Carlos Totti-23-08-19

ALERTA TEXTÃO

Por Carlos Totti – Executivo Comercial na empresa Band

Estamos em 2019, num mundo em plena e constante transformação. Fala-se em inovação, empresas do futuro, mudanças no mercado, em novas formas de consumir, negociar e de vender. O tema é empolgante, complexo e abrangente. Mas é necessário entender que empresas são muito mais do que equipamentos e produtos, em grande parte, são construídas por pessoas e para pessoas. Estamos falando de gente para gente.
É um fato concreto que o mundo precisa ser contextualizado numa realidade volátil e imprevisível. As mudanças ocorrem com rapidez e estão sujeitas a inúmeras influências, nem sempre previsíveis e controláveis. Elas podem mudar o rumo das transformações, nos surpreender e até nos preocupar.
Por isso, vivenciando desafios diários em nosso mercado, conversando com pessoas, ouvindo nas reuniões e também observando o que as empresas em geral estão enfrentando, tendo como pano de fundo as expectativas do consumidor, fico me questionando: o nosso mercado está com um mindset realmente preparado para as mudanças do nosso mundo?
Eu sei que números são importantes e o resultado nos negócios é a peça chave de tudo. Mas isso é consequência de um trabalho bem executado. Eu particularmente, como Executivo de Mercado num importante grupo de comunicação, penso constantemente e incansavelmente em como levar mais resultado para nossos parceiros e clientes através de nossos projetos, ações de branded content e entregas de mídia. Eu nem penso mais no termo “cliente”, por exemplo, mas, em “parceiro” e/ou “sócio”. Afinal, quando entramos juntos em um negócio somos sócios e os resultados precisam vir de qualquer jeito. Evito usar a palavra “entrega comercial”, porque o foco não está somente em “comércio”, mas em experiência, em relação com o consumidor, e também num planejamento de mídia para se obter um resultado mais assertivo. Quando construímos uma solução de mídia e comunicação, primeiro entendemos a necessidade do parceiro (qual é a “dor do cliente”, como aprendi numa palestra recente) e de que forma podemos contribuir nesse contexto, gerando visibilidade, posicionamento de marca, recall institucional e, consequentemente, resultado nos negócios.
Temos ainda um mercado de publicidade bastante pautado em números: número de audiência, número de visitas, número de leds. Quando na verdade temos que pensar mais profundamente na qualidade desse número. Adianta realmente ter mil ligações depois de uma campanha e em grande parte delas as pessoas sequer entenderam qual é a promoção? Ou desse número expressivo de contatos não converter num resultado efetivo de novos clientes para o parceiro?
Costumava pensar e dizer que eu não vendo número, eu gero conteúdo e propósito. Mas, depois de uma reunião nessa semana, descobri e aprendi um termo melhor com um parceiro, que irei adotar a partir de agora: eu não vendo número, eu vendo convicção.
O conceito de venda, que vem do latim “vendĭta”, significa “ação”. Precisamos de AÇÃO! Num ambiente de mercado focado em crise, um tanto acuado, lento e desmotivado, precisamos de pessoas que entendam que é preciso fazer movimentos, mas consistentes, inteligentes, ousados e diferentes. A venda de produtos ou serviços constitui a base das operações das empresas. Através destas vendas, as empresas obtêm lucro e as pessoas se remuneram. E isso faz a economia girar e se retroalimentar. Parece meio óbvio isso, mas não é.
Como disse no início, empresas são pessoas. E precisamos de pessoas arrojadas! Se podemos dizer isso na atualidade, a afirmação será ainda mais significativa para as empresas do futuro, pois o capital humano é determinante na capacidade de uma organização em inovar. O conhecimento se tornou um capital importantíssimo. Com o aumento crescente da automação, a habilidade manual será cada vez menos importante nas profissões do futuro em relação a intelectual. Porém, para que o ser humano exerça sua capacidade criativa e adote uma postura visionária, as empresas precisam criar ambientes que favoreçam os novos comportamentos e atitudes necessárias.
Dentre as características das empresas tradicionais que dificultam a inovação está a cultura de não aceitar o erro, ou até mesmo, de evitar correr riscos, sugerir mudanças e pensar algo diferente daquilo que é aparentemente mais seguro. O conhecido: vamos manter as coisas como são.
Eu reitero todos os dias, temos que pensar que o consumidor atual é focado em buscar marcas que apresentam facilidade de encontra-las, acessá-las, conhecê-las e que gerem identificação/empatia. Empresas que valorizam a importância das conexões humanas, que representam o consumidor em suas necessidades/temas/dores, estabelecem relações de transparência, serão devidamente reconhecidas e terão engajamento. Afinal, o futuro não é sobre ter, mas sobre viver. A economia compartilhada ganhará forças em um cenário que os consumidores estão mais abertos a experimentarem e as marcas precisam entender a dinâmica deste novo mercado.
Voltando para minha realidade, atuo num grupo de comunicação que se reinventa sempre e se comunica com milhares de pessoas todos os minutos do dia. Temos um espaço fantástico para criar, gerar conteúdo, viver histórias, provocar os consumidores e estabelecer conexões reais, inclusive temos cases disso! Mas é vital que as agências e empresas estejam dispostas a mudar seu olhar, esquecer o mercado de mídia como conhecíamos e perceber que temos essa possibilidade grandiosa. Temos que embarcar juntos nessa jornada que pode ser incrível. Muitos já estão tendo essa experiência e entendendo que não podemos estar alienados apenas a dados de planilhas. O desafio de fazer um novo tipo e modelo de comunicação é enorme, mas os frutos colhidos logo ali na frente serão inúmeros para quem está sabendo plantar hoje. Não adianta mais o ranço com as reuniões, com a necessidade de receber o veículo de comunicação, com o responder os e-mails ou WhatsApp, com o tempo para ler um projeto. Não funciona mais somente ficar pedindo dados de audiência e basear apenas nisso suas estratégias, quando você não conhece sequer os produtos que estão no ar, ou o tipo de público que consome eles, ou a versatilidade de formatos para a marca/produto/serviço do cliente estar inserida ali naquele contexto. É na conversa, na troca, no olho no olho, no entender o negócio do parceiro, na análise excessiva das possibilidades e também numa certa crença em apostar em novos negócios que podemos construir novas saídas e novos resultados.

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