Você vai ler na coluna de hoje: A mais longeva liquidação do Brasil, Quantas decisões você acha que tomou hoje?, Empreender em 2026 sem IA será como correr uma maratona de chinelo, dizem especialistas, Influência Humana, Grupo Disney mantem Premier League no catálogo até 2031, Fadiga de acesso: o cansaço invisível imposto à PCD, Como TikTok rastreia o que você faz na internet mesmo que não use o aplicativo e Black Friday supera Natal e impulsiona varejo em 2025, diz IBGE.
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A mais longeva liquidação do Brasil
A CDL POA realiza, no dia 19 de fevereiro (quinta-feira), o lançamento da Campanha Liquida Porto Alegre 2026, que celebra os 30 anos da tradicional ação do varejo da Capital. O encontro ocorrerá às 8h30, na sede da entidade (Av. Júlio de Castilhos, 377, 3º andar), com welcome coffee, apresentação oficial e atendimento à imprensa.
O estacionamento terá acesso pela Praça Osvaldo Cruz, 10. A confirmação de presença deve ser feita até 18/02 pelo e-mail cdldigital@cdlpoa.com.br
A campanha é uma realização da CDL POA, com parceria de Vero e Banrisul.
Quantas decisões você acha que tomou hoje?
Por Patricia Knebel
De acordo com a Harvard Business Review, foi algo entre 33 e 35 mil.
Esse é o volume médio de decisões que um adulto toma diariamente. A maioria, de forma automática. Mas algumas têm a capacidade de definir futuros, carreiras e empresas inteiras.
Foi esse um dos temas que guiou o painel ‘Decisões que mudam o jogo’, no Meetup do South Summit Brazil, em Lajeado, na última terça-feira. Tive a oportunidade de mediar essa conversa com Daniel Martin Ely e Jaqueline Hartmann, e também um bate papo com os empreendedores Carlos Emílio Vieira da Silva, Marcela Mendes Salazar e Franciele Pedroso Carraro.
Falamos sobre tudo o que permeia a tomada de decisão no mundo corporativo. Entre esses pontos, o que considero mais importante: a coragem.
Vivemos em um cenário de disrupção e ruídos contínuos, onde novas tecnologias surgem e mudam comportamentos em velocidade nunca antes vista. Para líderes, descobrir como navegar nesse novo ambiente pode exigir uma reformulação intensa.
Mas, o que envolve, de fato, tomar uma decisão de forma consciente?
– Disciplina para não reagir no calor do momento e decidir questões importantes de forma impulsiva. Porque decidir pode ser fácil por um dia. Difícil é manter-se fiel à decisão por semanas, meses, anos.
– Humildade para escutar o que poucos escutam. Os sinais do mercado, o cansaço do time, o ruído na comunicação.
– E, acima de tudo, Coragem.
Coragem para assumir responsabilidades.
Coragem para parar, reavaliar e mudar de rota.
Coragem para sustentar uma escolha que possa não ser a melhor para o agora, mas que é a mais coerente a longo prazo.
Decidir envolve saber lidar com as próprias incertezas e medos. E isso exige clareza.
Porque quem escolhe tudo, na verdade, não lidera nada.
Empreender em 2026 sem IA será como correr uma maratona de chinelo, dizem especialistas
Dizem que no Brasil o ano só começa depois do Carnaval. E o cenário para quem deseja abrir o próprio negócio no País, em 2026, é marcado por um paradoxo: ao mesmo tempo em que as barreiras tecnológicas diminuíram e estão mais acessíveis, a exigência por profissionalismo nunca foi tão alta.
De janeiro a novembro de 2025, 4,6 milhões de novos pequenos negócios foram iniciados no Brasil. Do total de empresas abertas, 97% são pequenos negócios – sendo 77% microempreendedores individuais (MEI), 19% microempresas e 4% empresas de pequeno porte. Dados do Sebrae mostram ainda que quase 40% dos brasileiros adultos pretendem abrir um negócio nos próximos três anos; um dos índices mais elevados do mundo.
O fim da “era do improviso”
Diante desse cenário, o empreendedor atual precisará ir além do improviso e adotar uma postura mais profissional desde o primeiro dia, avalia Alan Sales da Fonseca, especialista em Finanças e diretor de Operações do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR).
“Quem quiser empreender com chance real de sobreviver e crescer precisa observar movimentos que já estão em curso. O uso de tecnologia, especialmente da Inteligência Artificial (IA), muda completamente a estrutura de custos e a capacidade de execução de um negócio”, afirma.
Posição semelhante tem Fabricio Pelloso, head de Inovação e coordenador do Integrow, ecossistema do Grupo Integrado voltado à promoção da cultura empreendedora, da pesquisa aplicada e da inovação. Para ele, o ambiente de negócios em 2026 será moldado pela convergência entre políticas de inovação, tecnologias exponenciais cada vez mais acessíveis e consumidores mais conscientes.
“Startups e novos negócios precisarão demonstrar eficiência, impacto e capacidade de adaptação rápida. Quem incorpora tecnologia e visão de impacto desde o início tende a sair na frente”, destaca.
Por onde começar?
A recomendação dos especialistas para o empreendedor neste ano é inverter a lógica tradicional: em vez de focar no produto, deve-se focar no problema que deseja resolver.
“Validar ideias em pequena escala e estruturar um plano financeiro básico são atitudes que reduzem riscos”, sugere Fabricio Pelloso.
“O mercado que se desenha é fértil, mas seletivo. A receita para a longevidade, ao que tudo indica, combina três ingredientes: disciplina de gestão, visão de oportunidade e abertura radical às novas tecnologias”, complementa Alan Sales da Fonseca.
5 tendências para quem deseja empreender em 2026
Para nortear quem planeja tirar as ideias e os projetos do papel, os dois especialistas mapearam cinco tendências essenciais para o sucesso em 2026:
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Inteligência Artificial no centro da operação
A adoção intensiva de IA será praticamente obrigatória. Ferramentas de automação, atendimento, marketing, análise de dados e gestão financeira estão cada vez mais acessíveis e permitem que pequenos negócios operem com eficiência semelhante à de grandes empresas. “Empreender sem IA será como correr uma maratona de chinelo”, resume Fonseca.
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Impacto e ESG como proposta de valor
Negócios orientados apenas pelo lucro tendem a perder espaço. Clientes, investidores e instituições financeiras buscam empresas capazes de gerar impacto social ou ambiental positivo de forma mensurável. “Sustentabilidade, economia verde e responsabilidade social deixam de ser discurso e passam a integrar o modelo de negócio”, comenta Pelloso.
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Jornada do cliente totalmente digital
Não basta estar presente nas redes sociais. A experiência do cliente precisa ser integrada, permitindo descoberta, compra, pagamento e relacionamento por canais digitais. Mesmo empresas físicas precisam adotar jornadas híbridas, combinando tecnologia com atendimento humanizado.
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Comunidade e recorrência no lugar da venda pontual
Modelos baseados em assinaturas, clubes, fidelização e comunidades em torno da marca ganham força.
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Gestão profissional desde o início
O improviso tende a custar caro. Controle financeiro, acompanhamento de indicadores, entendimento de margens e fluxo de caixa passam a ser indispensáveis. Plataformas digitais e IA ajudam o empreendedor a tomar decisões baseadas em dados e não apenas na intuição.
“Além de fortalecer o relacionamento com o cliente, essas estratégias reduzem custos de aquisição e tornam o fluxo de caixa mais previsível”, explica Fabrício Pelloso.
Influência Humana
Por Robson Nunes
O mercado fala muito sobre tecnologia, dados e inovação.
Mas poucos falam sobre a habilidade que realmente move decisões: influência humana.
No clássico Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie, a mensagem é clara:
Quem entende pessoas, lidera.
5 princípios que continuam sendo armas estratégicas no mundo corporativo:
- Criticar menos. Compreender mais.
- Reconhecer de forma genuína.
- Falar menos sobre si e mais sobre o outro.
- Ouvir com intenção real.
- Fazer o outro se sentir importante — de verdade.
Influência não é manipulação.
É conexão + respeito + inteligência emocional.
Em posições estratégicas e comerciais, quem domina isso não vende apenas soluções — constrói confiança.
E confiança fecha contratos que argumentos técnicos sozinhos não fecham.
Grupo Disney mantem Premier League no catálogo até 2031
Por Valeria Contado
O Grupo Disney manterá, com exclusividade, a transmissão da Premier League na ESPN, seu canal linear na TV por assinatura, e no streaming, por meio do Disney+. O acordo é válido para o território da América do Sul e Caribe, tendo o Brasil como um dos principais mercados para a empresa de mídia.
De acordo com dados publicados pelo tabloide britânico, The Guardian, e confirmados pela reportagem de Meio e Mensagem, o contrato, que válido até 2031, custou ao grupo cerca de 450 milhões de euros, um aumento de 25% em um dos maiores mercados estrangeiros da Premier League.
O veículo afirma, ainda, que, os acordos de televisão internacionais da Premier League já são mais lucrativos do que os contratos nacionais, rendendo 2,1 bilhões de libras por ano, em comparação com os 1,67 bilhão de libras do mercado interno.
Não à toa, a liga inglesa é considerada uma das mais valiosas e competitivas do mundo, mantendo um sistema de distribuição de verbas que se tornou modelo para outros países.
Nesse caso, uma das principais fontes de receita é a venda de direitos de transmissão, que representam 34% do bolo total, segundo o relatório Finanças do Futebol no Mundo, apresentado por Rodrigo Capelo, sócio do Sport Insider no Blue Connections no ano passado.
Futebol no Grupo Disney
Além da liga inglesa, o Grupo Disney mantem em sua grade uma variedade de nacionalidades quando se trata de futebol.
O canal esportivo exibe as competições chanceladas pela Conmebol, Libertadores e Sul-americana, Brasileirão Série B, campeonato Argentino, Campeonato Português, Copa do Rei, Copa da Liga Inglesa, entre outros.
Para esses torneios, ESPN e Disney+ contam com: Betano, Draftea, Ford e Novibet, ocupando a cota master, e Shopee no Top de 5 Segundos.
Fadiga de acesso: o cansaço invisível imposto à PCD
Por Carolina Ignarra
Muito antes de chegar ao local de trabalho, a uma entrevista de emprego, a um evento social ou até mesmo a um momento de lazer, muitas pessoas com deficiência já estão exaustas. Esse cansaço não nasce da deficiência em si, mas da necessidade constante de enfrentar um mundo que insiste em não ser acessível. Esse fenômeno tem nome: fadiga de acesso.
O conceito foi formalizado pela pesquisadora Annika M. Konrad e vem sendo amplamente citado em pesquisas sobre trabalho, tecnologia e inclusão. Segundo a definição, a fadiga de acesso não é causada pela deficiência em si, mas pela fricção contínua entre o indivíduo e ambientes não acessíveis.
A falta de acessibilidade culpabiliza a pessoa com deficiência ou neurodivergente e cansa, atrasa e a culpa do atraso ainda é nossa.
A pesquisa “Radar da Inclusão 2025”, que analisa a empregabilidade de pessoas com deficiência (PcD) ou neurodivergentes no Brasil, revela números alarmantes. Segundo o estudo, 56% dos profissionais com deficiência ou neurodivergentes que estão empregados já vivenciaram situações de falta de acessibilidade que prejudicaram seu desempenho e bem-estar no trabalho.
Os impactos são profundos: 41% afirmam já ter desistido de ir a algum lugar por dificuldades de locomoção na cidade; 34% deixaram de buscar emprego ou formação ao preverem desafios de mobilidade ou acesso; e 26% perderam compromissos profissionais devido a barreiras de acessibilidade no trajeto.
Esses dados revelam uma realidade: oportunidades deixam de existir não por falta de competência, mas por ausência de condições mínimas de acesso.
A pesquisa também mostra que as barreiras não são apenas arquitetônicas: 36% das pessoas entrevistadas relataram atrasos causados por problemas de acessibilidade no trajeto, situações completamente alheias à sua capacidade profissional. Além disso, 37% afirmaram ter se sentido tristes ou deprimidas após enfrentar dificuldades de acesso no deslocamento diário.
Não por acaso, 77% dos participantes acreditam que as empresas brasileiras não estão preparadas para receber pessoas com deficiência. Ainda assim, 9 em cada 10 afirmam que se identificariam como PcD ou neurodivergente no currículo.
Entre as que optaram por não se identificar, 43% apontaram o medo do capacitismo como principal motivo. Além disso, 25% dos respondentes ocupados afirmam ter dificuldade de circular entre os espaços internos da empresa e metade tem dificuldade de participar de confraternizações ou momentos de integração com colegas.
Esse conjunto de experiências traduz um sentimento coletivo vivido por pessoas com deficiência: o desgaste contínuo de existir em ambientes que não nos consideram.
Esse cansaço é agravado pelo fato de que, muitas vezes, a culpa pelo atraso, pela dificuldade ou pela “logística extra” recai sobre a própria pessoa com deficiência, como se nós fossemos causadores dos problemas.
Em outras palavras, a fadiga de acesso é o esgotamento físico, cognitivo e emocional vivenciado por pessoas com deficiência devido à necessidade constante de ensinar outras pessoas sobre suas necessidades de acessibilidade; solicitar e renegociar adaptações; usar sistemas, ferramentas e fluxos de trabalho mal projetados e contornar barreiras da falta de acessibilidade em todas as suas dimensões:
- Arquitetônica: que prevê a ausência de barreiras físicas em todo e qualquer ambiente;
- Atitudinal: o comportamento das pessoas em relação aos outros e suas diferenças, sem preconceitos e discriminações;
- Comunicacional: que garante o direito e o acesso à informação sem barreiras na comunicação entre as pessoas, na expressão escrita, no acesso ao conteúdo de papel, audiovisuais e virtuais e que gera oportunidade, socialização e autonomia para todos;
- Digital: recursos que possibilitam a navegação, a compreensão e a interação de qualquer pessoa na web, sem ajuda de ninguém. Uma internet acessível para todo mundo, que beneficia idosos, pessoas de baixo letramento e pessoas com deficiência. Para isso, usamos tecnologias assistivas;
- Instrumental: acessibilidade que deve existir em todos os instrumentos, desde uma caneta, um compasso, uma régua. Tudo que envolve o uso de um instrumento deve envolver acessibilidade;
- Metodológica: acessibilidade nas técnicas e métodos de ensino e de trabalho para atender a todas as inteligências, pois cada ser humano tem um estilo de aprendizagem. Ela se faz presente quando quem ensina observa o jeito de cada um aprender para seu melhor aproveitamento;
- Natural: as barreiras não construídas pelo homem interferem na acessibilidade, como areia, pedras e penhascos, e, de alguma forma, impedem a presença das pessoas com deficiência;
- Programática: planos, projetos, leis, normas de serviços, decretos, tudo que for operacional, com aspecto de normatizar condutas, não pode ter barreiras programáticas, pois trazem palavras ou informações que causam a exclusão das pessoas com deficiência.
Quando essas barreiras se acumulam, o resultado é um cansaço que não aparece em relatórios de produtividade, mas que impacta profundamente a saúde mental, as relações sociais e as trajetórias profissionais. Para ilustrar como a fadiga de acesso se materializa no cotidiano profissional, mulheres com deficiência compartilharam algumas histórias que vivenciaram:
Luzia Firmino, mulher com baixa visão e consultora de inclusão, relata que durante uma SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho) em uma indústria farmacêutica onde trabalhou, foi organizada uma dinâmica de “caça ao tesouro” em uma sala completamente escura, com pistas escritas em letras minúsculas. Impossibilitada de participar, a “solução” encontrada foi separá-la do grupo para que realizasse a atividade sozinha, enquanto todos aguardavam. O que deveria promover integração acabou reforçando exposição e exclusão.
Tabata Contri, atriz, cadeirante e consultora de inclusão, destaca que a fadiga de acesso começa antes mesmo de sair de casa. Ao acompanhar o marido músico em turnês, ela relata o desgaste de precisar explicar à equipe de produção sobre acessibilidade para, ainda assim, enfrentar hotéis sem quartos adequados, cadeiras de banho impróprias e banheiros onde foi necessário retirar portas para permitir sua passagem. Em um dos episódios mais simbólicos, Tabata foi desconvidada para ser madrinha de casamento porque o altar não era acessível.
Fabiana Machado, também consultora de inclusão, viveu a exclusão cotidiana no ambiente de trabalho ao não conseguir almoçar com a equipe, que frequentava restaurantes inacessíveis para ela. Dentro da empresa, o micro-ondas ficava em uma altura impossível de alcançar. A rotina era almoçar sozinha e esperar alguém retornar para aquecer sua comida. Em determinado momento, isso se tornou tão naturalizado que a equipe apagava a luz da sala ao sair para o almoço, com Fabiana ainda ali. Como se não houvesse ninguém na sala.
A fadiga de acesso também se manifesta em momentos que deveriam ser de descanso. Viagens se tornam um campo minado de transportes inacessíveis, hotéis que prometem acessibilidade inexistente e praias e atrações que só podem ser observadas à distância. O resultado é a restrição da convivência, a repetição dos mesmos destinos ou, muitas vezes, a desistência de sair.
Um exemplo marcante ocorreu com uma conhecida minha. Sua filha, adolescente com TDAH, foi enviada para fazer o ENEM em uma escola distante da sua e inacessível, onde foram concentradas todas as pessoas que declararam alguma deficiência.
Ela presenciou uma pessoa cadeirante sendo carregada escada acima e um jovem com muletas que confessou estar “segurando a vontade de ir ao banheiro para não precisar subir a escada novamente”. É impossível não imaginar o impacto disso no desempenho da prova.
Mesmo em espaços de fala e protagonismo, a fadiga de acesso persiste. Após 24 anos utilizando cadeira de rodas, ainda é comum eu precisar ser carregada para subir em palcos sem rampas adequadas. Mesmo chegando antes do horário, a espera pela “logística” faz parecer que o atraso é da pessoa com deficiência, reforçando a sensação de inadequação.
Essas experiências produzem um sentimento recorrente de incapacidade, exposição e culpa. A mensagem transmitida pela inacessibilidade é direta: algumas pessoas não são bem-vindas aqui e as consequências aparecem em comportamentos como:
– Isolamento social, para evitar situações de desgaste previsível;
– Dificuldades de encontrar moradia, especialmente em grandes cidades com imóveis pouco acessíveis, com sobrados e apartamentos muito pequenos;
– Redução da participação pública, por não querer ser “um acontecimento”.
Pessoas com deficiência estão cansadas, mas não podem carregar essa pauta sozinhas. A transformação exige pessoas aliadas da inclusão, dispostas a aprender, questionar padrões e agir intencionalmente.
Não se trata de apontar vilões. Na maioria das vezes, a exclusão nasce da falta de informação e da ausência de intenção. Ainda assim, seus efeitos são reais e profundos, impactando a saúde mental, a vida social e as oportunidades de carreira.
Acessibilidade não é privilégio, é direito. E quando ela existe, beneficia toda a sociedade. Enquanto pessoas com deficiência seguem “dando um jeito” para existir, o mundo precisa aprender a fazer a sua parte. Porque a energia de quem vive a fadiga de acesso não é infinita, e ninguém deveria se esgotar apenas para ter o direito de ser e estar como é.
Como TikTok rastreia o que você faz na internet mesmo que não use o aplicativo
Por Thomas Germain
O TikTok acompanha tudo o que você faz no aplicativo. Até aqui, nenhuma surpresa.
O que nem todos sabem é que a plataforma também segue você em outras partes da internet que não têm nada a ver com o TikTok. Na verdade, a plataforma coleta informações sensíveis e possivelmente embaraçosas a seu respeito, mesmo que você nunca tenha usado o aplicativo.
No início de fevereiro, encontrei websites enviando para o TikTok dados sobre diagnósticos de câncer, fertilidade e até crises de saúde mental. Tudo isso faz parte de um império de rastreamento que se estende muito além da plataforma de rede social.
Agora, graças a um novo grupo de funções, o TikTok está pronto para expandir sua rede e observar ainda mais detalhes da sua vida privada.
A mudança veio poucas semanas depois da venda das operações do TikTok nos Estados Unidos para um grupo de empresas que mantêm laços com o presidente americano, Donald Trump.
O acordo gerou novas preocupações com privacidade, por parte de usuários e especialistas em direitos humanos. Mas o TikTok afirma possuir orientações transparentes sobre como responder aos pedidos de dados apresentados pelo governo.
Felizmente, esta é uma história de privacidade com um lado positivo. Existem medidas simples que você pode tomar em cerca de cinco minutos para ajudar a manter suas informações livres do alcance da plataforma.
A questão gira em torno de mudanças importantes em relação ao “pixel” do TikTok. Trata-se de uma ferramenta de rastreamento que as empresas usam para monitorar seu comportamento online.
Pedi a uma companhia de cibersegurança chamada Disconnect que analisasse o pixel. Eles concluíram que o pixel atualizado do TikTok coleta informações de formas incomuns em comparação com seus concorrentes.
“Ele é extremamente invasivo”, afirma o chefe de tecnologia da Disconnect, Patrick Jackson. “Ele ampliou o compartilhamento de dados.”
“Quando você analisa o código real do pixel, você observa coisas que parecem muito ruins.”
O TikTok afirma que seus usuários são informados sobre suas práticas de coleta e uso de dados nas políticas de privacidade e, em alguns casos, em notificações. A empresa também afirma que oferece às pessoas configurações de privacidade para que elas mantenham o controle.
“O TikTok empodera os usuários com informações transparentes sobre suas práticas de privacidade e oferece diversas ferramentas para customizar sua experiência”, declarou um porta-voz da companhia.
“Os pixels de publicidade são padrão na indústria e largamente empregados em plataformas sociais e de imprensa, incluindo pela BBC.”
Mas a maioria das pessoas pode não perceber que o TikTok retém seus dados mesmo se elas nunca utilizarem a plataforma de rede social.
Rastreador invisível
Empresas que administram redes de publicidade os utilizam há anos para interceptar o que as pessoas fazem na web. Elas incluem o Google, a Meta e centenas de outras.
Uma imagem invisível, do tamanho de um pixel da sua tela, é carregada em um website, em segundo plano. Ela está repleta de tecnologia de coleta de dados.
Os pixels estão em toda parte e observam você constantemente.
Eles funcionam da seguinte forma. O TikTok, por exemplo, incentiva as empresas a colocar pixels nos seus websites para ajudar a gigante de rede social a coletar mais dados.
Digamos que eu tenha uma loja de calçados online. Se eu usar o pixel, ele irá permitir que o TikTok colete muitos dados sobre meus clientes, para mostrar a eles anúncios direcionados.
Ele também ajuda a plataforma a descobrir se as pessoas que observam aqueles anúncios de calçados fazem alguma compra. Com isso, eu sei que os anúncios que estou pagando estão funcionando e talvez eu venha a anunciar mais.
Como a maior parte das organizações jornalísticas, a BBC utiliza ferramentas analíticas e compartilha dados com parceiros anunciantes, segundo a nossa política de privacidade.
A BBC não usa os pixels de rastreamento do TikTok no seu website, nem coloca pixels publicitários em sites de terceiros.
Tela de celular com ícones de diversas redes sociais, com o dedo de uma pessoa se preparando para abrir o TikTokCrédito,Getty Images
Legenda da foto,O pixel do TikTok coleta informações sensíveis e possivelmente embaraçosas a seu respeito, mesmo que você nunca tenha usado o aplicativo
Os dados coletados pelo site da loja de sapatos podem ser inócuos. Mas escrevo sobre a coleta de dados pelo TikTok há anos e os pixels podem coletar informações extremamente pessoais.
Visitei recentemente, por exemplo, o website de um grupo de apoio ao câncer.
O Disconnect descobriu que, quando cliquei um botão em um formulário, dizendo que eu era paciente ou sobrevivente de câncer, o website enviou ao TikTok meu endereço de e-mail, junto com esta informação.
Uma empresa de saúde da mulher enviou dados ao TikTok quando observei exames de fertilidade. E uma organização de saúde mental entrou em contato com o TikTok quando indiquei que estou em busca de um psicólogo para lidar com uma crise.
Os websites que usam pixels enviam dados sobre todos os seus visitantes. Por isso, não importa se você tem conta no TikTok ou não.
Segundo um porta-voz, isso, essencialmente, não é responsabilidade da empresa. Eles afirmam que os websites precisam respeitar as leis de privacidade e informar os usuários sobre sua prática de uso de dados.
O TikTok afirma que os websites são proibidos de compartilhar certos tipos de informações sensíveis, como dados de saúde. E a empresa declarou que toma medidas proativas para alertar websites que compartilharem dados inadequados.
Se a sua preocupação forem esses websites individuais, você não está compreendendo a questão. Os críticos afirmam que grandes empresas de tecnologia, como o TikTok, acompanham cada vez mais tudo o que você faz na internet.
Segundo a companhia de privacidade DuckDuckGo, o TikTok mantém rastreadores em 5% dos principais websites do planeta. Este número vem crescendo de forma consistente, mas não é nada em comparação com o Google, que mantém rastreadores em quase 72% dos principais websites, e com a Meta, com cerca de 21%.
“Esta é literalmente a cartilha empregada pela Google e pela Meta há anos”, afirma o diretor-executivo de produtos da DuckDuckGo, Peter Dolanjski.
Eles começaram a coletar pequenas quantidades de dados e cresceram até formar um império, com visibilidade massiva sobre a sua vida diária, segundo ele.
Todos esses dados podem fazer com que você veja anúncios mais direcionados, o que pode ser do seu agrado. Mas esses registros detalhados da sua vida pessoal não existiriam se as empresas de tecnologia não estivessem vigiando e expondo você a todo tipo de risco, explica Dolanjski.
“Os algoritmos podem usar esses dados para explorar você”, explica ele. “Pode ser coerção para que você compre alguma coisa, podem ser campanhas políticas, pode ser discriminação de preços.”
Os dados publicitários já foram usados para todo tipo de objetivo, desde supostas violações de direitos civis até discriminação sexual.
O império de dados do TikTok
O pixel do TikTok existe há anos. Mas, agora, ele sofreu mudanças importantes.
No dia 22 de janeiro de 2026, quando as operações do TikTok nos Estados Unidos mudaram oficialmente de dono, os usuários precisaram aceitar um novo conjunto de práticas de coleta de dados.
Ele inclui uma nova rede publicitária que o TikTok irá empregar para exibir anúncios dirigidos nos websites de outras pessoas. E, para possibilitar este novo sistema de publicidade, a plataforma atualizou o seu pixel.
No passado, o pixel do TikTok basicamente dizia às empresas se os seus anúncios estavam gerando vendas no aplicativo. Agora, o pixel ajudará as companhias a seguir os usuários que observam um anúncio quando eles saem do TikTok e fazem compras em outro lugar.
Isso provavelmente fará com que mais empresas comprem anúncios no TikTok e o pixel apareça em novos lugares, segundo Arielle Garcia, chefe de operações do grupo de vigilância da publicidade digital Check My Ads.
Em outras palavras, o império de rastreamento do TikTok irá se expandir.
“Naturalmente, estas ferramentas tornam a plataforma mais atraente para os anunciantes — e é isso, em última análise, que faz com que as plataformas de anúncios cresçam”, explica Garcia.
A Disconnect descobriu que o pixel do TikTok, agora, coleta mais informações do que antes, interceptando automaticamente dados que os websites enviam para o Google.
Os especialistas dizem que este procedimento é extraordinariamente invasivo.
“Eles estão capturando silenciosamente aqueles dados sem que o dono do site compartilhe explicitamente aquela informação com o TikTok”, explica Jackson. Isso significa que os websites podem enviar involuntariamente para a plataforma ainda mais dados que o pretendido.
Mas o TikTok discorda. Um porta-voz da empresa afirma que a plataforma deixa claro quais dados são coletados pelo pixel e as companhias podem simplesmente alterar a configuração dos seus websites, caso não desejem que o TikTok observe o que eles enviam para o Google.
O Google não respondeu ao pedido de comentários enviado pela BBC.
O TikTok também possui certos controles de privacidade. Os usuários podem “limpar” os dados coletados pelos pixels da plataforma utilizando uma configuração no aplicativo.
Já as pessoas que não têm conta na plataforma podem pedir para o TikTok excluir todos os dados que eles tenham disponíveis sobre elas.
Mas, para impedir a coleta de dados antes que ela aconteça, você precisa tomar outras medidas.
Como se proteger
Temos boas e más notícias sobre este tema. Primeiro, as boas.
A melhor opção é usar um navegador da web que ofereça mais privacidade. Sei que a mudança parece trabalhosa, mas é fácil importar seus bookmarks. Tente fazer.
Cerca de 71% das pessoas usam o Google Chrome. Pesquisas acadêmicas preliminares concluíram que ele deixa vazar mais informações do que muitos dos seus concorrentes.
Os especialistas em privacidade costumam recomendar os navegadores DuckDuckGo e Brave, especificamente projetados para proteger os dados.
O Firefox e o Safari são considerados opções melhores que o Chrome, mas são menos rigorosos em relação à privacidade.
Se mudar de navegador é pedir demais, instale uma extensão que bloqueie esses rastreadores.
Pedi ajuda à Disconnect e ao DuckDuckGo para esta reportagem porque ambos fornecem bloqueadores de rastreamento. Mas existem outras opções, como o Privacy Badger e Ghostery.
Certos bloqueadores de anúncios também impedem parte da coleta de dados, como o AdBlock Plus e o uBlockOrigin.
A DuckDuckGo mantém um quadro comparativo do funcionamento dos bloqueadores de anúncios.
Só não instale extensões de navegadores que não sejam recomendadas por fontes confiáveis. É como instalar um aplicativo. Alguns deles trazem riscos.
Agora, as más notícias. Seguindo estas duas medidas, você irá bloquear o pixel do TikTok e muitas outras invasões de privacidade. Mas eu não diria que seus problemas com dados estarão resolvidos.
Existem muitas outras formas usadas pelas empresas para compartilhar dados com o TikTok, Google, Meta e outras companhias que vivem de publicidade. Elas coletam dados sobre você e os enviam diretamente dos seus servidores para as gigantes da tecnologia, por exemplo.
“É uma caixinha de surpresas”, explica Peter Dolanjski. “Não sei dizer com que frequência ela é utilizada, pois tudo acontece nos bastidores.”
“É muito mais difícil se proteger contra isso. Sua única defesa real é não usar as mesmas informações pessoais em vários serviços”, para dificultar a identificação do que você faz em diferentes partes da internet.
A verdadeira solução é criar melhores leis de privacidade, segundo Arielle Garcia.
“Este problema não se limita a uma plataforma”, explica ela. “É todo um ecossistema de tecnologia de publicidade que, em última análise, precisa ser combatido com regulamentações mais fortes.”
“A única medida que realmente trará mudanças virá quando as pessoas fizerem suas vozes serem ouvidas junto aos legisladores, deixando claro que sua privacidade é algo que realmente as preocupa.”
Black Friday supera Natal e impulsiona varejo em 2025, diz IBGE
Por Daniela Amorim
A queda de 0,4% no comércio varejista brasileiro em dezembro ante novembro foi decorrente de “uma Black Friday mais forte do que o Natal” no comércio no ano de 2025, avaliou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“Eventualmente, nas promoções de novembro no varejo, você consegue também fazer as compras para o Natal”, apontou o pesquisador, sugerindo um movimento de antecipação de compras.
O recuo no volume vendido em dezembro sucedeu o pico histórico de vendas em novembro de 2025, adicionando assim o desafio de superar uma base de comparação bastante elevada, lembrou Santos.
“Dezembro tem efeito base (de comparação elevada). Novembro era o pico da série, é mais difícil conseguir mais crescimento em volume”, disse Santos. “Temos fatores que contribuíram para o crescimento do comércio diante de uma base de comparação já alta. O varejo vinha de um ano muito forte em 2024”, lembrou.
Entre os impulsos ao consumo no varejo, o pesquisador mencionou o mercado de trabalho aquecido, com aumento no emprego e a massa de renda em alta, além da expansão do crédito à Pessoa Física.
Outros elementos que ajudaram no desempenho positivo do varejo em 2025 foram a trégua da inflação em alguns meses do ano e a desvalorização do dólar ante o real, com impacto, sobretudo, na atividade de equipamentos de informática e comunicação.