Caca Oliveira

PRESERVAÇÃO CULTURAL

Por Caca Oliveira – Comunicador, Publicitário, radialista, escritor e Diretor da Regional/Norte da Associação dos Profissionais de Propaganda / APP – Brasil

Por entendermos a cultura como expressão do espírito, seja no âmbito intelectual, artístico ou científico, consideramos a necessidade de preservação cultural como autopreservação dos valores espirituais de cada indivíduo e, consequentemente, de sua coletividade.

Na realidade, a diversificação intelectual, moral e até mesmo religiosa dos povos, fatalmente os encaminha a um processo separatista em termos culturais. Daí o imperativo de “garantir” as raízes próprias, protegendo-as contra as influências exteriores que possam vir a desfigurar a herança cultural de uma nação, sufocando-a e substituindo-a.

No entanto, para não apequenarmos o sentido de preservação cultural, apegados apenas no adjetivo único de “preservar raízes”, recorremos a natureza, nela buscando a exemplificação que precisamos.

Observamos uma árvore. Suas raízes, fortemente agregadas ao solo, fixam o vertical, a gleba e o alimento, garantindo-lhes a existência. O tronco robusto é o sustentáculo dos olhos da verticalidade do vegetal. As folhas com sua função respiratória, possibilitam-lhe a vitalidade e executam com maestria a renovação do ar. As flores, além de perfumarem o ambiente, estimulam a fecundação, dando origem aos frutos.

Transportemos a nossa ótica ao problema da conservação cultural. Encaremos a cultura como uma árvore. Não podemos desprezar- lhe as raízes. Devemos mesmo preservá-las, adubando-as carinhosamente e com atenção protegendo-as. Os troncos são os que incentivam, estimulam e sustentam o movimento cultural e sua ascensão que recebem, através das raízes, a seiva nativa do povo, ressaltando – lhe a beleza e a vitalidade, incorporando-a ao movimento atual, sem que o sentimento nativo seja desfigurado.

Os galhos e ramificações são representados pelos diversos segmentos culturais (intelectual, artísticos e científico).

As folhas representam o intercâmbio com os outros centros culturais, onde a troca de experiências e informações permitem respirar o ar puro e sadio dos ideais do bem, do belo e do útil.

Finalmente, flores e frutos esparzindo o perfume da sensibilidade e saciando a fome de conhecimento e afetividade que trazemos desde as nossas origens.

Em resumo: não se pode preservar a cultura objetivando tão somente a conservação de raízes. Há de se pensar no fortalecimento do tronco, na limpeza e preservação dos galhos e das folhas, na disseminação das flores e frutos, a fim de que a árvore cultural atinja seus objetivos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *