significa rejeitar o digital , significa entender que modernização não é substituição, é complementaridade.
Não dá mais para pensar o rádio apenas como grade, spot e tabela de preços herdada dos anos 2000. O rádio que sai mais forte desse período é o que entende que é plataforma, não só emissora. Que é presença diária no dial, mas também no digital, no social, no conteúdo e no comércio local.
Isso passa, necessariamente, por uma mudança clara na postura comercial. Não basta atualizar produtos; é preciso atualizar a forma de vender. O decisor de hoje é mais pragmático, orientado a resultado, dados e eficiência. Exige abordagem consultiva, linguagem objetiva e propostas bem estruturadas.
O rádio precisa assumir o protagonismo na comercialização de outras plataformas e tecnologias e fazer isso de forma direta, organizada e integrada às suas tabelas comerciais, falando a língua de quem decide, não apenas de quem executa.
Streaming, redes sociais, vídeo, conteúdo patrocinado, projetos especiais, dados, influenciadores locais e soluções digitais de performance já fazem parte do ecossistema das emissoras. O erro é tratá-los como “apoio”. O acerto é colocá-los no centro da oferta, com preço, discurso e entrega claros.
Reconstruir, portanto, não é insistir nos mesmos formatos esperando resultados diferentes. É respeitar a história, preservar o que é estrutural e atualizar o método. É manter a credibilidade construída ao longo de décadas e traduzi-la para novas linguagens e novas demandas do mercado.
O Rio Grande do Sul vive um momento duro, mas decisivo. A comunicação regional tem a chance de sair desse período mais profissional, mais estratégica e mais consciente do seu papel como infraestrutura de informação.
O rádio sempre foi companhia, serviço e confiança. Agora, precisa ser também solução de negócio, sem abrir mão daquilo que o tornou essencial.
E quem entender isso primeiro não estará apenas se recuperando da enchente , estará liderando o próximo ciclo.
Última chamada para quem sabe como construir marcas relevantes!
Por Rodolfo Costa – Sócio Fundador da Berrô Insights & Strategy
A comunicação sempre foi uma arquitetura social brutalmente poderosa. Na segunda guerra mundial, por exemplo, uma das figuras mais marcantes era um “Ministro da Propaganda” que já entendia como as matizes mais sutis de como se comunicar moldariam o comportamento das pessoas. Recursos da comunicação que seguem presentes até hoje, seja para um presidente que governa para impor autoridade no grito ou para um grupo que consegue atribuir significado a uma campanha mal pensada. Em 2026, com o domínio absoluto da Inteligência Artificial, essa verdade ancestral tornou-se o ativo mais escasso e valioso do mercado: construir significado.
Vivemos, nos últimos anos, a hegemonia da performance. O mercado foi inundado por uma promessa sedutora: “não precisamos mais de toda aquela enrolação de construção de posicionamento para as marcas, dominamos ferramentas que vão entregar resultados expressivos e mensuráveis, como vocês nunca entregaram”. De fato, quem não domina a lógica digital hoje está, sumariamente, fora do mercado.
No entanto, o que era diferencial virou commodity, ponto de partida. A “super-arma” de distribuição está nas mãos de todos. Se todos usam, a ferramenta deixa de ser a vantagem competitiva. É insuficiente.
O sinal mais claro dessa mudança está no movimento dos próprios “gurus do digital”. Quando vemos ícones da propaganda, como o saudoso Washington Olivetto (in memorian), sendo recrutados para ensinar a “turma do tráfego”, o recado é claro: a técnica escala, mas só o significado sustenta.
Tá no meu caderninho que a Ana Couto disse: “tecnologia, sozinha, não sustenta valor”. O ranking da Brand Finance 2026 confirma isso: a Apple lidera com US$ 607 bilhões não porque tem os melhores chips, mas porque há uma década, com o “Shot on iPhone”, ela parou de vender megapixels para vender a visão do usuário. Enquanto isso, marcas que focam apenas em “hacks” de crescimento descobrem, da pior forma, que estão escalando o vazio. Elas geram transações, mas não constroem lealdade.
Eliminamos as barreiras da transmissão, mas agora imploramos por atenção. Em 2026, nunca foi tão fácil falar e nunca foi tão difícil ser ouvido. O Global Soft Power Index deste ano revela que a influência agora depende de coerência estratégica e narrativas críveis. Se sua marca não transforma a realidade ao seu redor, ela é apenas um “fornecedor de balcão” aguardando ser substituído por um concorrente mais barato. Sem dó, simples assim.
Estamos na “última chamada”. De um lado, gestores de tráfego já foram aprender branding, antropologia, storytelling e propósito. Do outro, os comunicadores “raiz” precisam, de uma vez por todas, abraçar o entendimento digital.
O futuro dos negócios em 2026 não pertence a quem aperta o melhor botão, mas a quem tem a coragem de responder à pergunta mais simples e profunda: o que a minha marca quer dizer ao mundo?
QUEM SERÁ?
A Bistrô não aceitou o resultado da licitação da FIERGS e está pedindo a desclassificação das outras 3 agências restantes.
Segundo apuramos, uma delas era a vencedora.
Coluna do Zé
Por José Maurício Pires Alves
Voces sabem que hoje é o dia da saudade? E se assim foi criado, este dia é para saudá-la.
Para muitos, ela está presente em todos os dias.
É parte importante de muitas vidas.
Ela pode vir dos momentos felizes, dos amigos distantes, dos abraços acolhedores, da infância bem vivida, mas também dos amores perdidos.
Tem gente que morre de saudades…
Isto não é saudável e o pior é viver de saudades, pois ficamos amarrados ao passado.
Tudo foi bom enquanto durou.
Depois, passou, virou pretérito e não podemos depender só daquilo.
Não devemos tê-la como sentimento de perda.
E sim, curti-la, pois só temos saudades de coisas boas, de nossos bons momentos, de pessoas importantes para nós.
Que possamos manter nossas saudades com alegria, sabendo alimentá-las com a certeza de que sempre virão novos bons momentos e vamos vive-los bem.
Balanço Geral RS começa a semana com pico de 8,95 pontos
Na tarde desta segunda-feira (26/01), o Balanço Geral RS alcançou ótimos índices de audiência, com média seis vezes maior que a terceira colocada. Além disso, o pico chegou a 44% de share domiciliar.
Comandado por Vanessa Pires, que substitui o apresentador Samuel Vettori, em férias, o jornalístico conquistou, na faixa completa (11h50 às 15h30), média de 5,60 pontos e participação de 29,60%. A audiência foi 650% superior à da concorrente.
Fonte: Kantar/IBOPE – Instar Analitics, audiência e share domiciliar, alcance domiciliar e individual, emissoras abertas, pico de audiência e share alcançado as 13h46, Balanço Geral 26/01.
A ADVB/RS abre inscrições para a 43ª edição do evento TOP Marketing, com um novo formato de categorias
A ADVB/RS abriu nesta quinta-feira, dia 29, as inscrições para a 43ª edição do TOP de Mkt, um dos prêmios de marketing e vendas mais tradicionais do Sul do Brasil. Após uma edição histórica em 2025, o prêmio chega em 2026 com um novo formato de categorias, regulamento atualizado e estrutura alinhada às tendências globais, reconhecendo casos com base no impacto gerado, seja simbólico, econômico, cultural, social, tecnológico ou experiencial, e não apenas por canal ou setor.
Nesta edição, os Prémios do Setor de Mercado serão organizados em cinco grandes vertentes, totalizando 23 categorias. Os prémios mantêm também as categorias de incentivo: TOP Solidariedade – Troféu Maria Elena Johannpeter; TOP Inclusão na Diversidade; e Cultura – Troféu Eva Sopher, que reconhecem projetos com impacto social e humano e estão isentos de taxas de inscrição.
As inscrições estão abertas até 23 de abril, com uma oferta promocional disponível até 12 de fevereiro, através do site.
As estratégias de lojas, bares e restaurantes para driblar a falta de mão de obra
Por João Vitor Gomes
Lojas, bares e restaurantes estão adotando novas estratégias para contratação de funcionários, com o objetivo de lidar com a falta de mão de obra.
Profissionais sem experiência, idosos e jovens adultos se tornaram um público atrativo para as empresas. Além disso, aumento de salários e horários mais flexíveis, por exemplo, estão sendo adotados pelos empresários do Estado neste período de verão.
A presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas) de Vila Velha, Glenda Amaral, comenta que a escassez de mão de obra, embora não seja apenas no comércio, é vista como um desafio atual pelos lojistas em vários tipos de funções, cargos e trabalhos.
“Quando a gente fala do comércio, há ações como aumento do valor do comissionamento, melhor remuneração, oferta de benefícios não obrigatórios — como alimentação —, horário mais flexível e contratação de pessoas mais velhas ou muito jovens”, relata.
Essa realidade também é vista no setor de bares, restaurantes e similares. Em um período de crescimento da demanda, devido ao período de verão e da circulação de turistas, os estabelecimentos estão precisando subir a remuneração para atrair funcionários.
“As condições do setor são muito boas em termos salariais e de benefícios, mas é claro que as empresas acabam melhorando ainda mais para tentar atrair profissionais. A escassez, porém, sempre tem sido um desafio”, diz o presidente do Sindicato dos Bares, Restaurantes e Similares (Sindbares-ES), Rodrigo Vervloet.
Outra solução, segundo ele, tem sido otimizar a operação para depender de menos mão de obra, além de “tentar ser criativo” e buscar nichos realmente interessados em fazer parte do setor.
“Pessoas que gostem de lidar com o segmento e com o público. Trata-se de um setor que remunera relativamente bem e oferece chances de crescimento”, conta.
De acordo com dados regionais, o Espírito Santo lidera o crescimento nacional em serviços voltados ao lazer e alimentação fora do lar, com uma alta de 13,5% em um ano, impulsionada pelo turismo, gastronomia local e busca por experiências.
No último trimestre de 2025, o setor abriu mais de 700 postos de trabalho em todo o Estado.
Empresários demonstram otimismo para o ano, mas também reconhecem desafios como inflação, altas nos custos de insumos e manutenção dos empregos.
Contratações
Para lidar com a falta de mão de obra, a Papelaria Rainha, no centro de Vila Velha, passou a contratar profissionais sem experiência. Uma delas é a repositora Maysa Oliveira Lima, 18, que passou a trabalhar no local há apenas um mês.
Além dela, uma funcionária de mais de 60 anos foi contratada recentemente. “Enxergamos esse movimento como uma oportunidade de formação”, comenta o empresário João Carlos de Ângelo, 64.
Novos perfis
Pessoas sem experiência, idosos e jovens adultos passaram a ser vistos como públicos estratégicos.
As empresas oferecem oportunidades de inserção no mercado, apostando em capacitação interna e maior flexibilidade. A medida amplia o acesso ao emprego e ajuda a reduzir vagas em aberto.
Medidas adotadas
Os lojistas têm investido em aumento de comissões, melhora salarial, benefícios não obrigatórios, como alimentação, e horários mais flexíveis.
A contratação de profissionais mais velhos ou muito jovens também se tornou comum.
Pressão no setor
No segmento de alimentação, a alta demanda do verão e o aumento do turismo intensificam a disputa por trabalhadores.
Apesar das boas condições salariais e de benefícios, a escassez segue como um desafio constante.
Crescimento e desafios
Dados regionais apontam que o Espírito Santo lidera o crescimento nacional em serviços de lazer e alimentação, com alta de 13,5% em um ano.
No último trimestre de 2025, foram abertas mais de 700 vagas. Empresários demonstram otimismo, mas citam inflação e custos como entraves.
Otimização das operações
Além das contratações, empresas têm investido na reorganização dos processos internos para reduzir a dependência de mão de obra.
A adoção de tecnologias, redistribuição de funções e ajustes operacionais permitem manter o nível de atendimento mesmo com equipes menores, aumentando a eficiência dos negócios.
Sem precedentes! Nove em cada dez trabalhadores da economia criativa preveem que a IA transformará suas profissões nos próximos cinco anos.
Profissões ligadas aos diferentes setores da ‘ Indústria Criativa ‘ no Brasil, que gerou mais de R$ 393 bilhões em 2023 e corresponde a 3,5% do PIB nacional, segundo… Firjan já sente os impactos do avanço da inteligência artificial . Para contribuir com o debate sobre IA e criatividade, a consultoria brasileira Deck – Inteligência Digital para a Cultura acaba de divulgar os resultados da pesquisa inédita ‘ Percepção da IA na Cultura e na Economia Criativa ‘ .
O estudo reuniu 1.500 profissionais dos setores da cultura e da economia criativa , atuantes em 16 áreas distintas , como música, cinema, artes visuais, artes cênicas, design, publicidade e gestão cultural . Os dados foram coletados entre junho e setembro de 2025 , de forma voluntária, entre os participantes do curso ” Inteligência Artificial Aplicada à Cultura” , promovido pela Escola Solano Trindade de Formação e Qualificação Artística, Técnica e Cultural (Escult) , do Ministério da Cultura (MINC) , em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O curso foi idealizado e ministrado pela gestora cultural Beth Ponte , autora da pesquisa e consultora da Deck.
Reunindo pela primeira vez as opiniões de jovens e experientes profissionais da indústria criativa, a pesquisa aborda o uso, as percepções e as expectativas dos profissionais da área, considerando a expansão da IA generativa . A iniciativa replicou algumas das perguntas do ‘ Ipsos Monitor AI ‘ (2025), uma pesquisa internacional de referência que abrange 32 países, incluindo o Brasil – permitindo uma comparação dos resultados com foco no setor criativo .
Entre os destaques, a pesquisa da Deck mostra que 93,5% dos entrevistados consideram ” provável ” que a IA mude a forma como seu trabalho é realizado nos próximos cinco anos . Em comparação com a Ipsos , essa porcentagem chega a 61% , comprovando que os profissionais da economia cultural e criativa, como grupo, têm uma expectativa de transformação mais intensa e abrangente em relação ao impacto da IA em sua profissão do que a população em geral.
Essas mudanças já começam a ser notadas nas rotinas criativas . Para Beth Ponte, é essencial examinar os impactos da IA nos setores baseados na criatividade e reconhecer a diversidade desses setores . “Ao incluir 16 setores criativos diferentes, a pesquisa evita generalizações e reconhece que a incorporação da inteligência artificial no setor cultural não pode ser considerada homogênea. As realidades são diversas, assim como os impactos e o ritmo de adoção. Portanto, qualquer estratégia precisa considerar as especificidades da área (cinema, educação, artes, editoração, museus e patrimônio, gestão cultural), a faixa etária dos indivíduos, afiliações profissionais, escolaridade, gênero, cor e raça; equilibrando inovação, formação profissional e responsabilidade ética ”, afirma Beth .
Prova disso é que, apesar do crescente uso de ferramentas de IA generativa, ainda existe uma discrepância significativa entre a adoção e a compreensão da tecnologia digital. De acordo com a pesquisa, 62% dos “profissionais da economia cultural e criativa” afirmam não saber identificar quais produtos e serviços utilizam inteligência artificial em seu trabalho diário – uma porcentagem semelhante, mas superior, aos 56% da população nacional, segundo a Ipsos.
A familiaridade com a tecnologia também diminui consistentemente com a idade. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 52% afirmam saber identificar produtos e serviços que utilizam inteligência artificial , enquanto a partir dos 45 anos , predominam as respostas que indicam “falta de conhecimento” ou incerteza, representando cerca de dois terços dos entrevistados .
Ao mesmo tempo, o estudo revela tensões e preocupações. Pelo menos 35,5% dos entrevistados consideram provável que seus empregos sejam substituídos por sistemas de IA nos próximos cinco anos . No entanto, essa percepção é mais acentuada nos setores de Cinema, Rádio e TV (44,9%) e Música (44,3%) , que demonstram maior apreensão devido à digitalização e automação do conteúdo.
No entanto, o sentimento predominante é de otimismo : 66,2% dos participantes acreditam que a IA tem potencial para melhorar o mercado de trabalho criativo a médio prazo – resultado semelhante aos 65% encontrados na pesquisa da Ipsos . Apesar da dualidade do tema, Letícia Fernandes, consultora da Deck e revisora da pesquisa, destaca o interesse do setor em participar de mais treinamentos e cursos sobre IA. A pesquisa também apresenta caminhos para o desenvolvimento profissional e a formação em IA aplicada à cultura .
“Em um contexto de grandes transformações tecnológicas, é essencial considerar ações de capacitação para os setores e profissionais afetados. Essa é inclusive uma das principais recomendações da UNESCO na publicação ‘Recomendações sobre a Ética da Inteligência Artificial’. Portanto, a pesquisa também aponta que este é o momento de priorizar estratégias como a ‘requalificação’ (reciclagem profissional) e o ‘aprimoramento de habilidades’ ”, explica Letícia .
Entre as principais demandas citadas pelos respondentes estão o treinamento focado na automação de tarefas e processos de trabalho (65%) ; o desenvolvimento e gerenciamento de projetos culturais utilizando IA (64,8%) ; e a aplicação prática de ferramentas em áreas específicas, como música, audiovisual e design (64,4%) . Questões relacionadas a direitos autorais , propriedade intelectual e regulamentação de IA também aparecem como prioridade para 57% dos profissionais.
Em meio ao ‘ Ano da Criatividade no Brasil ‘ (2026), estabelecido pela Organização Mundial da Criatividade, os resultados do estudo contribuem para o debate sobre o uso e a adoção da IA entre empresas e profissionais da economia cultural e criativa .
Clique aqui para acessar gratuitamente o estudo completo “Percepção da IA na Cultura e na Economia Criativa”.
Confira abaixo os principais insights da pesquisa “Percepção da IA na Cultura e na Economia Criativa” :
93,5% consideram “provável” ou “muito provável” que a inteligência artificial mude a forma como o seu trabalho é realizado nos próximos cinco anos;
35,5% consideram provável que seus empregos sejam substituídos por IA nos próximos cinco anos, com o maior risco percebido nos setores de Cinema, Rádio e TV (44,9%) e Música (44,3%);
62,3% dos entrevistados utilizam frequentemente ferramentas de inteligência artificial generativa;
66,2% acreditam que a IA tem o potencial de melhorar o mercado de trabalho criativo nos próximos anos;
A pesquisa incluiu respostas de 1555 profissionais de 16 setores da cultura e da economia criativa. As áreas de atuação mais representadas foram: Gestão e/ou produção cultural (31%), Cinema, rádio e TV (11%), Ensino e/ou pesquisa (10,3%), Artes visuais e fotografia (9%), Música (8%) e Artes cênicas (7,6%).
Afiliações profissionais: 55,5% trabalham de forma autônoma em diferentes formatos (MEI, freelancer, empresa própria) e 25,4% têm vínculo empregatício fixo (CLT ou serviço público);
Perfil dos respondentes: A amostra da pesquisa é composta predominantemente por adultos entre 35 e 54 anos (55,5%), com participação significativa de jovens e adultos jovens entre 18 e 34 anos (26,3%). Em termos de escolaridade, 84,5% dos respondentes concluíram estudos de graduação ou pós-graduação. Quanto à composição por gênero, 55,1% se identificam como mulheres, 41,4% como homens, 1,7% como não-binários e 2,5% com outras identificações. Em relação à cor/raça, 47,6% se declararam brancos, 48,5% negros (dos quais 33,3% são mestiços e 15,2% negros), 1,2% indígenas e 1,1% asiáticos;
Sobre o Deck: Inteligência Digital para a Cultura
A Deck surgiu em 2021, fundada pelas consultoras Beth Ponte e Letícia Fernandes, com o objetivo de apoiar o setor cultural e suas organizações no uso mais estratégico da tecnologia digital; justamente em um momento de grande digitalização das atividades devido às restrições da pandemia. Inspiradas por experiências de gestão e pesquisa no Brasil e no exterior, elas iniciaram seus primeiros projetos de consultoria para instituições culturais em 2022, expandindo gradualmente seu escopo de atuação. A Deck opera remotamente (Letícia no Rio de Janeiro e Beth em Salvador) em parceria com profissionais de outros estados, como Minas Gerais e Ceará, atendendo instituições em todas as regiões do Brasil.
Sobre Beth Ponte
Beth Ponte é gestora cultural e consultora na Deck – Digital Intelligence for Culture e na Ponte Cultura & Desenvolvimento. Possui mestrado em Cultura e Sociedade (UFBA) e especialização em Gestão e Transformação Digital (USP). Na área de gestão cultural, foi Diretora Institucional do Programa NEOJIBA (Centros Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia) entre 2010 e 2018, e bolsista da Chanceler Alemã (2018/2019) da Fundação Alexander von Humboldt na Alemanha, onde desenvolveu o projeto “Qualidade para a Cultura”, sobre gestão da qualidade em organizações culturais.
Ela foi pesquisadora associada do Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC-BA) de 2020 a 2024 e trabalha há mais de uma década no ensino e na pesquisa na área cultural e criativa. É professora convidada em cursos de pós-graduação em gestão cultural no Brasil (SESC SP, ABGC, PUC Minas) e no exterior (Universidade Leuphana, Lüneburg – Alemanha), além de ministrar cursos de curta duração e palestras sobre estratégia digital e inteligência artificial para instituições públicas e privadas. Em 2025, desenvolveu o curso gratuito “IA e Cultura” para a Escola Solano Trindade de Formação e Qualificação Artística, Técnica e Cultural (Escult), do Ministério da Cultura. Também idealizou e foi responsável pela aplicação e redação do estudo “Percepção da IA na Cultura e na Economia Criativa”.
Sobre Letícia Fernandes
Letícia Fernandes, 44 anos, carioca, é economista e museóloga (Corem 2R-1263-III), com mestrado em Museologia pela Academia Reinwardt (Amsterdã) e doutorado pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (Lisboa). Foi curadora assistente do Programa HiperMuseus e professora convidada em cursos de Museologia e Gestão de Museus em instituições como a Uni-Rio e a ABGC.
Ela é consultora da Digimusa Museologia e da Deck – Inteligência Digital para a Cultura, participando de projetos com o Museu do Amanhã, o Museu do Futebol, o Museu da Língua Portuguesa, o Museu da Bolsa de Valores do Brasil – MUB3, a Poiesis, o Departamento Nacional de SESI, o Museu da Vida da Fiocruz e o Musehum/Instituto Futuros. Em relação à pesquisa, participou da análise e revisão de dados.
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