Na coluna de hoje, você vai ler artigos sobre: As Gerações – Convivência Intergeracional: Um Desafio e uma Oportunidade, Geração Beta: por que a infância de 2025 será mais parecida com a dos anos 1950?, Não minta pra mim: etarismo existe, sim!, Microaposentadoria: este é o ‘truque’ da Geração Z para trabalhar menos e curtir mais, Esporte como estilo de vida: o novo normal da Geração Z , Para a Geração Z, “pequenos mimos” valem estourar o orçamento do mês,Geração Z redefine sucesso profissional e coloca propósito no centro das escolhas de carreira e MS registra aumento de 48% nas negociações de dívidas por jovens da Geração Z.
As Gerações – Convivência Intergeracional: Um Desafio e uma Oportunidade
Por Jeferson Motta
Geração Alpha (nascidos a partir de 2010)
• Idade atual: até 15 anos
• Características: nativos digitais absolutos, altamente conectados, visualmente estimulados, aprendem com vídeos e IA.
• Desafios: excesso de telas, socialização no mundo físico, educação adaptada ao ritmo acelerado da tecnologia.
• Ainda não estão no mercado, mas já influenciam decisões de consumo e moldam o futuro da educação e do trabalho.
Geração Z (nascidos entre 1997 e 2009)
• Idade atual: 16 a 28 anos
• Características: impacientes com estruturas hierárquicas, querem propósito, diversidade, flexibilidade e equilíbrio.
• Fortes em: inovação digital, redes sociais, ativismo.
• Desafios: ansiedade, pressão por performance e rápida ascensão profissional.
• No trabalho: esperam feedback constante, autonomia e cultura inclusiva.
Geração Y (Millennials – nascidos entre 1981 e 1996)
• Idade atual: 29 a 44 anos
• Características: geração das transições – do analógico ao digital, da estabilidade ao propósito.
• Valorizam: experiência, inovação, liderança horizontal e desenvolvimento contínuo.
• No trabalho: lideram equipes jovens, são maioria em cargos de coordenação e gestão.
• Desafios: conciliar carreira, filhos e bem-estar mental.
Geração X (nascidos entre 1965 e 1980)
• Idade atual: 45 a 60 anos
• Características: cresceram em um mundo analógico, mas se adaptaram ao digital. Valorizam mérito, estabilidade e reconhecimento.
• Força: resiliência, capacidade de mediação entre gerações.
• Desafios: enfrentar o etarismo e provar continuamente sua relevância.
• No trabalho: são líderes experientes, gestores de crise e estratégicos.
Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964)
• Idade atual: 61 a 79 anos
• Características: foco em legado, trabalho duro, disciplina.
• No trabalho: muitos ainda ativos, principalmente como consultores, mentores, conselheiros.
• Desafios: preconceito etário, desatualização digital percebida, pressão para “sair de cena”.
• Valor estratégico: conhecimento tácito, visão sistêmica e influência institucional.
Convivência Intergeracional: Um Desafio e uma Oportunidade
Hoje temos cinco gerações convivendo ao mesmo tempo no mundo do trabalho. Isso nunca aconteceu antes na história da humanidade.
É inevitável que haja choques de valores, ritmos, expectativas e linguagens.
Mas com liderança bem conduzida, essa diversidade vira riqueza cultural, inovação colaborativa e vantagem competitiva.
E o etarismo?
É o maior inimigo invisível dessa convivência.
Rotula, descarta e limita o potencial humano com base apenas na data de nascimento.
Combatê-lo é garantir que todas as gerações possam contribuir com o que têm de melhor.
Geração Beta: por que a infância de 2025 será mais parecida com a dos anos 1950?
Por Renato Soares
O futuro da geração beta, formada por crianças nascidas a partir de 2025, promete ser muito diferente do que vivenciaram as gerações anteriores.
Se a geração alfa cresceu cercada por smartphones, tablets e redes sociais, a nova leva de crianças pode experimentar uma infância mais analógica, semelhante à dos anos 1950. E, ao contrário do que muitos pais imaginam, especialistas afirmam que esse movimento será inevitável.
O motivo? A crescente preocupação de governos e autoridades de saúde com os impactos do uso precoce e excessivo de telas no desenvolvimento infantil.
Estudos associam a exposição digital desde os primeiros anos de vida a problemas como atrasos na linguagem, dificuldades de concentração, distúrbios do sono e menor capacidade de interação social.
A França como pioneira na mudança
Segundo reportagem do site JeuxVideo, o governo francês está elaborando uma legislação ampla para reduzir o contato das crianças com dispositivos eletrônicos, tanto em escolas quanto no ambiente doméstico.
A proposta, apresentada pela ministra da Saúde, Catherine Vautrin, estabelece regras rigorosas:
A ministra ressalta que não se trata de “colocar policiais dentro das casas das pessoas”, mas de oferecer referências sólidas para que os pais possam proteger o desenvolvimento saudável dos filhos. O objetivo é resgatar práticas que valorizem experiências sensoriais, interações sociais e aprendizado por meio do brincar.
Por que essa mudança é urgente
Dados recentes mostram que muitas crianças passam de três a seis horas por dia diante de telas, mesmo antes dos 3 anos de idade. De acordo com a Associação Catalã de Berçários, a retirada desses dispositivos leva a melhorias significativas na socialização e no desenvolvimento da linguagem em poucas semanas.
Na Espanha, várias comunidades autônomas, como Astúrias, Baleares, Catalunha, Galícia, Madri, Múrcia e Valência, já implementaram medidas semelhantes.
Incentivo ao uso de materiais impressos em vez de recursos digitais nas escolas.
Redução do tempo de exposição às telas em atividades educacionais.
Reavaliação da necessidade de tarefas escolares em formato digital.
Segurança digital e proteção na adolescência
Outro pilar dessa transformação é a Lei de Proteção de Menores no Ambiente Digital, que busca:
Fixar idade mínima de 16 anos para criação de contas em redes sociais.
Obrigar a ativação de controles parentais em dispositivos e aplicativos.
Essas medidas pretendem não apenas prevenir os riscos das redes sociais, mas também envolver os pais no acompanhamento do uso da tecnologia, estimulando hábitos mais saudáveis e responsáveis.
Um salto para o passado em nome do futuro
O cenário que se desenha para a geração beta não é um retrocesso, mas um retorno estratégico a modelos de infância mais equilibrados, onde o contato humano, o brincar ao ar livre e o aprendizado prático voltam a ocupar espaço central.
Especialistas acreditam que esse resgate pode criar crianças mais criativas, resilientes e socialmente engajadas, além de reduzir a dependência de dispositivos digitais desde cedo.
E, para muitos pais, essa será uma mudança que não dependerá de escolha pessoal, mas de políticas públicas e regulamentações globais.
Não minta pra mim: etarismo existe, sim!
Por Jeferson Motta
E tem nome, rosto, CPF e às vezes, crachá de RH.
É aquele silêncio constrangedor quando você diz sua idade numa entrevista.
É o “você tem experiência demais para a vaga” disfarçado de elogio.
É o sistema que prefere um júnior cansado a um sênior brilhante.
Não estamos falando de estatísticas distantes.
Estamos falando de gente de verdade. De você. De mim. De nós.
Etarismo é preconceito contra a idade. E sim, ele mata oportunidades. Mata autoestima. Mata sonhos.
Mas o mais perigoso não é o etarismo escancarado.
É o sutil.
É o institucionalizado.
É o que finge que não existe e, por isso, segue impune.
Enquanto vendem a “diversidade” como uma hashtag bonita, ainda se contratam perfis iguais, com idade parecida, da mesma bolha, com o mesmo repertório limitado.
Você já percebeu como, em muitas empresas, a diversidade acaba aos 45?
“Ah, mas ele não tem mais pique.”
Sério? Ou será que tem mais método?
“Ela não domina a nova tecnologia.”
Talvez não. Mas ela domina algo mais raro: discernimento, visão estratégica, histórico de entregas reais.
Enquanto algumas lideranças se iludem com “agilidade”, esquecem que experiência também acelera decisões, porque evita erros que já foram cometidos no passado.
E o mais irônico?
O mesmo mercado que marginaliza profissionais maduros…
É o mesmo que vai chorar por falta de talentos em poucos anos, com o envelhecimento da população ativa.
Ou seja: o futuro do trabalho é maduro, querendo ou não.
E cabe a nós mudar essa lógica agora.
Por isso nasceu o Movimento 50+ Contra o Etarismo.
Para combater o preconceito com estratégia.
Para transformar maturidade em protagonismo.
Para abrir espaço onde antes só existia silêncio.
Se você acredita que ninguém deveria ser descartado por ter vivido demais…
Se você quer construir um futuro mais justo, diverso e inteligente…
Vem com a gente.
Vamos juntos desmascarar o etarismo e transformar vivência em vantagem competitiva.
Curta. Comente. Compartilhe. Marque um amigo que já sentiu na pele o peso do etarismo.
Porque a luta é coletiva. E o tempo de mudar é agora.
Microaposentadoria: este é o ‘truque’ da Geração Z para trabalhar menos e curtir mais
Por Renato Soares
Em um mundo cada vez mais acelerado e instável, a Geração Z está quebrando um dos paradigmas mais antigos da vida profissional: trabalhar ininterruptamente até a aposentadoria formal para só então descansar.
Jovens nascidos na era digital, com acesso instantâneo à informação e testemunhas de crises econômicas recorrentes, estão optando por um novo modelo de vida, a microaposentadoria, que intercala períodos de trabalho intenso com pausas prolongadas para recarregar as energias, preservar a saúde mental e viver experiências significativas ainda na juventude.
Essa mudança de mentalidade coloca em xeque o modelo tradicional, no qual o descanso verdadeiro só chegaria após décadas de dedicação contínua ao mercado.
Agora, o equilíbrio entre bem-estar e trabalho se torna prioridade, e a pergunta que guia essa geração é simples, mas poderosa: vale a pena esperar até os 65 anos para viver?
O que é microaposentadoria e por que a Geração Z a adota
O conceito de microaposentadoria, popularizado pelo autor Timothy Ferriss no livro “Trabalhe 4 Horas por Semana”, defende a alternância entre fases produtivas e períodos sabáticos curtos ao longo da vida.
Em vez de esgotar as energias em uma maratona profissional até a velhice, essa estratégia propõe “sprints” intercalados com intervalos para viajar, estudar, criar projetos pessoais ou simplesmente desacelerar.
A Geração Z abraça essa ideia por dois motivos principais:
Incerteza financeira sobre o futuro da aposentadoria: em países como os Estados Unidos, pesquisas mostram que muitos aposentados já retornam ao mercado para complementar a renda.
Preocupação crescente com a saúde mental: o aumento de casos de burnout e doenças relacionadas ao estresse reforça a necessidade de pausas preventivas.
Entre maratonas e sprints: um novo ritmo de carreira
Diferente do sabático tradicional, que geralmente depende de acordos com empregadores, as microaposentadorias são autogeridas: o profissional se planeja financeiramente, encerra temporariamente seu contrato e retorna ao mercado depois de alguns meses.
Essa flexibilidade é viabilizada pelo trabalho remoto, pela economia de projetos e por uma cultura profissional menos avessa à troca frequente de empregos.
Segundo a Bloomberg, essa geração prefere a mobilidade e a reinvenção contínua à estabilidade de décadas na mesma empresa.
A saúde no centro da decisão
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já comprovou que longas jornadas elevam em 29% o risco de doenças cardíacas e AVCs. Diante disso, a microaposentadoria não é apenas um luxo, mas também uma estratégia preventiva para evitar que o corpo e a mente entrem em colapso.
Casos como o de Anaïs Felt, gerente sênior no Vale do Silício, viralizam nas redes sociais: sobrecarregada, ela decidiu interromper a carreira temporariamente e relatou no TikTok que só então conseguiu voltar a ter energia para se exercitar, se relacionar e rir, atividades simples, mas essenciais para o bem-estar.
Os desafios por trás da tendência
Apesar de sedutora, a microaposentadoria exige planejamento financeiro rigoroso. Em países com alto custo de vida e salários desproporcionais, como Espanha e Bélgica, períodos sem renda podem prolongar a dependência dos pais e adiar a emancipação, que já ocorre, em média, aos 30 anos.
Além disso, pausas frequentes podem impactar a trajetória profissional, especialmente para quem ainda está construindo um currículo sólido.
Em contrapartida, empresas na Austrália e Bélgica já testam licenças remuneradas de autocuidado, sinalizando que o modelo pode ganhar mais aceitação corporativa no futuro.
O futuro do trabalho sob a ótica da Geração Z
A microaposentadoria é mais do que uma moda passageira: é um reflexo de uma mudança estrutural na forma como as novas gerações enxergam o trabalho.
Em vez de sacrificar a juventude para colher recompensas incertas décadas depois, a Geração Z prefere viver múltiplos ciclos de produtividade e descanso, valorizando experiências, liberdade e qualidade de vida acima de estabilidade a qualquer custo.
Se esse modelo se consolidar, poderemos assistir ao nascimento de um mercado mais humano, no qual o bem-estar deixa de ser consequência para se tornar ponto de partida.
Esporte como estilo de vida: o novo normal da Geração Z
Por Rodrigo Arpini Valério
Cada vez mais, vemos o esporte e a atividade física não apenas como um hábito saudável, mas como parte central de um novo estilo de vida que redefine prioridades, consumo e bem-estar.
Segundo a IWSR, há um crescimento constante da moderação no consumo de álcool, especialmente entre os mais jovens, que preferem saúde, equilíbrio e autocuidado.
E como aponta Derek Thompson, estamos vivendo a “Revolução da Manhã de Domingo” — onde treinos, meditação e autoconsciência substituem as festas e os excessos. O que antes era exceção, agora é estilo de vida.
Essa mudança já impacta a indústria de bens de consumo:
✔️ Produtos funcionais e saudáveis ganham espaço
✔️ A estética esportiva se mistura com o casual
✔️ Marcas que promovem bem-estar autêntico se conectam mais
✔️ Há um novo protagonismo de comunidades ligadas ao esporte e ao movimento
Mais do que nunca, praticar esporte é um ato de autocuidado, pertencimento e expressão.
E para as marcas, é hora de acompanhar esse novo mindset: menos sobre performance, mais sobre presença.
Para a Geração Z, “pequenos mimos” valem estourar o orçamento do mês
`Por Kailyn Rhone
A última coisa de que Naomi Barrales precisava era de um atraso de 30 minutos no trem. Ela ainda tinha pela frente um trajeto de duas horas até sua casa em Nova Jersey. Para passar o tempo, decidiu se dar um presente: dois cookies veganos de bolo de aniversário.
Logo, virou ritual. Sempre que tinha um bom dia no trabalho — recebia um elogio do chefe ou fazia uma boa apresentação —, Barrales, 25 anos, assistente de marketing de uma grife, repetia a dose. Depois acrescentou um refrigerante Poppi de US$ 1,50 à lista de “mimos”. Mesmo quando a máquina do escritório estava vazia e precisava pagar o dobro na delicatessen próxima, ela não se importava. “Eu mereço”, dizia.
“É algo que eu posso ter sem pensar muito. Não preciso contar cada centavo”, afirmou Barrales.
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Ela e muitos outros jovens da Geração Z abraçaram a chamada treat culture — a cultura do mimo —, o hábito de se conceder pequenos luxos, como um café de US$ 12, uma sobremesa de US$ 5 ou até um chaveiro de US$ 30, para se recompensar ou praticar autocuidado, mesmo que isso pese no orçamento. Embora muitos não se sintam financeiramente seguros, mais da metade admite comprar um “mimo” pelo menos uma vez por semana, segundo pesquisa com quase mil jovens da faixa feita pelo Bank of America.
A ideia de usar pequenos prazeres para lidar com momentos difíceis ou comemorar conquistas não é nova, mas ganhou força na cultura pop em 2011, num episódio da série Parks and Recreation em que personagens criam o lema: “Treat Yo Self”.
O que diferencia a Geração Z é a forma como transformou o costume em fenômeno comunitário online. No TikTok, milhares compartilham vídeos mostrando suas últimas “comprinhas de mimo”, seja após falhar numa prova, cumprir tarefas domésticas ou simplesmente para ostentar consumo. A hashtag “sweet little treat meme” já soma mais de 23 milhões de vídeos.
Segundo o pesquisador Jason Dorsey, coautor do livro Zconomy, o fenômeno virou experiência coletiva que normaliza e até incentiva esses gastos. Em um cenário de preços em alta, mercado de trabalho instável e sonhos como comprar a casa própria cada vez mais distantes, esses pequenos gastos dão à Geração Z uma sensação passageira de controle.
“Se eu tivesse acabado meus estudos e não estivesse conseguindo espaço no mercado, provavelmente também me daria um mimo”, disse Gregory Stoller, professor da Universidade de Boston, que recebe dezenas de pedidos de aconselhamento profissional por semana.
Do prazer à conta no vermelho
O problema é que, sem controle, os pequenos luxos podem pesar no bolso. Após um mês se presenteando três vezes por semana, Barrales percebeu que sua conta estava cerca de US$ 50 mais baixa que o normal.
“No começo era inofensivo, porque eu pensava: ‘Ah, são só US$ 6, não tem problema’. Mas vai somando, e aí começa a comprometer minhas finanças.”
Segundo a pesquisa do Bank of America, 59% dos jovens que compram mimos dizem que acabam gastando demais. Aplicativos de “compre agora, pague depois” e entregas instantâneas facilitam ainda mais os impulsos, explica Stoller.
Para alguns, os gastos crescem rápido. Um croissant de US$ 3 pode virar um ingresso de US$ 200 para um show ou suplementos de autocuidado de US$ 350, como aconteceu com Angelina Aileen, 23 anos.
Formada pela Universidade da Pensilvânia em 2023, ela se mudou para Nova York para trabalhar como analista financeira. Logo se viu sobrecarregada pelas expectativas no trabalho. Tentou cortar café para melhorar o humor, mas não funcionou. Ao ver uma influenciadora recomendar suplementos, decidiu experimentar. Em poucas semanas, estava arrependida do gasto. Cancelou assinaturas e passou a apostar em mimos menores, como manicure e massagem duas vezes por mês.
“Isso me deixa mais centrada. Faz eu me sentir pronta para enfrentar o dia”, disse, hoje gerente de desenvolvimento de produtos em uma empresa de beleza.
Já Alanis Castro-Pacheco mergulhou na cultura do mimo de forma impulsiva. Em 2022, durante a faculdade, os atritos com colegas de dormitório a levaram a comprar um baixo elétrico e um amplificador por US$ 500 no cartão de crédito. Se arrependeu de imediato, mas o dinheiro de Natal e o prazer de tocar músicas como Californication ajudaram a aliviar o peso da compra. Hoje, aos 22 anos, ela ainda paga aulas quinzenais de guitarra, a US$ 75 cada.
“Até hoje olho para o baixo e penso: ‘Ok, preciso tirar meu dinheiro de volta’”, contou.
A normalização dos mimos
Segundo Tony Park, dono da rede Angelina Bakery, em Nova York, os jovens foram essenciais para a expansão do negócio. Ele aposta em produtos chamativos, como croissants gigantes de US$ 30, e diz que mais da metade dos 11 mil clientes semanais são da Geração Z.
“Eles podem não ter muito dinheiro na conta, mas gastam pela experiência”, disse.
Para a executiva do Bank of America Holly O’Neill, quem adere à cultura do mimo deve considerar um orçamento realista ou buscar alternativas sustentáveis, como pegar livros emprestados em bibliotecas.
Naomi Barrales decidiu incorporar os mimos ao planejamento financeiro. Ela reserva US$ 25 a cada duas semanas do salário para esse fim.
“Eu estourar o orçamento de vez em quando? Sim, estouro”, admitiu. “Mas já que entendo meu hábito, prefiro organizar minhas contas em torno dele.”
Geração Z redefine sucesso profissional e coloca propósito no centro das escolhas de carreira
Por Acorda Cidade
Como se tornar médico ainda é um tema que desperta curiosidade e admiração, mas o que move boa parte da Geração Z vai além da tradição de uma profissão prestigiada. Entre jovens nascidos entre o fim dos anos 1995 e o início dos 2010, a ideia de sucesso não está mais atrelada apenas ao contracheque no fim do mês. O que realmente pesa é a sensação de fazer parte de algo maior.
Esta geração não hesita em abrir mão de um emprego estável, se ele não estiver alinhado com seus valores. Mais do que benefícios e salários competitivos, os profissionais buscam causas para abraçar, projetos que inspirem e empresas que representem o que acreditam.
Este movimento desafia modelos tradicionais e exige que as empresas repensem a forma de atrair e reter talentos. Quem não oferecer propósito corre o risco de ver bons profissionais partirem.
No passado, carreiras sólidas, como medicina, direito e engenharia, eram quase sinônimo de segurança e respeito. Hoje, embora ainda despertem interesse, estas profissões disputam espaço com novas áreas ligadas a tecnologia, sustentabilidade e impacto social.
A Geração Z cresceu presenciando crises econômicas, instabilidade política e mudanças rápidas impulsionadas pela tecnologia. Este contexto moldou uma mentalidade mais inquieta, que combina busca por estabilidade com vontade de transformar o que está ao redor.
Os jovens valorizam empresas com compromissos claros em diversidade, inclusão e responsabilidade ambiental. A tolerância a ambientes que não refletem estes princípios é baixa, e a troca de emprego pode ser rápida quando as expectativas não são atendidas.
Propósito como diferencial competitivo
Por décadas, bons salários e benefícios generosos eram suficientes para manter profissionais no mesmo lugar. Hoje, o propósito se tornou um diferencial estratégico. Empresas que conseguem mostrar por que existem e qual impacto geram tendem a criar vínculos mais fortes com a equipe.
A Geração Z também tem pressa para crescer. Quer aprender rápido, participar de decisões e ver resultados concretos. Na área da saúde, este comportamento também é evidente: muitos buscam saber como se tornar médico não apenas pelo prestígio, mas pela chance de salvar vidas e deixar uma marca positiva.
Mesmo profissões com décadas de tradição têm se reinventado para acompanhar as novas demandas, mantendo relevância sem perder essência.
Impacto das expectativas nas empresas
As escolhas da Geração Z têm mudado a forma como as empresas pensam na gestão de pessoas. Modelos engessados e pouco transparentes afastam candidatos, enquanto culturas abertas e participativas atraem interesse.
Estudos mostram que o tempo médio de permanência dos profissionais em uma mesma empresa é menor do que o das gerações anteriores. A mobilidade é vista como forma de explorar novas experiências, ampliar repertório e participar de projetos transformadores.
Para as empresas, isso significa que reter talentos vai muito além de oferecer um bom pacote de benefícios. É preciso criar um ambiente em que os valores da organização e dos profissionais caminhem juntos.
A ideia de uma carreira linear, seguida passo a passo na mesma empresa, perdeu força. Hoje, muitos jovens misturam habilidades de áreas distintas e constroem perfis versáteis, capazes de se adaptar a mudanças rápidas.
Apesar da diversificação, profissões como medicina continuam no radar. O interesse em saber como se tornar médico segue alto, especialmente por reunir estabilidade, impacto social e realização pessoal. Esta combinação conversa diretamente com o que a Geração Z valoriza.
Áreas como tecnologia, marketing digital e engenharia ambiental também se destacam, oferecendo não só boas perspectivas de carreira, mas a possibilidade de gerar impacto positivo.
O futuro das carreiras com propósito
A tendência é que as exigências desta geração moldem cada vez mais o mercado de trabalho. Com o avanço da inteligência artificial, da automação e dos modelos flexíveis, novas funções devem surgir, enquanto habilidades humanas, como empatia e pensamento crítico, ganham mais importância.
O desafio para as empresas será equilibrar segurança e inovação, mantendo coerência entre discurso e prática. Neste cenário, o interesse por profissões que combinam tradição e impacto social, como se tornar médico, tende a permanecer forte.
As próximas décadas devem consolidar um modelo de carreira em que estabilidade e propósito não se excluem, mas se fortalecem mutuamente. E aqueles que conseguirem alinhar estes dois elementos, sejam profissionais ou empresas, terão mais chances de prosperar em um mundo em constante transformação.
MS registra aumento de 48% nas negociações de dívidas por jovens da Geração Z
Por Kamila Alcântara
O Mato Grosso do Sul acompanha a tendência nacional no avanço das negociações de dívidas entre jovens da Geração Z. De janeiro a julho deste ano, mais de 26,5 mil sul-mato-grossenses de 18 a 25 anos negociaram pendências pela plataforma Serasa Limpa Nome, o que representa um aumento de 48% em relação ao mesmo período de 2024.
Apesar de ainda serem a faixa etária com menor índice de inadimplência no país, os jovens mostram crescimento acelerado na busca por acordos. No Brasil, o aumento no número de negociações foi de 11,4% no mesmo período, sendo que entre os mais novos a alta foi de 49%, com mais de 1,5 milhão de pessoas regularizando dívidas.
Para a gerente da Serasa, Patrícia Camillo, os dados revelam maior consciência financeira dessa geração. “Compreendendo pessoas com até 25 anos, muitos estão dando os primeiros passos na vida profissional e aproveitar os descontos agora pode evitar que as dívidas se transformem em um problema maior no futuro”, explica.
Levantamento nacional mostra que 55% dos jovens de 18 a 29 anos já arcam sozinhos com suas despesas mensais e 39% contribuem com as contas da casa. Mais da metade (57%) afirma ter buscado aprender sobre finanças em função da instabilidade econômica que presenciaram ao longo da vida.
Mesmo com o esforço dos mais novos, o Brasil fechou julho com 78,16 milhões de inadimplentes, a maior marca da série histórica. São 307 milhões de dívidas, que somam R$ 482 bilhões. O valor médio é de R$ 1.570,17.
Bancos e cartões de crédito concentram a maior parte das pendências (27,2%), seguidos de contas básicas de água, luz e gás (20,6%) e financeiras que não são bancos (19,47%).
Segundo Patrícia, a inadimplência cresce em todas as idades: “São sete meses consecutivos de alta, desde a última queda registrada em dezembro de 2024. Para todas as faixas, regularizar as contas é o primeiro passo para sair do vermelho e retomar o controle da vida financeira”