ESPECIAL STREAMING – 06.08.2025

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Na coluna de hoje separamos artigos sobre um tema especial e que vem mudando a forma de fazermos comunicação, o Streaming. Artigos selecionados: Cresce o número de brasileiros que trocam TV por assinatura pelo streaming, Amazon investe na ‘Netflix da IA’ e levanta debate: o que é entretenimento?, Na disputa acirrada pelo consumidor, varejistas incluem streamings no leque de produtos, Com publicidade, streamings entram na era dos pacotes comerciais, Avanço dos canais de TV por streaming abre frente para marcas e publishers, 

 

Cresce o número de brasileiros que trocam TV por assinatura pelo streaming

Por Portal Planeta da TV

 

A forma como o brasileiro consome conteúdo audiovisual está passando por uma transformação significativa. De acordo com dados mais recentes do IBGE, coletados no último trimestre de 2024, o número de domicílios com acesso a serviços pagos de streaming ultrapassou, com folga, os lares com TV por assinatura, consolidando uma mudança de hábito no país.

Atualmente, 43,4% dos domicílios com televisão já utilizam alguma plataforma de vídeo sob demanda, o que equivale a 32,7 milhões de lares em todo o Brasil. Em comparação, a TV paga está presente em apenas 24,3% dos domicílios, representando 18,3 milhões de casas e cerca de 51,7 milhões de pessoas.

 

Desinteresse pela TV paga cresce, enquanto o preço perde relevância

Um dado chama a atenção: o principal motivo para a desistência da TV por assinatura deixou de ser o preço. Em 2016, 56,1% das pessoas alegavam o custo elevado como a maior barreira para assinar o serviço. Já em 2024, esse número caiu para 31%. Em contrapartida, o percentual de brasileiros que dizem não ter interesse pela TV paga saltou de 39,1% para 58,4% no mesmo período.

Para o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, a causa desse desinteresse pode estar atrelada ao avanço de outras tecnologias. “Possivelmente um dos motivos dessa falta de interesse pode ser, por exemplo, o streaming, o acesso a vídeos, a filmes e séries por outros meios”, destacou.

 

Streaming cresce em números e em influência

Desde 2022, quando o IBGE passou a monitorar a presença do streaming nos domicílios, o número de casas com esse tipo de serviço saltou de 31 milhões para 32,7 milhões. Esses lares concentram atualmente 95,1 milhões de brasileiros, que preferem a praticidade de assistir filmes, séries, programas e eventos esportivos sob demanda, quando quiserem e onde quiserem.

Ainda segundo o levantamento, 86,9% dos domicílios com streaming também mantêm acesso à TV aberta, embora esse índice tenha caído em relação aos 93% de 2022. Já a TV por assinatura segue perdendo espaço: está presente em 39,7% dos lares com streaming, contra 41,5% dois anos atrás.

Um dado revelador: 8,2% dos domicílios com streaming não possuem acesso à TV aberta nem à TV paga, revelando uma parcela crescente da população que consome conteúdo exclusivamente online. Em 2022, essa proporção era de apenas 4,7%.

 

Desigualdade regional e relação direta com a renda

A pesquisa também evidenciou diferenças regionais marcantes no acesso ao streaming. Enquanto Sudeste (48,6%), Sul (50,3%) e Centro-Oeste (49,2%) têm quase metade das residências conectadas a essas plataformas, o Nordeste (30,1%) e o Norte (38,8%) apresentam índices bem abaixo da média nacional.

Outro fator relevante é a renda média per capita: nas casas com streaming, o rendimento mensal gira em torno de R$ 2.950. Já nos lares sem acesso ao serviço, o valor cai para R$ 1.390, o que evidencia o impacto da condição econômica no consumo digital.

 

Presença da televisão segue alta, mas em queda proporcional

Apesar da queda proporcional, o número absoluto de residências com aparelho de TV segue em crescimento. Eram 65,5 milhões em 2016 e passaram para 75,2 milhões em 2024. Ainda assim, a proporção de lares com televisão caiu de 97,2% para 93,9% no período.

Em relação aos sinais recebidos, a TV aberta — analógica ou digital — segue presente em 86,5% dos domicílios, enquanto 21,3% recebem sinal via antena parabólica. Apenas 1,5% das casas brasileiras dependem exclusivamente das parabólicas para assistir à programação.

 

Por que o YouTube é o streaming que sua marca não pode ignorar

Por Fernando Puhlmann

 

No universo do streaming, o YouTube não é apenas uma plataforma de vídeos. Ele é um ecossistema de conteúdo, influência e engajamento — e hoje representa uma das ferramentas mais estratégicas para marcas que querem crescer com relevância e resultado.

Neste artigo, você vai entender por que o YouTube é essencial para marcas modernas, o que grandes empresas estão fazendo por lá, e como uma agência especializada — como a Cuentos y Circo — pode transformar sua presença digital.

 

 O YouTube é mais que entretenimento: é presença de marca

Com mais de 2,5 bilhões de usuários ativos mensais, o YouTube é a maior plataforma de vídeo do mundo. A audiência é massiva, mas o que realmente importa é o comportamento desses usuários:

90% já descobriram novas marcas por meio da plataforma

71% seguem pelo menos um canal de marca

O tempo médio diário de visualização chega a 48 minutos por usuário

Além disso, campanhas de vídeo no YouTube geram em média:

+23% em reconhecimento de marca

+19% em lembrança espontânea

Ou seja: quem investe em YouTube como canal estratégico está colhendo resultados reais — em visibilidade, comunidade e vendas.

 

Streaming é estratégia. E o YouTube exige conhecimento técnico

Estar no YouTube não significa apenas “subir vídeos”. A plataforma exige uma abordagem técnica e criativa ao mesmo tempo:

Narrativas otimizadas para prender atenção nos primeiros segundos

SEO para YouTube: título, thumbnail, descrição e tags bem pensados

Conteúdo frequente e estruturado em séries, playlists e Shorts

Métricas completas para guiar a melhoria contínua

É por isso que muitas marcas acabam frustradas ao tentar crescer sem apoio especializado. O YouTube não é rede social — é um canal de streaming com lógica própria, que recompensa consistência, qualidade e otimização.

 

 Cuentos y Circo: especialistas em YouTube para marcas

A Cuentos y Circo é uma agência criativa com foco em conteúdo audiovisual estratégico — e especialização profunda em YouTube como plataforma de marca.

Nós ajudamos empresas a:

Criar canais estruturados e com identidade

Produzir conteúdo relevante, com storytelling e técnica

Crescer de forma orgânica e gerar resultados mensuráveis

Posicionar sua marca como referência no seu segmento

Nossa abordagem une criatividade, análise de dados e conhecimento da comunidade YouTube + o uso correto das ferramentas de IA — o que garante mais presença e impacto.

 

O que as grandes marcas estão fazendo no YouTube?

Marcas de todos os tamanhos e setores já entenderam que o YouTube é uma plataforma de streaming própria, sem intermediários. Aqui estão alguns exemplos:

Marca                         Estratégia usada                                         Resultados alcançados

Nike, Apple                      Histórias inspiradoras                Engajamento e presença contínua

Nubank, Magalu                Conteúdo educativo             Criação de comunidade e autoridade

Sanremo                         Conteúdo nichado e útil            Crescimento orgânico e recorrência

 

Conclusão: sua marca precisa estar lá — do jeito certo

Se a sua marca está no YouTube só porque “tem que estar”, está na hora de mudar o jogo.

E se ainda não está… melhor começar com o pé direito.

O YouTube é o streaming das marcas. Um canal direto com o público, controlado por você, com dados e estratégias que geram valor contínuo.

E com o suporte da Cuentos y Circo, sua empresa transforma vídeos em influência, visualizações em comunidade, e conteúdo em resultados reais.

Quer saber como começar ou evoluir no YouTube com estratégia e criatividade? Fale com a gente.

Afinal, YouTube não é para amadores.

 

 

Amazon investe na ‘Netflix da IA’ e levanta debate: o que é entretenimento?

Por Renan Martins Frade

 

Na última semana, um movimento aparentemente pequeno chamou atenção no setor de tecnologia e entretenimento: a Amazon, por meio da Alexa Fund Venture Capital, anunciou um investimento —de valor não divulgado— na Fable, empresa responsável pela plataforma Showrunner. A novidade poderia passar batido, não fosse o fato de o serviço ter ganhado o apelido de “Netflix da IA” e prometer transformar profundamente o que entendemos hoje como entretenimento.

Para além da assistente virtual, Alexa também é o nome do fundo de capital de risco da Amazon, voltado a startups com ideias inovadoras em inteligência artificial, hardware e outros setores estratégicos. Este seria mais um de seus investimentos, entre dezenas. Seria.

Showrunner não é só mais um streaming para disputar espaço com o Prime Video. A plataforma permite que o usuário crie cenas — ou até episódios inteiros — a partir de algumas frases, que podem ou não ser ambientados em universos ficcionais já existentes.

O serviço ficou em fase de testes por meses, disponível para apenas 10 mil usuários —agora, começa a ampliar essa base por meio de um grupo no Discord, que é uma plataforma de troca de mensagens. A ideia é que as pessoas comprem créditos e criem vídeos com inteligência artificial generativa que podem ser distribuídos em locais como o YouTube.

Edward Saatchi, cineasta e CEO da Fable, afirmou à Variety que a intenção não é fazer um “Toy Story barato”, citando como exemplo a clássica animação da Pixar —mas sim poder criar novas histórias que se passam nessa franquia a partir da IA. “Tudo propriedade da Disney”, frisa. Para isso, estão atrás de acordos de licenciamento com os grandes estúdios de Hollywood.

Para comprovar o potencial da ferramenta, a Fable já produziu, em 2023, um “episódio não autorizado” da animação South Park. No ano passado, a companhia lançou dez séries originais a partir do Showrunner.

“Os serviços de streaming de Hollywood estão prestes a se tornar entretenimento bidirecional: o público que assiste a uma temporada de uma série e a adora agora poderá criar novos episódios com poucas palavras e se tornar personagens com uma foto”, disse Saatchi à Variety. “Nossa relação com o entretenimento será totalmente diferente nos próximos cinco anos.”

Em entrevista ao site The Wrap, o executivo descreveu o que acredita ser o próximo passo para filmes e séries: a possibilidade de o espectador adicionar ações personalizadas diretamente ao que se desenrola na tela.

“Isso pode mudar a relação entre o público e o cineasta de uma forma que pode ser muito importante, em uma era em que os jogos e as mídias sociais competem bastante com o cinema. Quero que o cinema seja a forma de arte dominante pelos próximos 50 anos”, revelou. “E, neste momento, parece que os jogos estão a caminho de se tornarem a forma de arte dominante. Então, vamos contra-atacar.”

Curiosamente, a Netflix já apostou em uma ideia parecida —mas sem qualquer uso de IA. Eram conteúdos interativos, nos quais o espectador podia definir o próximo passo dos personagens na tela a partir de passos pré-definidos. A iniciativa não deu certo e foi totalmente descontinuada.

 

O mundo pós-streaming

A possibilidade de criar conteúdo em vídeo ao comando do espectador pode ser visto como um grande abalo ao que entendemos como audiovisual.

Até aqui, o debate sobre o uso da inteligência artificial tem ocorrido sobretudo nos bastidores da indústria, entre executivos, técnicos e especialistas — longe do público em geral. O medo, a partir das greves de 2023, era sobre como os estúdios poderiam substituir a criatividade humana por conteúdos gerados pela IA. Tivemos recentemente, por exemplo, o uso desse tipo de tecnologia para produzir os efeitos especiais da série argentina “O Eternauta”, causando polêmica.

O primeiro grande ponto de mudança foi a introdução da Veo 3, do Google, que permite a criação de vídeos curtos a partir de pequenos textos, os prompts, por qualquer um —bastando pagar por isso. Não à toa, a internet foi invadida por esse tipo de conteúdo nos últimos meses.

A proposta da Fable com o Showrunner vai além. Não só os produtores podem usar o modelo para a criação de cenas para seus filmes e séries, mas ele também permite remodelar totalmente a forma como interagimos com os serviços de streaming.

Usando o próprio exemplo apresentado por Edward Saatchi: em vez de esperar por “Toy Story 5” chegar aos cinemas, o espectador pode simplesmente pedir para o Showrunner — ou diretamente ao Disney+ — para criar um desenho animado do zero, a partir dos seus desejos. Em pouco tempo, o filme estaria pronto.

Vale lembrar que o primeiro “Toy Story”, lançado em 1995, levou quase cinco anos para ficar pronto. “Toy Story 4”, de 2019, levou um tempo parecido.

 

O que é entretenimento?

Uma dúvida que paira no ar é o limite entre a criatividade humana, o que é gerado por IA e a participação dos prompts do usuário.

Estúdios podem transformar propriedades intelectuais em geradores quase infinitos de receitas, com cada espectador podendo criar para si a sua própria versão de personagens e universos da ficção —isso enquanto não é necessário pagar para roteiristas, atores, produtores, diretores, artistas ou outros profissionais criativos.

Pense no Superman, por exemplo. O personagem acaba de ganhar uma nova versão nos cinemas que agradou a muitos, mas que também frustrou parte do público. Agora imagine a Warner Bros. lançando várias versões do herói, cada uma ajustada ao perfil de um fã diferente —e por uma fração do orçamento do longa-metragem original, estimado em US$ 225 milhões (R$ 1,2 bilhão).

Vamos, por um instante, olhar para o que define a arte: uma expressão criativa de ideias, emoções ou visões de mundo, feita para provocar sensações, reflexões ou conexões. Tudo isso é inerentemente humano. Por isso, chamar algo de arte sintética soa como uma contradição em termos.

Entretenimento, por outro lado, é qualquer atividade ou conteúdo criado para divertir, distrair ou envolver emocionalmente o público. A arte pode ser ou não ser um componente. E é aqui que surge um novo tipo de debate: será que já podemos falar em entretenimento sintético?

É verdade que muitas obras já são, por natureza, um pacto de cooperação entre quem cria e quem consome. No livro, é o leitor quem dá forma às imagens e ações descritas; na HQ, o fã projeta movimento e som, preenchendo com a imaginação o que acontece entre um quadro e outro; no game, o jogador conduz a história ao mover o personagem pelos cenários.

Mas, em todos esses casos, existe uma intenção criativa por trás. Há sempre a mão de um artista —comercial ou não— moldando a experiência.

Não há respostas certas ou erradas daqui para frente. Mas, para além dos interesses mercantis, é preciso que, como sociedade, decidamos o que queremos preservar sob o toque humano e o que estamos dispostos a delegar às mãos artificiais.

Caso contrário, corremos o risco de criar algo que, no fim das contas, poderá ser muitas coisas —menos aquilo que, em sua essência mais pura, ainda chamamos de entretenimento.

 

Na disputa acirrada pelo consumidor, varejistas incluem streamings no leque de produtos

Por Mariana Zonta d’Ávila

 

Se antes o foco principal das empresas recaía sobre um conjunto de produtos restritos à marca, hoje esse leque foi ampliado por meio do marketplace, com empresas apostando em novas estratégias para reter o consumidor em um ambiente cada vez mais competitivo.

Um estudo da Mastercard sobre pequenas e médias empresas no mundo mostra que o número de marcas que migraram para o modelo online por mês, durante a pandemia, foi três vezes maior do que nos níveis pré-pandêmicos, com um pico em julho de 2020.

No Brasil, o número de empresas que fizeram essa migração no ano passado cresceu mais de 200% ante 2019. E a direção que as varejistas optaram por seguir foi a de oferecer de tudo.

“O benefício que a empresa tem ao trabalhar com o marketplace é a recorrência. A possibilidade de ampliar as categorias no portfólio também é ouro nesse mercado”, diz Alexandre Machado, especialista em varejo e sócio diretor do grupo GS&Consult.

E, diante do aumento da concorrência, com novos players locais e internacionais disputando a atenção e preferência no carrinho do consumidor, serviços de streaming têm contribuído como critério de desempate.

Enquanto a gigante americana Amazon optou por focar em produtos dentro da própria empresa, criando o Amazon Prime para oferecer séries e filmes aos clientes, outras têm feito parcerias com serviços já existentes para ampliar o leque de produtos disponíveis na plataforma.

É o caso do Mercado Livre, que lançou recentemente uma parceria com serviços de streaming como Disney+, Paramount+, HBO Max e Deezer Music, oferecendo desconto de até 100% em assinatura pelo prazo de seis meses.

Julia Rueff, diretora de marketplace do Mercado Livre, conta que a iniciativa faz parte do programa de fidelidade da empresa, o Mercado Pontos, trazendo sinergia entre os serviços já oferecidos e ampliando o engajamento dos clientes. “Nossa missão é ser ‘one stop shop’, oferecendo tudo que o consumidor quiser comprar.”

 

Gameficação para ampliar engajamento

No Mercado Livre, a estratégia do programa de fidelidade assemelha-se a um jogo, com objetivos e “recompensas”.

À medida que compra, o usuário sobe de nível, podendo chegar até o nível seis, garantido benefícios como frete grátis, atendimento mais rápido, além de assinaturas dos serviços de streaming.

Caso o consumidor não chegue a esse nível com seu volume de compras, pode pagar a assinatura de R$ 13,90 para usufruir dos benefícios. Hoje, as assinaturas dos streamings citados acima variam de R$ 19,90 a R$ 27,90 por mês cada uma.

“É um grande estímulo para que as pessoas continuem usando a plataforma, ampliando a possibilidade de serviços. Só de interagir com o cliente, isso o fideliza”, diz Julia.

A escolha de incluir parcerias com streaming, segundo Julia, foi por conta do crescimento das plataformas ao longo da pandemia de Covid-19, mudanças de comportamento do consumidor – que passou a consumir mais conteúdo via streamings –, e ainda, como forma de ampliar o engajamento do usuário.

Embora não abra números da iniciativa, Julia afirma que a estratégia vem crescendo e tem entregado resultados acima das expectativas iniciais. Não há, no momento, ideias de parcerias com outros streamings, dado que o conjunto, segundo a empresa, já está “completo”.

 

Mercado Livre não está sozinho

Outras varejistas como Americanas (AMER3) e Via (VIIA3), ex-Via Varejo, também estão apostando em iniciativas nas verticais de entretenimento para ampliar o engajamento com seus clientes.

Na Via, dona das Casas Bahia e Ponto Frio, a estratégia foi fazer uma parceria com a Paramount+, oferecendo o streaming pelos aplicativos da marca, Casas Bahia Play e Ponto+.

Ilca Sierra, Chief Experience Marketing Officer (CXMO) da Via, conta que os serviços disponibilizados aos clientes trazem gratuidades e benefícios promocionais.

Com o Paramount+, parceiro inicial do programa, a Via tem um formato sem assinatura. Para acessar a plataforma, o cliente precisa fazer uma compra de qualquer valor através do app das Casas Bahia, e, no caso do Ponto, em categorias definidas, para ter acesso gratuito ao streaming para consumo em até três dispositivos simultâneos até o final deste ano.

“Queremos que nossas marcas estejam presentes em inúmeros momentos da vida dos nossos clientes e estamos agregando valor nos nossos canais de venda. Capturamos que há um interesse muito grande do nosso cliente nos serviços de streaming e de conteúdo. Nossa estratégia foi unir os dois mundos e dar esse acesso à plataforma. A proposta é sempre trazer novas parcerias estratégicas, conteúdos relevantes de entretenimento e benefícios em serviços”, diz Ilca.

Segundo ela, a resposta do cliente está “muito positiva”; o usuário que interage com o CBPlay tem índices de engajamento, conversão e recorrência em média três vezes maior que os demais, afirma.

Além da atual parceria com a Paramount, clientes que compraram consoles e controles Xbox, em outubro, no Casas Bahia Play e no Ponto Plus, ganharam um mês de Xbox Game Pass Ultimate.

 

Live Commerce

Também no fronte de entretenimento, mas com foco mais direcionado às vendas, a Americanas lançou em 2020 seu projeto de live commerce: o “Americanas ao Vivo”, no qual apresenta produtos em vídeos ao vivo e possibilita aos clientes a compra imediata pelo app da marca.

O serviço completou um ano de operação em junho de 2021 e já realizou mais de 170 lives, com transmissões no app de segunda a sexta, em horários como às 15h e às 19h.

De acordo com Vitor Monte, head de marketing da Americanas, a estratégia resultou no crescimento de mais de dez vezes na busca dos produtos divulgados durante as lives e em uma conversão de vendas sete vezes maior.

O projeto deu tão certo que, em maio deste ano, a Americanas firmou uma parceria comercial com a OOOOO, plataforma mobile britânica de social commerce, com o objetivo de melhorar a experiência para os clientes e expandir o alcance do negócio.

“Com o conceito de ‘entertainment first, shopping later’, a plataforma OOOOO é uma alternativa ao modelo tradicional de varejo, conectando marcas, criadores e compradores por meio de vídeos e lives interativas”, afirma Monte.

Nesse formato, o vendedor pode ser também um criador de conteúdo, fazendo lives e vídeos de forma autônoma demonstrando seus produtos. Do outro lado da tela, o cliente pode interagir com curtidas e mensagens, seguir o perfil do vendedor na OOOOO como em uma rede social, participar por vídeo para tirar dúvidas, compartilhar o conteúdo, participar de jogos para ganhar descontos e comprar o produto desejado sem sair do app.

Monte conta que na OOOOO as lives ocorrem no app da plataforma e são comandadas por influenciadores e especialistas de diversos segmentos. O aplicativo disponibiliza uma agenda com datas e horários das novas lives, além da opção de “lembretes” para que os clientes recebam alertas sobre demonstrações de sua preferência.

“As lives commerce já são uma realidade na China faz tempo. No Brasil, a pandemia acelerou a utilização desse modelo de vendas, com a mudança nos hábitos de consumo e consequente potencialização das compras online. Com elas, foi possível oferecer uma nova experiência de compra que garantisse aos consumidores uma experimentação ‘real’ dos produtos, muito mais humanizada por meio da demonstração ao vivo dos itens nas lives”, afirma o executivo da Americanas.

E completa: “Enxergamos um enorme potencial neste tipo de projeto, que está ganhando cada vez mais espaço no Brasil e no mundo.”

 

Obsessão pelo consumidor

Machado, do GS&Consult, explica que por trás da estratégia de ampliar o leque de produtos está a obsessão das empresas pelo usuário, isto é, por atender, fidelizar e tornar o consumidor mais fiel e recorrente nas compras da marca.

“O custo de aquisição do cliente é recorrente e o investimento não acaba”, diz. “Isso porque, pelo fato de o consumidor ser muito disperso e ter uma série de opções disponíveis, a estratégia é ‘bombardeá-lo’ todos os dias com ofertas que possam guiar sua tomada de decisão”.

E, em um cenário de ampla concorrência, aquele que estiver mais presente na vida do consumidor tende a se destacar na decisão final de compra.

“As marcas brigam muito por essa atenção e, se o consumidor souber aproveitar, pode se beneficiar”, diz. Neste ponto, incluem-se promoções, frete grátis, cashback e até desconto em serviços de streaming.

Machado avalia que as parcerias são uma forma de ampliar o ecossistema de negócio. Ele cita como exemplo o Magazine Luiza (MGLU3), que fez uma série de aquisições este ano, ampliando sua relevância e controlando a experiência de ponta a ponta, desde o produto ao relacionamento com cliente, logística, meio de pagamento, dados etc.

No caso das plataformas de vídeos, as parcerias entram como forma de redução de custo e de “pegar carona” no sucesso de seu parceiro. “Quando se cria essa aliança, é possível ter o engajamento das duas marcas para oferecer o melhor serviço”, completa.

Outro exemplo são as empresas de telefonia, que oferecem planos de dados e antenas, mas que também contam com outras fontes de renda, como parcerias com canais exclusivos e até streamings, para expandir sua oferta e conseguir engajar cada vez mais o consumidor, diz o executivo.

“O foco principal é a obsessão pelo consumidor, para que ele não pense nem um minuto em trocar a marca por uma outra.”

 

Com publicidade, streamings entram na era dos pacotes comerciais

Por Bárbara Sacchitiello

 

A plataforma Max divulgou à imprensa que já conseguiu vender quase todas as cotas de patrocínio que havia oferecido ao mercado no plano comercial da segunda temporada da série A Casa do Dragão.

No ano passado, apenas alguns dias depois de ter unificado os serviços de Disney+ e Star+ em uma única plataforma, a companhia divulgou que dezenas de anunciantes já haviam decidido investir suas verbas de mídia em seu universo de conteúdo.

Esses movimentos recentes sinalizam uma estratégia que tende a se tornar corriqueira no ambiente das plataformas de streamings: a elaboração de pacotes e planos comerciais específicos para determinados conteúdos de seu catálogo.

Assim que anunciaram que abririam as fronteiras para os anúncios publicitários como forma de captar novas fontes de receitas além das tradicionais assinaturas, as plataformas de streaming tiveram que desenvolver um conjunto de estratégias comerciais para atrair anunciantes e mapear as formas mais adequadas de tornar seu conteúdo atrativo comercialmente.

E, nesse contexto, um dos elementos mais valiosos são os conteúdos originais e produções que podem ter um forte apelo perante o público. Por isso, a plataforma Max embalou todo o universo Game of Thrones em pacote comercial voltado à estreia da nova temporada de A Casa do Dragão.

Para o pacote Ad Lite da plataforma, a Max preparou um plano comercial com quatro cotas de patrocínio. Três delas já foram adquiridas por Hoteis.com, Nubank e Volkswagen.

Segundo a Max, esse modelo comercial contempla inserções das marcas no chamado Universo Westeros, que contempla a segunda temporada de A Casa do Dragão, bem como da primeira temporada e de toda a saga Game oh Thrones.

Segundo a Warner Bros. Discovery, os formatos de anúncios nessa fase da plataforma são title sponsorship, pré e mid roll (exibidos no título, antes do início e no meio da transmissão).

 

Disney e a publicidade no streaming na América Latina

A Disney também passou a se posicionar como uma opção de mídia aos anunciantes no fim de junho, quando unificou as plataformas do Disney+ e Star+ em um único serviço, que manteve a marca Disney+.

Segundo a companhia, logo após a unificação das plataformas, mais de 60 anunciantes em toda a América Latina já investiram para exibir suas campanhas e mensagens no plano Disney+ Padrão com Anúncios, que passou a ser oferecido nos mercados do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México.

Segundo a Disney, entre esses primeiros anunciantes a experimentarem o serviço de anúncios da plataforma estão marcas como Visa, Grupo Boticário, Coca-Cola, Nestlé e Burger King.

Para potencializar as entregas e se mostrar como uma plataforma atrativa para as marcas, a Disney apostou na união de marcas de conteúdo de seu universo, como Pixar, Marvel, Star Wars, National Geographic, ESPN e Star.

 

Netflix e a personalização dos anúncios

Com 40 milhões de assinantes de seus planos com anúncios em todo o mundo, a Netflix, que passou a adotar a fonte de receita um pouco antes que as concorrentes, vem investindo para diversificar as opções disponíveis aos anunciantes.

Em seu primeiro upfront presencial, realizado em Nova York, a empresa anunciou a criação de plataforma proprietária que une compra de mídia, insights e novas formas de mensurar impactos de campanhas.

A ideia da plataforma de streaming é estimular a criação de campanhas mais personalizadas, originais e inovadoras por meio de seu próprio ecossistema.

Ainda sem nome definido, a in-house advertising technology platform será lançada até o fim deste ano no Canadá. Até o final de 2025, o serviço deve chegar aos outros 12 mercados nos quais a empresa já oferece planos com anúncios – entre eles, o Brasil.

 

Avanço dos canais de TV por streaming abre frente para marcas e publishers

Por Adrieny Magalhães

 

Fast channels se sustentam por publicidade e operam com tecnologias que permitem segmentação, interatividade e inteligência de dados

Após o crescimento da audiência e a consolidação dos hábitos de consumo via TV conectada, o foco agora recai sobre o funcionamento do modelo fast. Como esses canais são estruturados? Quais os caminhos para viabilizar uma operação 100% gratuita ao público? De que forma plataformas, veículos e anunciantes colaboram para transformar a experiência de conteúdo linear em ambientes digitais?

Com presença crescente nas smart TVs, os canais fast simulam a lógica da programação tradicional, mas se sustentam exclusivamente por publicidade e operam com tecnologias que permitem segmentação, interatividade e inteligência de dados. Em um cenário de saturação dos modelos por assinatura, o formato gratuito e escalável vem sendo explorado por grandes grupos de mídia e marcas digitais, além de distribuidoras embarcadas nos aparelhos, como Samsung e TCL.

Nesta segunda parte do especial, o propmark ouviu os bastidores da operação. A reportagem conversou com executivos das principais distribuidoras e canais do país, como Samsung TV Plus, TCL Channel, Jovem Pan, UOL, Times Brasil, UOL e Caras TV, para entender como esse ecossistema é construído, da curadoria à monetização, passando pelos desafios técnicos e a recepção do mercado anunciante.

A criação de um canal fast parte de uma curadoria com propósito. Aline Jabbour, diretora sênior da Samsung TV Plus para a América Latina, explica que o ponto de partida não é técnico, mas estratégico. “Antes de qualquer aspecto técnico, avaliamos se aquele canal faz sentido dentro do nosso portfólio. Também consideramos a robustez técnica e o potencial comercial, sempre pensando na experiência do usuário e no valor que aquele conteúdo pode gerar dentro da plataforma.”

A partir dessa análise, a operação se estrutura com definição editorial, ferramentas de playout, integração com plataformas e viabilidade comercial. Luiz Felipe Reis, gerente de conteúdo do TCL Channel, lembra que o modelo é acessível e atrai produtoras independentes e criadores de conteúdo digital. “A partir da definição do conceito, é preciso montar a grade de programação, estruturar a operação técnica com ferramentas de playout e integração com os agregadores, e garantir que o canal seja relevante para a audiência e comercialmente viável.”

No Times Brasil, o maior desafio foi o tempo. “O lançamento do projeto até a estreia levou apenas seis meses. Foi um período muito intenso de obra, montagem de equipe, grade de programação, definição dos contratos e  estruturação da empresa”, lembra André Ramos, VP de jornalismo e multiplataforma.

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